Ocorrência de síndrome metabólica em adultos jovens e desigualdades segundo sexo, cor da pele e posição socioeconômica: evidências de duas coortes de nascimentos no Sul do Brasil
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Resumo:
Este estudo buscou identificar a prevalência de síndrome metabólica aos 22 e 30 anos abordando desigualdades por sexo, cor da pele e posição socioeconômica, e suas intersecções. Análise transversal utilizando dados das coortes de nascimento de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, de 1993 (22 anos) e de 1982 (22 e 30 anos). A síndrome metabólica foi definida pelos critérios da National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) e da Federação Internacional de Diabetes (IDF). As desigualdades entre sexo, cor da pele e posição socioeconômica foram descritas em Equiplots e analisadas por medidas absolutas (diferença de prevalência e índice de inclinação da desigualdade – SII]) e relativas (razão de prevalência e índice de concentração – CIX]). Aos 22 anos, a prevalência de síndrome metabólica foi de 18,2% (IDF) e 13,5% (NCEP-ATP III) (coorte de 1993), e de 11,3% (IDF) e 8,6% (NCEP-ATP III) (coorte de 1982). Aos 30 anos (coorte de 1982), foi de 15,5% (IDF) e 10,7% (NCEP-ATP III). A maior desigualdade por posição socioeconômica ocorreu na coorte de 1982 aos 22 anos, pelo NCEP-ATP III: entre mulheres (SII: -8,7p.p.; [IC95%: -13,2; -4,2]; CIX: -20,1%; [IC95%: -29,7; -10,5]) e homens (SII: 6,5p.p.; [IC95%: 0,1; 12,9]; CIX: 7,9%; [IC95%: 0,6; 15,3]). Os subgrupos mais acometidos foram: mulheres brancas de posição socioeconômica inferior, homens pretos/pardos (coorte de 1993) e homens brancos (coorte de 1982) de posição socioeconômica superior. Nossos resultados reforçam que a síndrome metabólica não está distribuída de forma homogênea nesta população e que sua ocorrência pode ser influenciada por intersecções entre posição socioeconômica, sexo e cor da pele.