Indicações terapêuticas em demandas judiciais por Cannabis medicinal no Brasil: um estudo transversal perante as evidências científicas

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Cláudia Du Bocage Santos Pinto
Tatiana De Jesus Nascimento Ferreira
Catia Veronica dos Santos Oliveira
Ângela Fernandes Esher Moritz
Marina Fajardo Villela Martins Pompilho da Hora
Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro

Resumo:

Nos últimos anos, a acelerada expansão do mercado de produtos de Cannabis medicinal (PCM) levou ao aumento do consumo e das demandas judiciais pleiteando PCM no Brasil. O objetivo do estudo foi analisar as indicações terapêuticas presentes nas demandas judiciais que pleiteiam PCM, ajuizadas contra a União, e frente às evidências científicas presentes na literatura. Foi realizado um estudo transversal, analisando-se processos referentes aos pleitos depositados entre 2020 e 2023, e executada uma síntese qualitativa rápida de evidências (SQRE) relacionada às indicações da Cannabis medicinal apontadas nos processos. Nas 2.024 demandas, foram identificados 1.962 diagnósticos primários, sendo epilepsias (36,24%), transtorno do espectro autista (TEA) (25,54%) e dor (8,92%) as condições mais frequentes. Observou-se alta frequência de demandantes no intervalo etário de 1 a 19 anos para epilepsia, TEA, paralisias e deficiência intelectual. Na SQRE, foram resgatadas 115 revisões com emprego de ferramentas de avaliação de qualidade, que traziam informações sobre a efetividade de PCM, apontando dor (40,86%), neoplasia (10,43%) e epilepsia (9,56%) como condições mais estudadas. Para apenas cinco diagnósticos – epilepsia, esclerose múltipla, ansiedade, neoplasia e dor – houve algum suporte na literatura, em graus diferentes, e com frequência baixa de revisões de alta qualidade. A grande pressão da judicialização e a quantidade de indicações sem evidências destacam um risco sanitário considerável que não tem tido abordagem tempestiva no país. É urgente a regulamentação dos PCM e sua prescrição apropriada, resguardando o fornecimento público apenas àquelas baseadas em evidências robustas.

Palavras-chave:
Cannabis sativa; Canabidiol; Sistema Único de Saúde; Judicialização da Saúde; Saúde Pública Baseada na Evidência
Biografia do Autor

Cláudia Du Bocage Santos Pinto, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

C.D.B.S.P. contribuiu com a concepção e projeto do estudo, análise e interpretação dos dados, redação e revisão, e aprovação da versão final.

Tatiana De Jesus Nascimento Ferreira, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

T.D.J.N.F.  contribuiu com a concepção e projeto do estudo, análise e interpretação dos dados, redação e revisão, e aprovação da versão final.

Catia Veronica dos Santos Oliveira, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

C.V.S.O. contribuiu com a concepção e projeto do estudo, análise e interpretação dos dados, redação e revisão, e aprovação da versão final.

Ângela Fernandes Esher Moritz, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil.

A.F.E.M. contribuiu com a concepção e projeto do estudo, análise e interpretação dos dados, redação e revisão, e aprovação da versão final.

Marina Fajardo Villela Martins Pompilho da Hora, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Matemática e Estatística – IME, Rio de Janeiro, Brasil.

M.F.V.M.P.H. contribuiu com a análise e interpretação de dados, redação e aprovação da versão final.

Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil

C.G.S.O.C. contribuiu com a concepção e projeto do estudo, análise e interpretação dos dados, redação e revisão, e aprovação da versão final.