Fatores associados ao atraso no diagnóstico da hanseníase em área endêmica no Nordeste do Brasil: um estudo transversal

Conteúdo do artigo principal

Glicya Monaly Claudino dos Santos
Rachel L. Byrne
Ana Isabel Cubas-Atienzar
Victor Santana Santos

Resumo:

Neste estudo objetivou-se investigar os fatores relacionados ao indivíduo e ao sistema de saúde que contribuem para o atraso no diagnóstico da hanseníase em uma área endêmica no Nordeste do Brasil. Trata-se de um estudo transversal que incluiu 120 pacientes com hanseníase. Foram obtidos dados demográficos, clínicos e informações sobre fatores relacionados ao indivíduo e ao sistema de saúde que contribuem para o atraso no diagnóstico da hanseníase. O atraso do diagnóstico em meses foi estimado para cada participante por meio de entrevistas. Foi realizada uma análise multivariada por regressão de Poisson entre o resultado e as variáveis independentes. A mediana de atraso no diagnóstico da hanseníase foi de 10,5 (4,0-24,0) meses. Aproximadamente 12,6% dos participantes apresentavam grau de incapacidade física 2 (GIF 2) no momento do diagnóstico. Na análise multivariada por regressão de Poisson, homens, idosos, baixa escolaridade, residir em área urbana, hanseníase multibacilar, hanseníase tuberculóide, não procurar atendimento imediatamente após perceber os primeiros sintomas, suspeita de hanseníase, encaminhamentos excessivos e três ou mais consultas necessárias para confirmação diagnóstica associaram-se ao maior atraso diagnóstico. Este estudo encontrou um atraso significativo no diagnóstico da hanseníase em Arapiraca, Nordeste do Brasil, o que pode explicar a taxa continuamente alta de GIF 2 entre os casos novos. Fatores relacionados ao indivíduo e ao sistema de saúde foram associados ao maior atraso no diagnóstico. Intervenções para aumentar a conscientização sobre a doença entre a população geral e fortalecer a atenção primária à saúde são urgentemente necessárias.

Detalhes do artigo

Palavras-chave:
Hanseníase; Diagnóstico Tardio; Avaliação da Deficiência