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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

35 nº.Suplemento 3

Rio de Janeiro, 2019


ARTIGO

Excesso de peso em crianças indígenas Xukuru do Ororubá, Pernambuco, Brasil: magnitude e fatores associados

Thatiana Regina Fávaro, Aline Alves Ferreira, Geraldo Marcelo da Cunha, Carlos E. A. Coimbra Jr.

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00056619


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RESUMO
Os poucos estudos que abordam o tema de saúde e nutrição em indígenas da macrorregião Nordeste do Brasil sinalizaram situações diferenciadas em alguns aspectos, quando comparados principalmente à realidade de indígenas do Norte e Centro-oeste. Este trabalho objetivou estimar a magnitude das prevalências e risco de sobrepeso e excesso de peso em crianças menores de dez anos da etnia Xukuru do Ororubá, Estado de Pernambuco, e avaliar os fatores socioeconômicos e demográficos potencialmente associados a estes agravos. Estudo transversal, no qual realizou-se uma análise da associação entre as variáveis de desfecho, peso adequado, excesso de peso (sobrepeso e obesidade) e risco de sobrepeso, de acordo com os índices e pontos de corte da Organização Mundial da Saúde para crianças e as variáveis explicativas, utilizando-se regressão logística multinomial. A prevalência de excesso de peso foi de 7,7% e de risco de sobrepeso de 24,2%. As chances de risco de sobrepeso e de excesso de peso são maiores em crianças < 2 anos, e filhos de mães obesas apresentam maior chance de excesso de peso. A prevalência de risco de sobrepeso foi 97% maior quando comparada com os domicílios sem renda fixa. Os achados sugerem que os Xukuru estão atravessando um acelerado processo de transição nutricional, com uma situação paradoxal a que outros povos indígenas no Brasil estão expostos.

Saúde de Populações Indígenas; Índios Sul-americanos; Estado Nutricional; Obesidade Pediátrica


 

Introdução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) é categórica ao afirmar que o excesso de peso e a obesidade são agravos relevantes na qualidade de vida das populações, e estão relacionados às principais causas de morbimortalidade em praticamente todas as faixas de idade. Em 2016, 41 milhões de crianças menores de 5 anos e 340 milhões de crianças e adolescentes com idades entre 5 e 19 anos estavam acima do peso ou obesas 1.

O excesso de peso e a obesidade infantil são agravos de etiologia complexa, geralmente associados a variáveis comportamentais, socioeconômicas e demográficas 1,2,3. Crianças obesas ou com excesso de peso têm maior probabilidade de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) precocemente, além de possuírem maiores chances de terem outras morbidades 1,4.

No Brasil, inquéritos nacionais têm ressaltado a modificação do perfil nutricional das crianças brasileiras, principalmente nas últimas três décadas, com a diminuição acentuada de todas as formas de desnutrição e aumento na incidência de excesso de peso em crianças maiores de 5 anos, independentemente da macrorregião ou renda 5. Esse panorama consolidado por inquéritos da população no país não inclui alguns segmentos populacionais vulneráveis, incluindo os indígenas.

Resultados de trabalhos realizados com crianças indígenas no Brasil nos últimos 20 anos, compactuam que os principais problemas em relação ao estado nutricional infantil estão relacionados a carências nutricionais, como anemia, baixo peso e déficit de crescimento 6,7,8,9. A única pesquisa nacional (I Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas) que avaliou especificamente essa população identificou que a prevalência de déficit de crescimento atingia cerca de um quarto das crianças indígenas do país, sendo o Nordeste a região com os menores valores percentuais. Por outro lado, os resultados desse Inquérito apontaram que 15,1% das crianças indígenas < 5 anos da Região Nordeste apresentaram risco de excesso de peso 10.

