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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

38 nº.7

Rio de Janeiro, Julho 2022


ARTIGO

Avaliação das ações de controle do câncer de colo do útero no Brasil e regiões a partir dos dados registrados no Sistema Único de Saúde

Gulnar Azevedo e Silva, Luciana Leite de Mattos Alcantara, Jeane Glaucia Tomazelli, Caroline Madalena Ribeiro, Vania Reis Girianelli, Édnei Cesar Santos, Itamar Bento Claro, Patty Fidelis de Almeida, Luciana Dias de Lima

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311XPT041722


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RESUMO
Este estudo teve como objetivo analisar a realização de exames de rastreamento e diagnóstico para o câncer de colo do útero entre mulheres de 25 e 64 anos, bem como o atraso para o início do tratamento no Brasil e suas regiões geográficas no período de 2013 a 2020. As informações sobre os procedimentos e as estimativas populacionais foram obtidas nos sistemas de informações do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Foram calculados indicadores de cobertura do exame de Papanicolau, os percentuais de exames citopatológicos e histopatológicos alterados, e o percentual de mulheres com diagnóstico de câncer do colo do útero tratadas com mais de 60 dias. Houve grande variação na cobertura do exame de Papanicolau entre as regiões brasileiras com tendência de declínio a partir de 2013, agudizada de 2019 para 2020. O número registrado de exames citopatológicos alterados foi 40% inferior ao estimado e a diferença entre o número registrado de diagnósticos de câncer e o estimado menor que 50%. O percentual das mulheres com diagnóstico de câncer invasivo do colo do útero que iniciaram o tratamento após 60 dias variou entre 50% na Região Sul a 70% na Região Norte, com diminuição a partir de 2018. Em 2020, houve retração do número de exames de rastreamento e de seguimento com diminuição da proporção de mulheres com atraso para o início do tratamento nas regiões Norte, Sudeste e Sul. A queda na cobertura do rastreamento e o seguimento inadequado de mulheres com resultados alterados indicam a necessidade de aprimorar as estratégias de detecção precoce da doença e estabelecer mecanismos de avaliação e monitoramento constante das ações.

Neoplasias do Colo do Útero; Teste de Papanicolaou; Programas de Rastreamento; Sistema de Informação em Saúde; Detecção Precoce de Câncer


 

Introdução

Em diversos países de alta renda, a expressiva queda da mortalidade e incidência do câncer do colo do útero é atribuída à implantação de rastreamento organizado com base no exame de Papanicolau 1.

No Brasil, a ocorrência desse tipo de câncer permanece alta se comparada à de outros países 2. Estima-se, para o ano de 2020 no país, taxa de incidência de 12,7 e de mortalidade de 6,3 por 100 mil habitantes 3. Observa-se grande desigualdade regional no país, com alta mortalidade nas regiões Norte e Nordeste 4, sendo que a tendência de redução verificada em todo o país ainda não ocorreu no interior da Região Norte 5.

O rastreamento para o câncer de colo do útero no Brasil foi iniciado no final da década de 1990 com base no teste de Papanicolau 6. A atualização das diretrizes clínicas mantém a recomendação para rastreamento trienal em mulheres de 25 a 64 anos de idade 7. Apesar de coberturas autorrelatadas por mulheres em inquéritos populacionais indicarem que cerca de 80% fizeram o exame Papanicolau, nos últimos três anos 8,9, o país ainda não atingiu o impacto verificado em outros países da América Latina, como é o caso do Chile 10, havendo grande desigualdade no acesso. A chance de realizar o exame é maior entre brancas, entre as que relatam ter 11 anos ou mais de estudo e chega a ser três vezes maior entre aquelas com plano se saúde privado 8.

Para que o rastreamento reduza a ocorrência do câncer do colo do útero é necessário que alcance alta cobertura entre a população-alvo e garanta que todas as mulheres suspeitas sejam acompanhadas e adequadamente tratadas 11. Para o ano de 2015, estima-se que a cobertura de exames Papanicolau registrada no Sistema Único de Saúde (SUS) tenha sido de 50% da população-alvo, com déficits importantes também nos procedimentos realizados para tratamento de lesões precursoras em nível ambulatorial e hospitalar 12.

