Feridas silenciosas: uma análise epidemiológica de ferimentos autoprovocados em jovens no Brasil (2013-2023)
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Resumo:
Esse estudo buscou descrever a situação epidemiológica das lesões autoprovocadas em crianças e adolescentes no Brasil nos últimos dez anos (2013-2023). Este estudo ecológico com abrangência nacional foi baseado em dados do Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS). Estatísticas descritivas e inferenciais (teste t, ANOVA, Tukey e Friedman) e verificação de normalidade (Shapiro-Wilk) foram aplicadas no software Jamovi. O Brasil registrou 18.382 internações e 261 óbitos por lesões autoprovocadas entre crianças e adolescentes de 2013 a 2023, acarretando um custo hospitalar total de cerca de 10 milhões de reais. A Região Sudeste foi responsável pelo maior número de internações (55,45%) e óbitos (60,1%), enquanto a Região Norte registrou os menores números. A faixa etária entre 15 e 19 anos foi a mais acometida. As internações foram mais frequentes entre as mulheres, enquanto os óbitos predominaram entre os homens, com impacto significativo na população negra. Houve um aumento de 44,28% nas internações e um aumento de 26,31% nos óbitos no período, com os maiores custos hospitalares ocorrendo em 2022 e 2023. A análise destaca disparidades regionais e demográficas significativas, ressaltando a necessidade de estratégias de prevenção direcionadas e políticas públicas específicas.