De maneira geral, os poucos estudos que abordam aspectos relacionados à saúde e nutrição de indígenas da macrorregião Nordeste do Brasil, revelam situações distintas em muitos aspectos quando comparados principalmente à realidade do Norte e Centro-oeste 8,11,12,13. Os Xukuru do Ororubá constituem um dos maiores contingentes populacionais indígenas do Nordeste e o maior do Estado de Pernambuco. Totalizam aproximadamente 8 mil indivíduos residentes em 25 aldeias na Terra Indígena Xukuru 14. O excesso de peso entre os adultos Xukuru do Ororubá já foi sinalizado em altas prevalências destacando, assim como outros povos indígenas, um acelerado e complexo processo de transição alimentar e nutricional 15.

O objetivo deste estudo foi estimar a magnitude das prevalências e risco de sobrepeso e excesso de peso em crianças menores de dez anos da etnia Xukuru do Ororubá, de Pernambuco, e avaliar os fatores socioeconômicos e demográficos potencialmente associados a estes agravos.

Materiais e métodos

Este estudo, de corte transversal e base populacional, foi realizado na Terra Indígena Xukuru, Município de Pesqueira, Pernambuco. A população-alvo deste trabalho consistiu em crianças < 10 anos.

O presente estudo compôs uma ampla investigação sobre o perfil de saúde e nutrição do povo Xukuru do Ororubá, que envolveu todas as faixas de idade e avaliou uma série de desfechos em saúde. Desse modo, a amostra inicial foi calculada para representar o total de crianças com idades entre 6 e 59 meses, considerando-se a prevalência de anemia de 40%, nível de confiança de 0,05 e com precisão de 0,95. A escolha por estimar a amostra com base de prevalência de anemia se deve por ser o agravo mais prevalente dentre os investigados na pesquisa maior. Crianças na faixa de idade objeto deste estudo totalizavam 1.692, e para atender especificamente os objetivos desta investigação a amostra foi recalculada considerando-se a prevalência estimada de excesso de peso em crianças menores de 10 anos em 20%, precisão de 0,99 e nível de confiança de 0,05. Dessa maneira, deveriam compor a amostra 425 crianças. O cálculo amostral inicialmente realizado resultou na inclusão de 454 crianças menores de 10 anos, sendo assim, superior ao necessário.

Com base na informação de que existiam em torno de 2.100 domicílios em toda a Terra Indígena e considerando os domicílios como unidade de observação planejou-se amostrar um terço do total, ou seja, 700 domicílios. A seleção dos domicílios ocorreu de forma aleatória sistemática, por meio de sorteio entre 1 e k, em que k seria o número total de domicílios. Vejam mais detalhes em Fávaro et al. 15.

A pesquisa de campo foi realizada nos meses de janeiro e março de 2010. As informações socioeconômicas e demográficas foram obtidas em janeiro e fevereiro, valendo-se do diagnóstico sociodemográfico participativo dos Xukuru do Ororubá 16, no qual os entrevistadores foram agentes indígenas de saúde e de saneamento que trabalhavam na terra indígena, treinados e continuamente supervisionados durante a pesquisa de campo. Os dados antropométricos e as demais informações foram coletados por uma equipe de 16 entrevistadores devidamente treinados e supervisionados, seguindo o protocolo de Lohman et al. 17. Todos os instrumentos de coleta de dados foram verificados e possíveis inconsistências eram imediatamente checadas.

Variáveis investigadas

As variáveis de desfecho investigadas foram: peso adequado, risco de sobrepeso e excesso de peso. Para tal, foram coletadas as medidas de peso corporal e altura, e calculado o índice de massa corporal (IMC). Para a aferição desses dados foram utilizadas balança digital portátil marca Seca (modelo 872, Hamburgo, Alemanha) e estadiômetro desmontável marca Alturexata (Belo Horizonte, Brasil). Para garantir a acurácia da medida da altura, estas foram tomadas em duplicata, sendo usada a média das medidas para as análises.