Com os sucessivos cortes de financiamento e retrocessos de políticas exitosas do SUS, sobretudo na atenção primária 13, é importante verificar o acesso às ações de detecção precoce do câncer do colo do útero, o que pode impactar na tendência de queda da mortalidade a médio e longo prazo. As medidas necessárias a serem tomadas para implementação da política de controle do câncer no país precisam estar baseadas nos dados recentes dos sistemas de informações do SUS.

Este estudo teve como objetivo analisar a realização de exames de rastreamento e diagnóstico para o câncer de colo do útero entre mulheres de 25 e 64 anos, bem como o atraso para o início do tratamento no Brasil e suas regiões geográficas no período de 2013 a 2020.

Métodos

Estudo descritivo, utilizando dados dos sistemas de informações do SUS, referentes ao rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer do colo do útero em mulheres de 25 a 64 anos, no Brasil e regiões de residência, entre 2013 e 2020.

Do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) 14 foi obtido o número de exames citopatológicos realizados por ano no Brasil, em mulheres de 25 a 64 anos, por meio da seleção dos procedimentos exames cérvico-vaginal/microflora e cérvico-vaginal/microflora - rastreamento (códigos 0203010019 e 0203010086, respectivamente). Dados referentes às mulheres que tiveram exames citopatológicos e histopatológicos alterados foram obtidos no Sistema de Informação do Câncer (SISCAN) 15 para a análise das estimativas de necessidade de procedimentos de investigação diagnóstica e tratamento. Do Painel-Oncologia 16, foram obtidas as informações sobre mulheres diagnosticadas e tratadas com câncer do colo do útero, tempo entre diagnóstico e tratamento e sem informação sobre o tratamento. Todos esses dados são de acesso público na página de Internet do Departamento de Informática do SUS (DATASUS) 17.

Estimativas da população também foram acessadas a partir do DATASUS 17. O número de mulheres beneficiárias de planos de assistência médica privada foi obtido no Tabnet da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) 18.

Os números esperados de exames citopatológicos alterados e de exames histopatológicos com resultado “neoplasia maligna do colo do útero” foram calculados com base em estudo que estimou parâmetros para o planejamento e avaliação das ações de rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil a partir de dados nacionais 19.

Após a coleta dos dados, foram calculados seis indicadores para avaliar o acesso às ações de rastreamento e seguimento de mulheres no SUS. O Quadro 1 apresenta a definição, a interpretação, o método de cálculo e a fonte de dados de cada um dos indicadores.

As análises foram realizadas no programa R, versão 4.0.4 (http://www.r-project.org).

 

 

Tab.: 1
Quadro 1 Indicadores utilizados do estudo: definição, interpretação, método e fonte de dados.

 

Resultados

A diferença no número de exames citopatológicos do colo do útero informados no SIA/SUS e no SISCAN reduziu progressivamente no período analisado. A proporção de exames registrados no SISCAN relativa ao total de exames registrados no SIA/SUS aumentou de 1,31% em 2013 a 82,8% em 2020 Tabela 1.

 

 

Tab.: 2
Tabela 1 Número de exames registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e no Sistema de Informação do Câncer (SISCAN), diferença e proporção de registros no SISCAN em relação ao total de registros no SIA/SUS.

 

As mais altas coberturas do exame de rastreamento foram observadas em 2013, variando de 75%, na Região Sul, a 43%, na Região Norte. A partir daí, observou-se queda em todas as regiões, sendo a queda mais acentuada entre os anos de 2019 e 2020 Figura 1.

 

 

Figura 1 Cobertura do exame de rastreamento para o câncer do colo do útero. Brasil e grandes regiões, 2013 a 2020.

 

Comparando-se o número de exames citopatológicos alterados estimado com o efetivamente registrado no SISCAN, verificou-se que houve um déficit de 52,1% em 2017 e de 16,8% em 2020 para todo o país. Essa diferença negativa se repetiu em todos os anos e em todas as regiões, porém com valores mais baixos na Região Norte. Em todas as regiões, houve uma importante diminuição do déficit entre 2019 e 2020, com exceção da Região Norte, que passou de menos 16,2% em 2019 para menos 22,2% em 2020 Tabela 2.

 

 

Tab.: 3
Tabela 2 Número estimado e registrado de exames citopatológicos do colo do útero alterados, número de exames histopatológicos de neoplasia maligna do colo do útero e respectivas diferenças absolutas e percentuais. Brasil e grandes regiões, 2017 a 2020.

