Prevalência de sífilis e comportamento e práticas sexuais entre adolescentes HSH e travestis e mulheres transgênero em um estudo de coorte multicêntrico brasileiro sobre uso diário de PrEP

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Mateus Rodrigues Westin
Yuppiel Franmil Martinez
Ana Paula Silva
Marília Greco
Lucas Miranda Marques
Guilherme Barreto Campos
Matheus de Paula Alves
Alessandra Mancuzzo
Unaí Tupinambás
Dirceu Bartolomeu Greco

Resumo:

A sífilis reemergiu enquanto problema sério de saúde pública no Brasil e no mundo, afetando de maneira desproporcional homens que fazem sexo com homens (HSH), travestis e mulheres transgênero. São relativamente escassos os estudos sobre infecções sexualmente transmissíveis (IST) entre adolescentes pertencentes a essas populações-chave. O estudo transversal multicêntrico brasileiro analisou a prevalência de sífilis na linha de base da coorte PrEP15-19 de HSH, travestis e mulheres transgênero adolescentes, sexualmente ativos, recrutados entre abril de 2019 e dezembro de 2020. As análises foram realizadas com as dimensões de vulnerabilidade a ISTs/HIV, e modelos de regressão logística foram construídos para estimar as razões de chances da associação entre as variáveis preditoras e um teste treponêmico positivo para sífilis na entrada do estudo. Foram analisados 677 participantes. A idade mediana era 18,9 anos (IIQ: 18,1-19,5), 70,5% (477) se autoidentificaram como pretos, 70,5% (474) como homossexuais/gays e 48 (7,1%) como mulheres trans ou travestis. A prevalência de sífilis na linha de base era 21,3%. No modelo final de regressão logística, as seguintes variáveis estiveram associadas com chances maiores de sífilis: autorrelato de episódio de IST nos últimos 12 meses (OR = 5,92; IC95%: 3,74-9,37), profissional do sexo (OR = 3,39; IC95%: 1,32-8,78) e menos de 11 anos de escolaridade (OR = 1,76; IC95%: 1,13-2,74). A prevalência de sífilis entre HSH, travestis e mulheres transgênero adolescentes entre 15 e 19 anos de idade foi alarmante, muito acima da taxa relatada na população geral nesta faixa etária, e esteve associada a fatores de vulnerabilidade. Os achados reforçam a necessidade urgente de fortalecer os programas de saúde pública com a discussão sobre raça, gênero, sexualidade e prevenção.

Palavras-chave:
Sífilis; Profilaxia Pré-Exposição; Adolescente; Vulnerabilidade em Saúde; Prevenção de Doenças