Em associação com a idade, foi construído o índice IMC-para-idade (IMC/I), cujos valores foram transformados em escores z com base nas referências da OMS 18,19, com o auxílio do software Anthro (http://www.who.int/childgrowth/software/en/). O estado nutricional das crianças foi classificado da seguinte forma, por valores de escores z: baixo peso (≤ -2,00); peso adequado (> -2,00 e < 1,00); risco de sobrepeso (≥ 1,00 e < 2,00); sobrepeso (≥ 2,00 e < 3,00) e obesidade (≥ 3,00). As categorias de sobrepeso e obesidade foram unidas para a criação da variável “excesso de peso”. As crianças classificadas em baixo peso foram excluídas das análises, uma vez que não compõem os objetivos deste estudo.

Variáveis independentes

As variáveis socioeconômicas e demográficas usadas foram: renda domiciliar per capita; renda fixa; índice de status econômico (ISE); tipo de domicílio e saneamento; número de moradores no domicílio (1-4; 5-8; > 8). A variável renda per capita domiciliar foi definida baseando-se na soma dos valores monetários recebidos pelos moradores do domicílio com mais de dez anos de idade (incluindo renda de trabalho assalariado, pensões, aposentadoria, programas de transferência de renda e venda de produtos de artesanato e agropecuários), dividida pelo número de moradores do domicílio. Com base no valor do salário mínimo à época da coleta dos dados, as rendas per capita foram organizadas em quatro categorias (< 1 salário mínimo; ≥ 1 e < 2; ≥ 2 e < 3; ≥ 3). Domicílio com renda fixa foi aquele com o morador recebendo aposentadoria, pensão ou com trabalho assalariado no mês anterior à entrevista. O ISE do domicílio foi obtido valendo-se da soma (em Reais) dos valores (estimados com base nos preços no comércio regional) dos seguintes bens de consumo presentes nos domicílios: fogão a gás, geladeira, máquina de lavar roupa, ar condicionado, televisão, antena parabólica, vídeo cassete ou DVD, aparelho de som com CD, microcomputador, telefone celular e bicicleta. Foi calculada a razão Eq.: 1, na qual S x correspondeu à soma dos valores dos bens de um dado domicílio e max(S x ) ao maior ISE observado em todos os domicílios. Esse indicador foi estratificado em três categorias com base nos tercis da distribuição.

As variáveis referentes ao domicílio foram categorizadas em dois tipos. Domicílios do tipo A foram os que apresentaram paredes de alvenaria ou tijolo, ou de madeira apropriada e piso de cerâmica ou cimento, e telha de barro ou laje. Habitações com paredes de madeira reaproveitada ou taipa/barro, com piso de terra ou outro material e cobertura de lona, plástico ou outro material foram denominadas tipo B. As condições de saneamento foram classificadas em três categorias: (1) “Adequado”: domicílios com escoadouros ligados à rede geral ou fossa séptica, servidos de água proveniente de rede geral de abastecimento ou da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e lixo coletado direta ou indiretamente por serviço de limpeza pública; (2) “Semiadequado”: domicílios com, pelo menos, um dos serviços de abastecimento de água, esgoto ou lixo classificados como adequado; (3) “Inadequado”: domicílios com escoadouro ligado à fossa rudimentar, vala, rio ou açude e outro escoadouro; servidos de água proveniente de poço ou nascente (ou outra forma), com lixo queimado ou enterrado, ou jogado em terreno baldio foram classificados como “inadequados”.

Ainda foram obtidas informações sobre a escolaridade materna (≤ 4; 5-8; ≥ 9 anos completos) e sobre o trabalho materno fora de casa (sim; não).

As variáveis materno-infantis foram categorizadas da seguinte forma: idade materna (< 20; ≥ 20 e < 35; ≥ 35); estatura materna (< 150cm; ≥ 150); IMC da mãe (< 25kg/m2; ≥ 25 e < 30; ≥ 30); número de filhos (≤ 3; > 3); situação conjugal (com companheiro/a; sem companheiro/a); idade da criança (< 12 meses; ≥ 12 e < 24; ≥ 24 e < 36; ≥ 36 e < 48; ≥ 48); peso ao nascer (< 2.500g; ≥ 2.500 e < 3.000; ≥ 3.000 e < 4.000; ≥ 4.000); sexo (masculino; feminino).

