Vigilância em saúde pós-desastre da barragem da Samarco: avaliação dos padrões de assistência em doenças crônicas e transtornos mentais (2008-2023)
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Resumo:
O presente estudo comparou os possíveis impactos causados pelo rompimento da barragem da Samarco (Minas Gerais, Brasil) e municípios com perfil semelhante, com o objetivo analisar os padrões de morbimortalidade por doenças crônicas não transmissíveis em municípios atingidos. Trata-se de um estudo ecológico baseado em dados secundários de acesso público (SIA/SUS, SIH/SUS e SIM) entre os anos de 2008 a 2023. As análises foram realizadas por capítulos e grupos de doenças (circulatório, diabetes, respiratório, neoplasias e transtornos mentais) e estrato populacional. Foram calculadas taxas por 100 mil habitantes, diferenças percentuais e risco relativo, todos com intervalos de 95% de confiança. O período “pós-rompimento” (2016-2019) foi comparado aos períodos “antes do rompimento” (2008-2015) e “pós-COVID-19” (2020-2023). Observou-se aumento nas taxas de atendimentos ambulatoriais nos municípios atingidos em relação aos municípios de comparação, com destaque para diabetes (estratos 1, 2, 3 e 5), doenças respiratórias (estratos 1, 3, 4 e 5), transtornos mentais (estratos 4 e 5) e neoplasias (estratos 1, 2, 3 e 4). Nas internações, observaram-se aumentos discretos por problemas respiratórios no estrato 4 e neoplasias nos estratos 3, 4 e 5. Já em mortalidade, houve elevação nas taxas por transtornos mentais nos estratos 2 e 4. Os achados sugerem mudanças nos padrões assistenciais nos municípios atingidos, com possível sobrecarga pós-desastre, e reforçam a importância da vigilância e integração entre políticas de saúde, ambientais e gestão de riscos.