Sintomas depressivos e ansiosos após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, Brasil: achados da coorte PAMPA
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Resumo:
A enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, Brasil, foi o pior desastre natural da história do estado. Nosso objetivo foi examinar o impacto das enchentes na vida dos indivíduos e os sintomas depressivos e ansiosos entre os residentes do Rio Grande do Sul. Analisamos dados do Estudo Prospectivo sobre Saúde Mental e Física em Adultos (PAMPA), realizado com adultos do Rio Grande do Sul. Os participantes responderam a um questionário online entre setembro e novembro de 2024. Os sintomas depressivos e ansiosos foram avaliados usando a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão, com pontuações acima de oito indicando sintomas moderados a graves. O impacto das enchentes foi medido por meio de 12 perguntas sobre consequências diretas e indiretas (p.ex.: escassez de energia, deslocamento, perdas materiais) e categorizadas em tercis: baixa, média e alta carga. Entre os 2.494 participantes (idade média: 43,1 ± 15,1 anos; 69,6% mulheres), 83,8% relataram ter sido afetados pelas enchentes e 29,7% sofreram uma grande sobrecarga. Os participantes deslocados foram mais propensos a relatar sintomas de ansiedade (RP = 1,24; IC95%: 1,09, 1,41) e sintomas depressivos (RP = 1,32; IC95%: 1,10, 1,58). Alta sobrecarga foi associada a sintomas de ansiedade (RP = 1,72; IC95%: 1,49, 1,97) e sintomas depressivos (RP = 1,52; IC95%: 1,25, 1,86). Sintomas de ansiedade e depressão moderados a graves foram 77% e 129%, respectivamente, maiores do que a prevalência esperada. A enchente de 2024 teve um impacto profundo na saúde mental, com indivíduos que experimentaram uma sobrecarga maior exibindo taxas mais altas de sintomas moderados a graves de ansiedade e depressão.