Análise de dados e permissões éticas

Inicialmente, foram calculadas as prevalências de baixo peso, peso adequado, risco de sobrepeso e excesso de peso para as categorias de cada variável independente. A análise dos efeitos das variáveis foi realizada em duas etapas por meio de modelos de regressão logística multinomial, tendo como desfecho o peso, classificado como peso adequado, risco de sobrepeso e excesso de peso. Na primeira etapa, utilizaram-se modelos não ajustados. As variáveis estatisticamente significativas no nível de 20% foram selecionadas. Na segunda, o modelo foi ajustado por inclusão de variáveis realizadas passo a passo, sendo incluídas, ao final, as variáveis estatisticamente significantes (p < 0,05). Os modelos foram comparados por meio do critério de informação de Akaike (AIC), que considera um trade-off entre a qualidade do ajuste e o número de parâmetros no modelo. Após a inclusão simultânea de todos os efeitos principais foram testadas as interações plausíveis.

Foram usados os programas estatísticos IBM SPSS (https://www.ibm.com/), versão 21.0, e bibliotecas epicalc e sandwich do software R (http://www.r-project.org), versão 3.4.3.

O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, da Fundação Oswaldo Cruz, e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP, parecer nº 592/09). Os investigados foram informados quanto à participação voluntária no estudo, sendo esclarecidos os objetivos e processos da pesquisa. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado pelas lideranças da Terra Indígena Xukuru.

Resultados

Foram investigadas 454 crianças, sendo que para as análises foram excluídas quatro crianças com baixo peso (0,9%). Não foram registradas recusas dos responsáveis na participação das crianças no estudo. A prevalência de excesso de peso (sobrepeso e obesidade) foi de 7,7% (n = 18) e de risco de sobrepeso foi de 24,2% (n = 56) (dados não apresentados).

A distribuição da população investigada segundo as variáveis independentes e o desfecho é apresentada na Tabela 1. A prevalência de excesso de peso foi maior para as meninas e em crianças com idade ≥ 2 e < 5 anos. Os maiores valores de excesso de peso também foram encontrados nas crianças cuja mãe tinha mais de 35 anos e apresentaram o IMC acima de 30kg/m2, e também para aquelas que viviam em domicílios com renda per capita ≥ 3 salários mínimos e com saneamento adequado.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Distribuição das crianças indígenas Xukuru do Ororubá, segundo variáveis independentes e conforme com a classificação do estado nutricional pelo índice IMC-para-idade (IMC/I). Pernambuco, Brasil, 2010.

 

Na análise bruta da regressão logística multinominal Tabela 2 destacaram-se alguns resultados. As chances de risco de sobrepeso e de excesso de peso são maiores em crianças com menos de dois anos de idade. Filhos de mães obesas apresentaram maiores chances de terem risco de sobrepeso ou excesso de peso, sendo que a chance de risco de sobrepeso em crianças cujas mães são obesas foi aproximadamente três vezes a chance de risco de sobrepeso em crianças cujas mães são eutróficas.

Após a seleção de todas as variáveis com valor de p < 0,20, a análise ajustada mostrou que as variáveis significativamente associadas à maior chance de risco de sobrepeso e ao excesso de peso foram, respectivamente, “idade e renda fixa” e “idade e IMC da mãe”.

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Regressão logística multinomial bruta para o risco de sobrepeso (IMC/I ≥ 1 escore z) e excesso de peso (IMC/I ≥ 2 escores z) de crianças indígenas Xukuru do Ororubá, segundo variáveis investigadas. Pernambuco, Brasil, 2010.

 

Conforme consta na Tabela 3, na análise ajustada a variável “renda fixa” deixou de ser significativa para o excesso de peso e o inverso foi observado para o risco de sobrepeso, ou seja, para as crianças que viviam em domicílios com renda fixa, a prevalência de risco de sobrepeso foi 97% mais elevada quando comparadas às com os domicílios sem renda fixa.