 

Em relação aos exames histopatológicos, o número de neoplasias malignas registradas no SISCAN foi inferior ao número estimado para todo o país e nas cinco grandes regiões nos anos de 2017 a 2019. Em 2020, o número registrado foi 65,3% maior na Região Norte, 7,3% na Região Centro-oeste e 4,1% na Região Nordeste. Nas regiões Sudeste e Sul, houve diminuição dessa diferença, porém o número registrado permaneceu deficitário Tabela 2.

A proporção de mulheres com tempo entre o diagnóstico e início do tratamento maior que 60 dias se manteve estável, porém com patamares superiores a 50% entre 2013 a 2017 em todas as regiões, com exceção da Região Sul. A Região Norte foi a que apresentou o maior percentual de mulheres com atraso no tratamento, mantendo-se em torno de 70% até 2018. A partir de 2017, nas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-oeste, e a partir de 2018 na Região Norte, esse percentual começa a reduzir indicando que houve diminuição no intervalo de tempo entre o diagnóstico e o primeiro tratamento. Em 2019, esse percentual ficou abaixo de 50% em todas as regiões, com exceção da Região Norte, que apenas em 2020 atingiu 60% Figura 2.

 

 

Figura 2 Percentual de mulheres com tempo entre o diagnóstico e início do tratamento maior que 60 dias. Brasil e grandes regiões, 2013 a 2020.

 

O percentual de mulheres com diagnóstico de câncer de colo do útero e sem informação registrada no SUS sobre o tratamento até 2017 se manteve abaixo de 15% em todas as regiões do país. A partir daí, esse percentual aumentou de forma geral, sendo mais alto nas regiões Sudeste e Sul, onde ultrapassou 20% em 2019 e chegou a cerca de 30% em 2020. Apenas na Região Nordeste esse valor foi mantido em torno de 15% em 2019 e 2020 Figura 3.

 

 

Figura 3 Percentual de mulheres com diagnóstico de câncer de colo do útero sem informação de tratamento registrado no Painel-Oncologia. Brasil e grandes regiões, 2013 a 2020.

 

Discussão

Este estudo mostrou uma grande variação na cobertura do exame de Papanicolau entre as grandes regiões brasileiras, sendo a mais alta na Região Sul e a mais baixa na Região Norte. A tendência de declínio verificada entre 2013 e 2020 foi, contudo, generalizada e agudizada de 2019 para 2020.

Para a eliminação do câncer do colo do útero até o ano de 2030, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu como meta que 90% das meninas até 15 anos sejam vacinadas contra HPV, 70% das mulheres entre 35 a 45 anos sejam rastreadas com um teste de alta performance e que 90% das identificadas com doenças cervicais sejam tratadas 11. Neste estudo, cuja população-alvo é formada por mulheres de 25 a 64 anos de idade, não só as coberturas do teste de Papanicolau alcançadas foram inferiores ao recomendado, como também a quantidade de mulheres diagnosticadas entre as rastreadas foi inferior aos valores estimados. Estudo recente 20 indica que a captação de mulheres de 25 a 64 anos que realizaram o exame citopatológico pela primeira vez reduziu progressivamente no período 2007 a 2013, o que possivelmente influencia o indicador de razão utilizado como proxy de cobertura.

Em vários países onde o rastreamento para o câncer de colo do útero foi instituído por um longo período houve diminuição do risco da doença 1,21, o que não aconteceu nos países que não adotaram o rastreamento. Em países como Espanha e Irlanda, a adoção do rastreamento de forma oportunística não foi suficiente para reduzir a mortalidade no país 22,23. Nos Estados Unidos, a implementação do rastreamento citológico é associada à queda da mortalidade pela doença, no entanto permanecem disparidades entre as minorias raciais e étnicas pertencentes aos extratos mais pobres da população 24.

Apesar da constatação de declínio em vários países, tendências recentes de aumento entre mulheres mais jovens vêm sendo identificas em países de alta renda 25,26,27, o que tem intensificado a preocupação em rever as estratégias de rastreamento nesses países.

No Brasil, houve queda da mortalidade em todas em todas as regiões, mas não nos municípios do interior da Região Norte que, em 2017, apresentaram taxa três vezes superior à da Região Sudeste 5. Apesar de ter possibilitado maior acesso às ações de controle de câncer, o rastreamento com base no exame de Papanicolau, introduzido em todo o país a partir de 1999, parece não ter sido suficiente para captar todas as mulheres da população de risco, principalmente aquelas que vivem em situação de precariedade socioeconômica 8.

