Aconselhamento breve em consultas de rotina: uma estratégia populacional para reduzir a carga da doença e a econômica do tabagismo no Brasil
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Resumo:
Em um país com cerca de 20 milhões de fumantes adultos, 174 mil mortes anuais e R$153,5 bilhões anuais entre custos diretos e indiretos atribuíveis ao tabagismo, a oferta de aconselhamento breve para parar de fumar pelo profissional de saúde durante qualquer visita de rotina, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem enorme potencial de redução desses números. Estimou-se para homens e mulheres com 35 anos ou mais, a partir dos dados nacionais mais recentes de comportamento de fumar e de custos de doenças selecionadas (doenças cardíacas isquêmicas, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica e câncer de pulmão), as mortes e os custos totais que poderiam ter sido evitados caso o aconselhamento breve tivesse sido oferecido a todos os fumantes no Brasil em 2019. Se todos os 7,1 milhões de fumantes que não receberam aconselhamento breve (49,7% do total) tivessem sido abordados, teríamos tido meio milhão a mais de ex-fumantes. Essa cessação teria sido equivalente a uma redução de 642 mortes e uma economia, à época, de R$ 749,9 milhões para a sociedade. Os maiores números de mortes e custos evitados teriam sido observados, respectivamente, entre os homens para doenças cardíacas e entre as mulheres para acidente vascular cerebral. O Brasil tem ainda um elevado número absoluto de fumantes e, portanto, os altos custos associados ao tabagismo deveriam ser analisados sob a perspectiva de uma abordagem populacional focada na redução de novos casos e mortes por doenças relacionadas ao tabaco. Os recursos economizados poderiam, assim, ser direcionados para atender às necessidades básicas da população, promovendo a saúde e melhorando a qualidade de vida.