A associação do IMC materno com o excesso de peso infantil permaneceu relevante na análise ajustada. A prevalência do agravo em filhos de mães obesas foi 239% maior quando comparadas aos filhos de mães eutróficas.

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Regressão logística multinomial ajustada para o risco de sobrepeso (IMC/I ≥ 1 e > 2 escores z) e excesso de peso (IMC/I ≥ 2 escores z) de crianças indígenas Xukuru do Ororubá. Pernambuco, Brasil, 2010.

 

A análise ajustada apontou também que em relação à idade das crianças, para ambos os desfechos, o menor grupamento de idade considerado (< 2 anos) implicava o maior risco. A prevalência de risco de sobrepeso foi significativamente decrescente com o aumento da idade a partir dos 2 anos, sendo nos maiores de 7 anos 88% menor, quando comparada com os menores de 2 anos. Já para o excesso de peso, essa relação foi observada apenas para os maiores de 5 anos, com prevalências 85% e 82% menores para crianças com idades entre 5 e 7 anos e maiores de 7 anos, respectivamente, quando comparadas com as menores de 2 anos.

Discussão

O perfil antropométrico das crianças Xukuru do Orurubá distingue-se de estudos com outras comunidades indígenas no Brasil, onde as prevalências de sobrepeso e obesidade são praticamente nulas no segmento infantil 11,12,13. O déficit de crescimento e baixo peso são considerados agravos expressivos entre as crianças indígenas do Brasil 20, não sendo os principais problemas nutricionais infantis nos Xukuru do Orurubá.

As frequências de excesso de peso em crianças indígenas Xukuru do Orurubá aproximam-se das encontradas em crianças brasileiras não indígenas menores de 5 anos 21. Os resultados da III Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição de Pernambuco revelaram uma prevalência de excesso de peso para crianças não indígenas entre 2 e 5 anos de 8,1%. Para as crianças que viviam na zona rural, o valor encontrado foi de 6,8% 22. E um dos últimos inquéritos nacionais que avaliaram o estado nutricional de crianças identificou 6,2% de excesso de peso no Nordeste 23. Ambos os resultados são semelhantes aos achados do presente trabalho. Porém, outros estudos em diferentes regiões do Nordeste, especialmente na região do semiárido, têm ressaltado prevalências ainda maiores de sobrepeso e obesidade em crianças 24,25.

O segmento infantil, assim como outros considerados vulneráveis frente ao contexto de pobreza e exclusão, tem sido fortemente relacionado à obesidade por alguns autores 26,27. Assim, problemas relacionados ao excesso de peso são cada vez mais evidenciados em regiões com os piores indicadores socioeconômicos 27. Historicamente, a macrorregião Nordeste é uma das regiões geográficas do Brasil com as piores rendas e maiores desigualdades em saúde, e os indígenas são reconhecidos como um dos grupos populacionais mais vulneráveis do ponto de vista social e econômico no Nordeste e no Brasil 28.

A obesidade é considerada um agravo nutricional importante entre adultos indígenas do Brasil, não raro sendo reportadas frequências de sobrepeso e/ou obesidade na ordem de 70-80% 15,29,30. Entre adolescentes, os poucos estudos com indígenas do país sinalizaram também prevalências elevadas de excesso de peso e percentual de gordura corporal 31,32.

Em crianças indígenas na América do Norte e na América do Sul há evidências na literatura do aumento nas prevalências de obesidade 33,34. Porém, as poucas investigações que destacam a presença de sobrepeso ou obesidade em crianças indígenas no Brasil são entre indivíduos das macrorregiões Sul 35,36,37 e Sudeste 38 do país. Um deles, incluindo crianças Kaingáng < 5 anos de idade, sinalizou a presença de 6,4% de crianças com sobrepeso, de acordo com o IMC/I e o padrão de referência da OMS 36. Já em outro estudo com o mesmo grupo étnico, mas com crianças de outra Terra Indígena, o valor de excesso de peso foi aproximadamente 10%, de acordo com o índice peso-para-altura e segundo a população referência do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde (NCHS) dos Estados Unidos 37.

