Tendências temporais recentes das taxas de cesariana no Brasil segundo o sistema de classificação de Robson
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Resumo:
As tendências temporais das taxas de cesariana foram analisadas no Brasil e suas rregiões seguindo o sistema de classificação de Robson. Foi realizado um estudo ecológico de séries temporais com dados do Ministério da Saúde sobre as taxas de cesariana de 2014 a 2022. Modelos joinpoint foram usados para estimar mudanças percentuais nas tendências das taxas de cesariana nas unidades de análise. A taxa de cesariana no período do estudo foi de 56,4%. Os grupos de Robson com baixo valor esperado para cesariana (R1 a R4) representaram 46% da taxa total de cesarianas, com taxas mais altas nos grupos R2 e R4. Nesses grupos, as taxas de cesariana aumentaram significativamente no país e em todas as suas regiões durante o período estudado. Por outro lado, observou-se uma diminuição significativa nas taxas de cesariana nos grupos R1 e R3 de 2014 a 2016 no Brasil e nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Apesar de seu maior tamanho relativo entre os grupos e maiores contribuições para a taxa total de cesarianas, o grupo R5 foi responsável por um aumento pequeno, mas significativo, na taxa de cesariana apenas na Região Centro-oeste. Os grupos com maiores valores esperados para cesarianas (R6 a R10) apresentaram tendência geral de aumento, com exceção de R9. Os resultados indicam um excesso de cesarianas no Brasil e suas regiões, especialmente em grupos de baixo risco obstétrico. Os esforços para reduzir o uso desnecessário de cesarianas devem ser baseados em intervenções para melhorar o manejo do trabalho de parto em mulheres nulíparas e promover o parto vaginal após a cesariana.