O atraso na notificação de óbitos afeta o monitoramento oportuno e modelagem da pandemia da COVID-19

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Carolina Abreu de Carvalho
Vitória Abreu de Carvalho
Marcos Adriano Garcia Campos
Bruno Luciano Carneiro Alves de Oliveira
Eduardo Moraes Diniz
Alcione Miranda dos Santos
Bruno Feres de Souza
Antônio Augusto Moura da Silva

Resumo:

O estudo teve como objetivos, descrever o atraso na notificação de óbitos por COVID-19 na cidade de São Luís, Maranhão, Brasil, e demonstrar o impacto sobre o monitoramento oportuno e modelagem da pandemia. O estudo teve como objetivo secundário determinar a medida em que a nowcasting é capaz de diminuir a defasagem na notificação de óbitos. Analisamos os dados de mortalidade por COVID-19 registrados diariamente no Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão e calculamos o atraso na notificação entre 23 de março e 29 de agosto de 2020. Para ilustrar o impacto do atraso na notificação de óbitos e testar a efetividade de uma nowcasting bayesiana para melhorar a qualidade dos dados, ajustamos um modelo hierárquico bayesiano semi-mecanístico. Apenas 17,8% dos óbitos foram notificados sem atraso ou no dia seguinte, enquanto 40,5% foram atrasados em mais de 30 dias. Devido ao atraso na notificação, houve uma subestimação inicial nos óbitos. Entre 7 de junho e 29 de agosto, 644 óbitos foram notificados, mas apenas 116 mortes ocorreram nesse período. O uso da técnica de nowcasting bayesiana melhorou parcialmente a qualidade dos dados de mortalidade no pico da epidemia, apresentando estimativas mais ajustadas ao cenário observado na cidade, mas não se mostrou útil quase dois meses depois do pico. O atraso na notificação de óbitos pode interferir diretamente nas decisões assertivas e oportunas sobre o combate à pandemia da COVID-19. Portanto, o sistema brasileiro de vigilância epidemiológica deve ser revisto urgentemente, e o registro da data do óbito deve ser obrigatório. A técnica de nowcasting mostrou ser parcialmente eficaz na melhoria dos dados de mortalidade no auge da pandemia, mas não depois.
Palavras-chave:
COVID-19; SARS-CoV-2; Registros de Mortalidade; Confiabilidade dos Dados