A classificação de sobrepeso e obesidade para crianças foi modificada desde o lançamento das curvas de crescimento e padrão da OMS em 2006 e 2007. A partir de então, a proposta para a classificação da obesidade infantil envolve o uso do IMC [peso (kg)/altura (m)2] em relação à idade (IMC/I), com base em uma referência internacionalmente preconizada 18,19. Os índices anteriormente usados para classificar o excesso de peso em crianças não levavam em consideração a idade, o peso e a estatura conjuntamente, sofrendo inúmeros vieses, além de apresentar problemas metodológicos na seleção da amostra da população de referência 18,19,39.

Ainda que para a avaliação da obesidade infantil diferentes classificações e referências tenham sido propostas, o IMC/I tem sido o mais utilizado e o internacionalmente preconizado para fins de comparação e classificação de sobrepeso e obesidade em crianças referência 18,19,39. No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde também é a utilização do IMC/I, seguindo os pontos de corte sugeridos pela OMS 40. Contudo, estudos recentes ainda usam outros índices para classificar o excesso de peso infantil, dificultando a comparação. É o caso da investigação de Pereira et al. 9, realizada com crianças indígenas Karapotó em Alagoas, que encontrou 23,8% de risco de sobrepeso e sobrepeso pelo índice peso-para-estatura.

Nas crianças Xukuru do Orurubá, quanto maior a idade da criança, menor a chance destas terem excesso de peso e risco de sobrepeso, consistente com outros estudos 41,42. Assim como já foi demonstrado em um trabalho com indígenas da Austrália, onde a prevalência de sobrepeso diminuía conforme aumentava a idade 43. Contudo, os achados da relação da idade durante a infância com o excesso de peso são contraditórios na literatura. O oposto foi demonstrado em investigação com crianças < 5 anos do semiárido do Brasil, onde quanto maior a idade, maiores as chances de sobrepeso 24.

A prevalência da obesidade em crianças reflete em grande parte as modificações mais recentes nos padrões alimentares e inatividade física. Os processos de urbanização, globalização, aumento da renda, aumento de bens de consumo duráveis, entre outros, contribuíram para um conjunto de modificações no estilo de vida que impactaram diretamente no aumento do sobrepeso e obesidade em crianças 1,44, incluindo as indígenas de outras partes do mundo 45. Portanto, diversos fatores socioeconômicos, ambientais e demográficos têm sido sinalizados como importantes preditores da obesidade infantil 2,3,46, destacando também a alta relação do meio familiar com a obesidade da criança 3.

A obesidade dos pais é um determinante consolidado da obesidade infantil. Diferentes investigações têm apontado uma forte relação do IMC da mãe com o estado nutricional da criança 2,4,41, assim como os achados do presente estudo. Os mecanismos da influência do estado nutricional da mãe na programação metabólica ou genética da adiposidade dos filhos ainda estão em debate. Alguns trabalhos demonstraram que a toxidade causada pelo aumento nos níveis de lipídios no organismo pode alterar o metabolismo fetal, mas não está claro como este processo pode influenciar no metabolismo da criança ao longo da infância 47.

De fato, grande parte da variabilidade do IMC pode ser atribuída a interações genéticas, ambientais e comportamentais, desde o período intrauterino 2. O ambiente é considerado particularmente importante, especialmente o familiar, pois os pais (ou cuidadores) exercem considerável influência sobre o ambiente alimentar, social e econômico das crianças nos primeiros anos de vida, que são fatores determinantes para a obesidade infantil 3,44. Além disso, pais e mães obesos são mais propensos a criar um estilo de vida e ambiente mais obesogênico, aumentando as chances de excesso de peso na criança 42. Os adultos Xukuru, investigados no mesmo âmbito da coleta de dados que resultou no presente estudo, apresentaram prevalências bastante elevadas de excesso de peso e obesidade 15. Considerando o modo de seleção amostral realizada, em que foram incluídos os moradores das residências sorteadas, presume-se que as crianças Xukuru também estejam expostas ao mesmo ambiente obesogênico.