A correlação inversa entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a incidência do câncer do colo do útero é bem relatada na literatura 28,29. Ao mesmo tempo, é reconhecido que, em vários países, a implementação de rastreamento efetivo por longos períodos de tempo evitou o aparecimento da doença em sucessivas coortes de idade 1. No entanto, esse impacto não é imediato e só pode ser identificado após anos de regularidade e alta cobertura de rastreamento da população-alvo.

As curvas descendentes na cobertura do rastreamento foram verificadas nas cinco regiões do país, no entanto as regiões Norte e Nordeste durante todo o período mantiveram coberturas mais baixas se comparadas às das regiões Sul e Sudeste. Tal condição acompanha o perfil socioeconômico regional diferenciado entre as regiões do Brasil, sendo a Região Norte seguida da Nordeste as que exibem os piores indicadores de escolaridade, pobreza e utilização de serviços de saúde 30.

Apesar da disponibilidade de dados de mulheres examinadas no SISCAN, optou-se por utilizar o indicador de razão entre exames registrados no SIA/SUS e a população de mulheres como proxy da cobertura devido às grandes variações na implantação do SISCAN no país entre 2013 e 2020. Estudo publicado em 2022 31 mostra que a dificuldade na consolidação dos dados nacionais foi mais acentuada entre 2015 e 2017, com diferenças importantes entre as regiões do país. A Região Sudeste foi a mais afetada pela transição entre os sistemas de informação, comprometendo a utilização desses dados para análise de indicadores. A partir de 2019 foi observada redução no índice de perda de informação, sendo, portanto, indicado que futuras análises utilizem os dados por mulher registrados no SISCAN.

Com respeito ao exame citopatológico, destaca-se que o número de exames alterados registrados nos anos de 2017-2019 ficou cerca de 40% abaixo do estimado. Isso porque o índice de positividade de alguns laboratórios de citopatologia é inferior ao desejável, comprometendo a capacidade do programa de identificar lesões precursoras e câncer 32. A positividade de cada localidade poderá configurar diferentes patamares de exames alterados, sobretudo com influência de serviços que não estão dentro de padrões de qualidade. Por essa razão, o índice aplicado para estimar a positividade esperada de exames citopatológicos foi obtido em estudo 19 que analisou apenas laboratórios que atendessem critérios de qualidade pré-estabelecidos (positividade mínimo de 3% e uma produção de 15 mil exames/ano) 33. Os esforços em curso para superar esse cenário, como a qualificação nacional em citopatologia, que estabelece critérios para a habilitação e incentivo financeiro de laboratórios no país 33, ainda não foram suficientes.

A diferença percentual entre o número de diagnósticos de câncer registrados no SISCAN a partir dos resultados histopatológicos alterados e o estimado ficou abaixo de 50% no período analisado. Possíveis explicações para essa diferença podem ser atribuídas aos casos não identificados no rastreamento por problemas na qualidade do exame citopatológico, falhas nos registros de exames anatomopatológicos realizados em instituições com orçamento diferenciado e não informado, como universidades, e dificuldade de acesso ao exame no SUS. Como o acesso aos serviços e as condições sociocomportamentais podem influenciar na progressão da doença, o parâmetro de encaminhamentos para alta complexidade (diagnósticos histopatológicos) foi aplicado às mulheres que foram de fato rastreadas, considerando os dados do estudo mencionado anteriormente que acompanhou os diagnósticos e percurso terapêutico das mulheres 19. As estimativas de necessidade são baseadas em um cenário de rastreamento e seguimento adequado das mulheres, e as diferenças entre as condições locais explicam a variação entre o esperado e o encontrado.

O percentual das mulheres com diagnóstico de câncer invasivo do colo do útero que iniciaram o tratamento após 60 dias se manteve entre 2013 a 2017, variando entre 50% na Região Sul a 70% na Região Norte. A partir de 2018, houve queda nesse percentual em todas as regiões, em especial em 2020, mas, ao mesmo tempo, foi detectado forte aumento percentual de casos diagnosticados sem informação sobre o tratamento. As direções opostas nessas duas tendências indicam que um maior número de pacientes que tiveram diagnóstico confirmado de câncer do colo do útero não voltou para fazer o tratamento, diminuindo a demanda nos serviços, que resultou em menor tempo de espera.

