Aporofobia na atenção primária à saúde: percepção de profissionais da saúde sobre preconceito contra os pobres

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Brena Barreto Barbosa
Jessica Freire dos Santos Veras
Lia Silveira Adriano
Raquel Canuto
Antonio Augusto Ferreira Carioca

Resumo:

A aporofobia compromete o acesso e a qualidade do cuidado nos serviços de saúde. Nesse contexto, os profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) exercem papel central para uma assistência à saúde universal, integral e equânime. O objetivo deste estudo foi compreender percepções sobre a aporofobia entre profissionais de nível superior da ESF. Trata-se de estudo de abordagem mista sequencial explanatória, realizado com 96 profissionais da ESF em Fortaleza, Ceará, Brasil. Na primeira etapa, foram coletados dados quantitativos, a partir do Questionário de Atitudes em Relação à População em Situação de Sem-Abrigo. Na fase qualitativa, 10 profissionais foram entrevistados conforme pontuação no questionário (menor quintil e maior quintil). A análise de dados utilizou o software IraMuTeq, incluindo análise de similitude, e interpretada à luz das teorias da filósofa Adela Cortina. Os resultados indicaram associação significativa entre aporofobia e cor da pele (p = 0,022) e vínculo empregatício (p = 0,008). O conteúdo qualitativo foi categorizado em quatro classes: causas relacionadas à pobreza; manifestações de aporofobia e seus estereótipos; integralidade no atendimento a grupos vulneráveis; e humanização e adaptação no atendimento. As percepções dos profissionais variaram entre práticas humanizadas e preconceitos sutis ou explícitos, evidenciando desafios na garantia da equidade no cuidado. Esses resultados reforçam a necessidade de capacitação contínua dos profissionais da ESF, da inclusão de discussões sobre determinação social da saúde na formação acadêmica e do fortalecimento da intersetorialidade para garantir um cuidado mais humanizado e inclusivo.

Palavras-chave:
Profissionais de Saúde; Pobreza; Preconceito; Estratégia Saúde da Família