Nesse contexto, as condições socioeconômicas também são muito importantes para o aumento de chances de excesso de peso em crianças. Estudos sugerem que o aumento dos níveis de obesidade coincide com a melhoria da economia e rendimentos do país, como é o caso do Brasil 2. Blüher 2 ainda sinaliza que no país, assim como em outros países de menor nível socioeconômico, a prevalência de obesidade geralmente aumenta primeiro em indivíduos com maior estrato socioeconômico nas áreas urbanas e, em seguida, em grupos de menor estrato socioeconômico, predominantemente nas zonas rurais. Trabalhos com crianças indígenas australianas também têm sinalizado a associação significativa do nível socioeconômico com o excesso de peso 45,48, inclusive indicando que o nível socioeconômico tem efeito diferente no IMC de crianças indígenas quando comparadas a crianças não indígenas 49.

Um rendimento mensal fixo, por sua vez, pode contribuir para uma exposição a alimentos e ambientes considerados mais obesogênicos 2. Em um estudo multinacional com crianças escolares, conduzido em 12 centros urbanos de países diferentes, incluindo o Brasil, os escores do IMC/I aumentaram linearmente conforme uma maior renda em países com os mais baixos níveis de desenvolvimento. Esse resultado era o inverso em países considerados de estratos socioeconômicos superiores 46.

É importante ressaltar que os poucos estudos que avaliaram saúde e estado nutricional dos indígenas que vivem na macrorregião Nordeste do país sinalizaram para altas prevalências de sobrepeso, obesidade e outras doenças crônicas 15,28,50. Os fatores socioeconômicos têm sido importantes variáveis associadas a esse cenário 15.

Outros aspectos relacionados ao desenvolvimento do excesso de peso em crianças não foram alvos de investigação neste trabalho, limitando algumas relações que poderiam ser estabelecidas, como a investigação do consumo alimentar principalmente quanto ao aleitamento materno, alimentação complementar e consumo de alimentos ultraprocessados. A decisão metodológica pela utilização do IMC/I limitou algumas comparações com estudos que optaram pelo índice peso-para-altura.

Considerações finais

O Brasil precisa de políticas de investimento para identificar e minimizar os determinantes do excesso de peso em crianças indígenas e não indígenas. Na Austrália, um estudo de base populacional evidenciou que a escolaridade materna e a estabilidade habitacional afetam o consumo de refrigerantes por crianças indígenas que vivem em bairros vizinhos, e tal fato foi considerado na definição de políticas públicas 51.

Os resultados aqui debatidos unem-se a outros que retratam a situação paradoxal a que estão expostos muitos povos indígenas no Brasil. São diversas realidades sanitárias refletidas em indicadores de saúde invariavelmente piores do que os observados em contextos não indígenas, e acompanhados por outros extratos populacionais pauperizados e altamente vulneráveis da sociedade brasileira. Desse modo, ao menos no que compete diretamente ao setor saúde, é imprescindível a discussão de uma nova política de saúde indígena que considere o cenário nutricional desenhado aqui. As abordagens individualistas da medicina ocidental no tocante ao manejo do excesso de peso para populações indígenas, quer sejam adultos ou crianças, devem ser estratégicas alinhadas culturalmente ao modo de ser indígena.

Agradecimentos

Agradecemos à população Xukuru do Ororubá pela recepção à equipe de pesquisa e aos pesquisadores do Instituto Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz (IAM/Fiocruz), em especial ao pesquisador André Monteiro Costa. Esta pesquisa é derivada de projetos financiados pela FACEPE (processo nº APQ-1351-4.00/08) e CNPq (processo nº 475681/2008), e foi realizada durante a vigência de bolsa de doutorado (CNPq) e pós-doutorado (Convênio Fiocruz/Capes - Brasil sem Miséria) concedida à primeira autora.

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