Estudo que analisou a qualidade do seguimento de mulheres rastreadas no Estado de São Paulo, a partir do relacionamento das bases de dados do SISCOLO, do SIA/SUS e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), mostrou que o tempo mediano entre o Papanicolau alterado e o diagnóstico foi de 190 dias e, entre o diagnóstico e tratamento, de 81 dias; e tempos prolongados que se associavam a piores condições de assistência nas regionais de saúde do estado 34. Reforçando esses achados, outro estudo conduzido em São Paulo, que também utilizou relacionamento probabilístico entre as bases de dados dos sistemas de informações do SUS, mostrou que o acesso à colposcopia é limitado no estado, o que prejudica o diagnóstico e, consequentemente, o tratamento 35.

No ano de 2020, em função da pandemia de COVID-19, a retração de exames de rastreamento foi maior ainda, diminuindo a diferença entre o número registrado e o estimado, tanto para os exames citopatológicos como para os exames histopatológicos (16,8% e 15,4%, respectivamente). Tal situação levou a um volume menor de mulheres que precisavam ser seguidas, acarretando diminuição da proporção de mulheres que tiveram o tempo entre o diagnóstico e tratamento maior que 60 dias nas regiões Norte, Sudeste e Sul. A menor demanda na rede assistencial especializada possibilitou agilizar a oferta de tratamento. Deve-se considerar, contudo, que a proporção de mulheres diagnosticadas com câncer de colo do útero e sem informação, que já vinha aumentando em 2018, foi maior ainda em 2020 em todas as regiões, com exceção da Região Nordeste.

Estes achados vão na mesma direção do que apontou o inquérito de prevalência de anticorpos SARS-CoV-2 realizado em 133 municípios brasileiros entre março a agosto de 2020, o qual mostrou que 11,8% dos entrevistados que tiveram algum problema de saúde não conseguiram atendimento e 17,3% não realizaram o exame de rotina ou rastreamento 36. Esse percentual foi maior entre mulheres, entre os mais pobres, residentes das regiões Norte e Nordeste e para pessoas com condições crônicas de saúde.

Algumas limitações deste estudo são inerentes ao uso das bases de dados dos sistemas de informações do SUS e merecem ser destacadas. Devido ao fato de o SIA/SUS não ter o registro individualizado, a cobertura foi estimada de forma indireta por meio da razão entre número de exames e população na faixa etária, o que pode levar a uma superestimação, considerando que as mesmas mulheres podem repetir o exame no período analisado. A principal limitação da utilização do indicador calculado dessa forma é a possível superestimação da cobertura pela inclusão de exames realizados com periodicidade anual. Na análise temporal, uma melhora na adesão às diretrizes, como observado, por exemplo, em estudo realizado em Campinas (São Paulo) entre 2010 e 2016 37, pode impactar na redução artificial do indicador, sem que de fato haja menor cobertura. Esse indicador pode também ser influenciado pela captação de mulheres novas que completaram 25 anos e passam a fazer parte da população-alvo. Além disso, a utilização da população assistida no SUS no denominador busca retratar de forma mais fidedigna a capacidade local de atender as mulheres na rede SUS. Embora a migração de mulheres usuárias da saúde privada para o SUS seja possível, o impacto no indicador não deve ser alto, dada a pequena variação nas coberturas de saúde suplementar observadas no período com base nos dados da ANS e da Pesquisa Nacional de Saúde. O número elevado de realização de exames pode ultrapassar 100%, porém esse valor tem por finalidade inferir se a cobertura ou a capacidade de uma localidade ofertar a cobertura necessária à população-alvo está sendo alcançada. Sendo um indicador, resultados inesperados devem ser investigados.

Uma segunda limitação foi o alto percentual de mulheres com diagnóstico de carcinoma invasivo do colo do útero no Painel-Oncologia, mas sem registro de tratamento. Estas foram excluídas na análise sobre o intervalo de tempo entre diagnóstico e tratamento, e não é possível afirmar se ficaram sem tratamento; se foram tratadas no SUS, mas o registro não foi feito; ou se foram tratadas na rede privada de saúde. É importante mencionar ainda que é possível que o primeiro tratamento obtido no Painel-Oncologia, proveniente do SIA/SUS e do SIH/SUS, não tenha sido registrado nos sistemas oficiais 16. Isso pode levar a que o tratamento subsequente entre como primeiro tratamento, acarretando em aumento no tempo de início do tratamento ou, caso não exista outro tratamento, conste como sem informação de tratamento.

