Classificação e caracterização da exposição de pescadores(as) artesanais expostos(as) ao derramamento de petróleo em Pernambuco, Brasil

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José Erivaldo Gonçalves
Verônica Maria Cadena Lima
João Pedro Ferreira Santos
Idê Gomes Dantas Gurgel
Rita de Cassia Franco Rego
Mariana Olívia Santana dos Santos

Resumo:

Este estudo buscou classificar e caracterizar a exposição de pescadores(as) artesanais de Pernambuco, Brasil, ao petróleo durante o desastre-crime ocorrido em 2019 no litoral do Nordeste do país. Foi realizado um estudo epidemiológico transversal envolvendo entrevistas com 1.259 pescadores(as) artesanais registrados(as) em 27 colônias e/ou associações de pescadores do litoral de Pernambuco. Para a classificação do grau de exposição, utilizou-se a análise de agrupamentos com a técnica não hierárquica k-modas. A exposição ao petróleo foi classificada em três grupos: baixa (72,3%) – maioria sem contato direto; média (12,3%) – 66,4% manipularam materiais contaminados, 60% sentiram cheiro e 63% tiveram contato ocasional; e alta (15,4%) – 77,8% lidaram com resíduos, 81% sentiram forte odor e 72,2% relataram irritação na pele. Na limpeza do petróleo, dois grupos foram identificados: baixa exposição (73,1%) – 92,9% não participou; e média (26,9%) – todos participaram, 45,1% usaram instrumentos contaminados, 79,9% relataram forte odor e 20% tiveram contato frequente com petróleo. O litoral norte de Pernambuco apresentou a maior porcentagem de indivíduos no grupo de alta exposição (17,1%). Sendo este grupo, formado majoritariamente por mulheres. Os(as) pescadores(as) foram expostos(as) ao petróleo tanto no trabalho quanto na limpeza das praias, recifes e manguezais, muitos(as) com altos índices de exposição. Estes resultados exigem estratégias para o monitoramento da saúde física e mental desta população, além de avaliação de bioindicadores e ações de vigilância em saúde do trabalhador e ambiental.

Palavras-chave:
Exposição Ambiental; Saúde Ambiental; Poluição por Petróleo; Vigilância em Saúde do Trabalhador
Biografia do Autor

José Erivaldo Gonçalves, Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Aggeu Magalhães. Departamento de Saúde Coletiva, Recife, Pernambuco, Brasil.

Foi responsável pela concepção, análise e discussão dos dados e redação do artigo.

Verônica Maria Cadena Lima , Universidade Federal da Bahia. Instituto de Matemática e Estatística. Departamento de Estatística, Salvador, Bahia, Brasil.

contribuiu com a revisão crítica do artigo e suporte estatístico. 

João Pedro Ferreira Santos, Universidade Federal da Bahia. Instituto de Matemática e Estatística. Departamento de Estatística, Salvador, Bahia, Brasil.

contribuiu com o suporte estatístico

Idê Gomes Dantas Gurgel, Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Aggeu Magalhães. Departamento de Saúde Coletiva, Recife, Pernambuco, Brasil.

revisão crítica

Rita de Cassia Franco Rego, Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Medicina da Bahia. Salvador, BA, Brasil.

Revisão critica.

Mariana Olívia Santana dos Santos, Fundação Oswaldo Cruz. Instituto Aggeu Magalhães. Departamento de Saúde Coletiva, Recife, Pernambuco, Brasil.

Revisão critica.