Padrões de abuso de idosos no Brasil: uma análise de notificações

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Fabiana Martins Dias de Andrade
Ísis Eloah Machado
Maria Imaculada de Fátima Freitas
Maria de Fatima Marinho de Souza
Deborah Carvalho Malta

Resumo:

Este estudo teve como objetivo descrever as características das notificações de abuso de idosos por sexo e avaliar os padrões de notificação de acordo com o sexo. Foram analisados dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação de 2017. A análise descritiva das características da vítima, da violência e do provável agressor foi feita de acordo com o sexo. O teste do χ2 de Pearson foi utilizado para avaliar a significância entre os grupos. Em seguida, as principais relações entre as características estudadas e o sexo da vítima foram verificadas por meio da análise de correspondência simples (ACS). Assim, 17.311 casos ou suspeitas de abuso de idosos foram notificados, correspondendo a 7,2% do total de notificações de violência. Dessas vítimas, 50,4% são brancas, 42,3% casadas e 17,2% têm uma deficiência ou um transtorno. Dos casos, 76,9% ocorreram em casa, sendo 62,8% por violência física e 49,5% por violência recorrente. A maioria dos perpetradores é do sexo masculino (62%), e observamos violência por dois ou mais perpetradores em 62,8%. A ACS evidenciou desigualdades no sexo dos idosos, em que o número de mulheres era maior. A violência física mais comum entre adultos, mais jovens e mais velhos, é a negligência ou o abandono dos mais frágeis e mais idosos, mais frequentemente praticada pela filha. Em suma, o estudo evidenciou a violência de gênero, especialmente entre os idosos, e a debilidade como característica essencial para a negligência ou abandono dessa população. Nesse contexto, são necessárias políticas para reduzir as desigualdades, especialmente as de gênero, e implementar uma rede de cuidado aos idosos vítimas de violência.

Palavras-chave:
Abuso de Idosos; Violência Doméstica; Envelhecimento; Sistemas de Informação; Epidemiologia