Vigilância e saúde pública nas fronteiras: uma análise dos eventos de notificação imediata no Paraná (2010-2019)
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Resumo:
Fronteiras internacionais apresentam risco sanitário pela intensa circulação de pessoas e produtos, demandando vigilância e intervenções em saúde pública específicas. No Brasil, a diversidade territorial amplia esses desafios. O objetivo deste estudo é analisar o padrão de ocorrência de eventos de notificação imediata de saúde pública nas regiões de fronteira do Brasil e, mais especificamente, no estado do Paraná, de 2010 a 2019. São analisados 14 eventos da Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, de notificação imediata para os três níveis governamentais, com dados do DataSUS. Para cada evento, comparou-se a incidência entre municípios fronteiriços e não fronteiriços nos níveis de Brasil e estado do Paraná. Calcularam-se frequências absolutas e relativas, incidência e taxa de mortalidade (100.000 habitantes). Para comparar o excesso de risco entre grupos, calculou-se Razão de Taxas (RT). Foram registrados 50.628 eventos de saúde pública no período, sendo mais frequentes casos de sarampo (66,44%) e óbitos de dengue (11,52%). Nas fronteiras, concentraram-se casos de malária extra-amazônica (RT=32,41), botulismo (RT=6,94), hantavirose (RT=2,49) e óbitos por dengue (RT=1,39). Destaca-se o sarampo, com menores incidências registradas nas regiões fronteiriças. A dinâmica das doenças malária extra-amazônica, dengue, hantavirose e botulismo em fronteiras foi diferenciada em relação ao restante do país. A alta incidência nas fronteiras expõe vulnerabilidades críticas, demandando ações urgentes e coordenadas. É imprescindível fortalecer a vigilância e promover estratégias intersetoriais, com cooperação, para enfrentar os desafios únicos dessas áreas. Fortalecer unidades estratégicas, como o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde, aprimora a vigilância, integração e garante respostas rápidas.