Continuidade da gestão clínica entre níveis assistenciais: experiências dos usuários de uma rede municipal de saúde

Conteúdo do artigo principal

Sofia Guerra
Petrônio José de Lima Martelli
Luciana Santos Dubeux
Pedro Henrique Bandeira de Oliveira Marques
Isabella Chagas Samico

Resumo:

Este estudo analisa as experiências dos usuários sobre a continuidade da gestão clínica entre níveis assistenciais. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, que utiliza dados de um inquérito realizado com 407 usuários de uma rede pública de saúde de Recife, Pernambuco, Brasil, nos anos de 2017 e 2018. As experiências sobre a continuidade da gestão clínica foram exploradas a partir de duas dimensões: coerência da atenção e acessibilidade entre níveis assistenciais. Os usuários apresentaram opiniões mais positivas sobre a coerência da atenção que sobre a acessibilidade. Quanto à coerência da atenção, a maioria dos usuários referiu que os médicos da atenção primária e da especializada concordam entre si quanto a diagnóstico, tratamento e recomendações, e que o médico da atenção primária encaminha ao especialista quando necessário. Apenas 43% dos usuários relataram existir colaboração entre os médicos para resolução dos seus problemas de saúde. Quanto à acessibilidade, a maioria dos usuários (77,2%) referiu um longo tempo de espera para a consulta com o especialista e menos da metade (48,9%) referiu demora para atendimento na atenção primária. Os resultados deste estudo coincidem com outras investigações e evidenciam a necessidade de fomentar estratégias para alcançar uma integração efetiva das redes assistenciais e assim conferir ao usuário uma maior continuidade dos cuidados em saúde.
Palavras-chave:
Rede de Cuidados Continuados de Saúde; Níveis de Atenção à Saúde; Continuidade da Assistência ao Paciente; Qualidade da Assistência à Saúde; Gestão Clínica