Associação entre perda de emprego e desfechos de saúde mental durante a pandemia de COVID-19 e o papel da insegurança alimentar como mediadora dessa relação

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Fernanda de Oliveira Meller
Micaela Rabelo Quadra
Leonardo Pozza dos Santos
Samuel C. Dumith
Fernanda Daminelli Eugenio
Tamara Justin da Silva
João Vitor Santana Mendes
Antônio Augusto Schäfer

Resumo:

O objetivo foi avaliar a associação entre situação de trabalho e saúde mental e o papel da insegurança alimentar como mediadora dessa relação. Um estudo transversal de base populacional foi conduzido com adultos (≥ 18 e < 60 anos) durante o surto de COVID-19 em duas cidades do Sul do Brasil. A situação de trabalho foi categorizada em trabalhando, não trabalhando e perda do emprego. Os desfechos de saúde mental avaliados foram sintomas depressivos, percepção de estresse e sentimento de tristeza. A insegurança alimentar foi identificada pela versão reduzida da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. Análises ajustadas por regressão de Poisson foram realizadas para avaliar a associação entre situação de trabalho e saúde mental. A análise de mediação foi realizada para investigar os efeitos diretos e indiretos da situação de trabalho sobre os desfechos de saúde mental. No total, foram analisados 1.492 adultos. Não trabalhar associou-se a 53% mais chances de percepção de estresse e 74% maiores de tristeza. A perda do emprego aumentou as chances de sintomas depressivos, estresse percebido e sentimento de tristeza em 68%, 123% e 128%, respectivamente. As análises de mediação mostraram que a insegurança alimentar foi um importante mediador da associação entre situação de trabalho e sintomas depressivos e sentimento de tristeza, mas não para o estresse percebido. A complexidade desses resultados destaca aspectos econômicos e nutricionais envolvidos nos desfechos em saúde mental.

Palavras-chave:
Trabalho; Saúde Mental; Insegurança Alimentar; COVID-19; Estudos Transversais