Os indicadores construídos com base nos parâmetros estabelecidos partiram de registros disponíveis nos sistemas de informação de forma a permitir uma avaliação do seguimento de mulheres com câncer do colo do útero assistidas no SUS. Esses sistemas têm como vantagem englobar todos os casos registrados já que sua utilização é condição para recebimento do pagamento dos procedimentos realizados pelo SUS. No entanto, perda de informação no SISCAN já foi relatada, sobretudo durante o período de implantação 31. Seria necessário que os sistemas de informações do SUS passassem por processos contínuos de monitoramento e auditoria, mas não foram identificados estudos que avaliem sua qualidade e validade entre os anos de 2013 a 2020. Se, por um lado, os resultados encontrados alertam para a necessidade de melhoria desses sistemas, por outro, identificam tendências regionais e temporais a serem avaliadas para aprimorar a assistência.

Em virtude da relevância epidemiológica do câncer do colo do útero no país, o Ministério da Saúde vem propondo estratégias para qualificar as ações de rastreamento e seguimento dos casos detectados, bem como avaliar novas tecnologias para sua prevenção e controle 38,39,40. A garantia do acesso ao exame preventivo de rastreamento e ao tratamento adequado às mulheres com diagnóstico de lesões precursoras constituem prioridades estabelecidas no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), lançado em 2011 e atualizado em 2021 38,41. Entretanto tais ações apresentam níveis diferenciados de implementação nas regiões e municípios brasileiros, com maiores barreiras de acesso às mulheres dos municípios do interior e zonas rurais 42.

O predomínio do rastreamento oportunístico no país, aliado à incompleta abrangência do SISCAN, que permitiria o monitoramento das ações, e a problemas relacionados às redes de atenção à saúde, constitui um desafio à estruturação de um modelo de rastreamento organizado, o que possibilitaria aumento da proporção de exames registrados nesse sistema, relativa ao total de exames registrados no SIA/SUS, e aprimoramento do seguimento 10.

Em 2021, foi instituída no Ministério da Saúde uma Câmara Técnica Assessora, com o objetivo de promover discussões, avaliar e propor ações estratégicas para o enfrentamento do câncer de colo do útero no âmbito da atenção primária à saúde 39. Apesar de a Câmara Técnica ser de natureza opinativa, e não vinculante, poderá emitir recomendações acerca de novos protocolos a serem adotados para mudança do modelo oportunístico para o organizado e possível utilização de novas tecnologias no rastreamento do câncer do colo do útero no país. Entretanto é necessário sinalizar que a qualificação do rastreamento em cenários futuros fica prejudicada diante da imposição do teto de gastos estabelecida pelo Governo Federal e dos sucessivos cortes de financiamento para o sistema de saúde.

A adoção de um programa de rastreamento organizado buscando ativamente as mulheres da faixa etária alvo deve ser considerada como prioridade da política nacional de controle de câncer. No entanto é necessário, ao mesmo tempo, estar atento ao debate mundial sobre o investimento em testes mais efetivos e sensíveis. A inclusão do teste de HPV aos programas de rastreamento tem sido colocada como alternativa, levando a uma proteção de 60 a 70% maior a lesões de carcinoma invasivo se comparada à citologia 43. Deve ser lembrado, contudo, que até que esses testes estejam acessíveis em locais com recursos limitados e onde a carga da doença é alta, o foco deve se dar no fortalecimento do sistema de saúde aumentando a capacidade de organização do rastreamento 44.

No Brasil, a implantação de um modelo de rastreamento organizado poderá viabilizar o uso de testes de HPV e o aumento do intervalo de trienal para quinquenal e da faixa etária de início de 25 para 30 anos 45,46. O estudo realizado por Teixeira et al. 47 demostrou que a organização do rastreamento do câncer do colo do útero usando testes de DNA-HPV resultaria em impacto imediato na detecção de casos em estágio inicial.

Os resultados levantados neste estudo deixam claro que o rastreamento para o câncer do colo do útero da forma como vem se dando no país não tem sido suficiente para assegurar o controle da doença. Além da queda em sua cobertura, as dificuldades identificadas no seguimento de mulheres com resultados alterados do exame citopatológico e com diagnóstico confirmado de câncer do colo do útero indicam a necessidade de aprimorar as estratégias de detecção precoce da doença e estabelecer mecanismo de avaliação e monitoramento constante das ações.

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