Quando o Estado bate à porta e avisa: “agora é com você”

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Marina Belmiro Gomes de Souto
Joviana Quintes Avanci Pina
Fernanda Mendes Lages Ribeiro
Biografia do Autor

Marina Belmiro Gomes de Souto, Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)

A escrita desta resenha é atravessada pela experiência da autora como profissional do Sistema Único de Saúde e como pesquisadora do desligamento institucional pela via do compromisso em tensionar as fronteiras entre saúde mental, direitos humanos e políticas públicas. Sua contribuição consistiu em aproximar o pensamento de Emiliano David das realidades concretas vividas por jovens que, ao atingirem a maioridade civil, transitam da tutela ao abandono. Foi a autora quem costurou o diálogo entre os conceitos de denosteamento, aquilombação e antimanicolonialidade e noções de vulnerabilidade social, capital social e estigma, conferindo ao texto densidade crítica e engajamento político. A escrita buscou equilibrar rigor acadêmico e linguagem criativa, dando forma a uma leitura que não apenas analisa, mas também provoca, denuncia e inspira. Ao final, sua contribuição foi transformar a resenha em um espaço de aquilombamento intelectual, onde a teoria e experiência se entrelaça, para afirmar que cuidar é também resistir. 

Joviana Quintes Avanci Pina , Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)

A presente resenha foi elaborada pela autora no contexto de sua pesquisa de doutorado, cujo o eixo analítico se volta ao desligamento institucional na maioridade civil. A escrita, no entanto, não se fez na solidão. A orientadora, com sua escruta atenta e crítica rigorosa. ofereceu mais do que sugestões bibliográficas: abriu veredas, indicou brechas, ajudou a reconhecer nos conceitos de Emiliano David não apenas categorias teóricas, mas ferramentas de enfretamento político. Sua contribuição esteve em afinar o olhar para o diálogo entre direitos humanos, racismo estrutural e saúde mental, assegurando densidade analítica em perder a sensibilidade da escrita. Se a autora buscou ressoar as vozes do livro, foi a orientadora que garantiu que essas vozes não se dispersassem, mas se organizassem em trama sólida, onde o conceito encontra sua força e cada ausência, sua denúncia. 

Fernanda Mendes Lages Ribeiro , Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)

A coorientadora teve papel decisivo ao apresentar à autora a obra de Emiliano de Camargo David, abrindo caminho para a reflexão que se transformaria nesta resenha. Mais que uma indicação bibliográfica, seu gesto foi ponte: permitiu que a autora mergulhasse em conceitos inovadores - desnorteamento, aquilombação e antimanicolonialidade - e viesse neles possibilidades concretas de análise da transição para a vida adulta de jovens institucionalizados. Sua orientação contribuiu para que a leitura não se limitasse à teoria, mas se tornasse um exercício de sensibilidade, crítica e criação. Ao sugerir o livro, a coorientadora plantou a semente da inquietação que atravessa toda a a resenha, mostrando que a escolha de um texto pode ser tão transformadora quanto a própria escrita.