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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

38 nº.5

Rio de Janeiro, Maio 2022


ARTIGO

O cuidado domiciliar de idosos com dependência funcional no Brasil: desigualdades e desafios no contexto da primeira onda da pandemia de COVID-19

Dalia Elena Romero, Leo Ramos Maia, Jéssica Muzy, Nathália Andrade, Celia Landmann Szwarcwald, Daniel Groisman, Paulo Roberto Borges de Souza Júnior

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00216821


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RESUMO
O artigo tem o objetivo de analisar o efeito da pandemia na carga de cuidado da pessoa idosa com dependência funcional, segundo a presença de cuidador contratado e condições socioeconômicas no ano de 2020. Utilizou-se a ConVid - Pesquisa de Comportamentos de 2020 como fonte de dados. Calculou-se a distribuição percentual e a prevalência da população que mora com idoso com dependência funcional durante a pandemia da COVID-19, segundo sexo, raça/cor da pele e renda. Estimou-se o teste de qui-quadrado de Pearson e a razão da prevalência de aumento do trabalho doméstico, ajustando-se modelos de regressão de Poisson com a variância robusta. Utilizou-se o intervalo de 95% de confiança (IC95%). Entre adultos que moravam com idoso, 8,1% (IC95%: 7,1-9,4) tinham pelo menos um idoso com dependência funcional. Durante a pandemia, 11,7% (IC95%: 8,5-16,0) deixaram de ter cuidador, o que se explica pelo distanciamento social para redução de risco de contágio e/ou pela diminuição da capacidade aquisitiva das famílias. Aqueles que perderam cuidador remunerado durante a pandemia tiveram maior probabilidade de aumento da carga do cuidado, independentemente da condição socioeconômica. Verificou-se a distribuição desigual do trabalho de cuidar na população, que se intensificou com a chegada da pandemia da COVID-19. A piora da carga de cuidado de idoso com dependência funcional foi mais acentuada entre os grupos mais privilegiados, como brancos e de maior renda. Uma hipótese é a de que os grupos mais vulneráveis já tivessem uma alta carga de cuidado antes da pandemia. A crise no cuidado se agrava diante do desmonte da atenção básica, redução do suporte social às famílias brasileiras no contexto de pandemia e aumento do desemprego, diminuindo a capacidade de contratação de cuidador.

Cuidadores; Idoso; Fatores Socioeconômicos; Atividades Cotidianas; COVID-19


 

Introdução

Na pandemia de COVID-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março de 2020 1, pessoas de 60 anos ou mais são as mais vulneráveis ante a doença 2. Aqueles que por múltiplas causas vivem em situação de fragilidade, com a força, resistência e função fisiológica reduzidas, têm ainda maior risco de sofrer efeitos graves e fatais 3. O Brasil, como signatário do Plano de Ação Internacional sobre o Envelhecimento das Nações Unidas de 2002, está comprometido com o reconhecimento da vulnerabilidade dos idosos em situações de emergências humanitárias, como no caso da pandemia 4.

No país, cerca de 30% dos idosos apresentavam alguma dificuldade para realizar pelo menos uma das atividades básicas ou instrumentais da vida diária, sendo que 81,2% desses informaram receber ou necessitar de ajuda para realizá-las, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 5. Quando essas pessoas requerem cuidados para sua vida cotidiana, são considerados idosos com dependência funcional 6. Estudos mostram desigualdades socioeconômicas na prevalência de idosos com dependência funcional e no suporte ao cuidado 5,7,8. Além disso, a responsabilidade da família e a carga sobre o sistema de saúde em relação aos cuidados de idosos aumentou com a pandemia da COVID-19 9.

O significado do cuidado numa sociedade expressa sua estrutura de valores e projeto de sociedade, motivo pelo qual Tronto (2009, apud Perreau 10 recomendou transformar as instituições políticas e sociais à luz do aumento da necessidade do cuidado às pessoas mais vulneráveis. O autor afirmou que o cuidado é elemento central para uma sociedade verdadeiramente democrática, dado que todos os seres humanos necessitam de algum cuidado, e essa situação não deveria ser fator de desvantagem, nem para quem cuida tampouco para quem recebe.

Quando um idoso passa a ser dependente, pode ser necessária uma reorganização no cuidado, e essa mudança geralmente atinge a todos os familiares 11. Isso torna fundamental a compreensão dos contextos familiares, pois eles representam, em geral, a principal assistência aos idosos 12. Essa própria estruturação do trabalho de cuidar acaba gerando tensões, sobretudo no ambiente domiciliar 13.

De acordo com o Artigo 230 da Constituição Federal de 1988, cuidar do idoso é uma responsabilidade compartilhada entre a família, a sociedade e o Estado. No Brasil, a maior parte desses cuidadores são familiares 5,14, situação similar à de outros países 15,16. O número de cuidadores familiares aumentou nos últimos anos, passando de 3,7 a 5,1 milhões entre 2016 e 2019, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 17. Esse aumento ocorreu concomitantemente à diminuição da disponibilidade de familiares para o cuidado, devido, entre outros fatores, à queda nas taxas de fecundidade desde as décadas passadas 18. A contratação de cuidadores torna-se uma demanda crescente na sociedade brasileira, apesar da inexistência de suporte social e econômico para as famílias que precisam dessa ajuda. Idosos residentes em domicílios coletivos, como instituições de longa permanência (ILPIs), constituem menos de 1% da população idosa brasileira, o que caracteriza essa modalidade de atendimento como muito baixa 19.

Historicamente, o trabalho de cuidar tem evidenciado relações fortemente hierárquicas, envolvendo vulnerabilidade e desigualdade social, econômica, etária e de gênero 20,21,22,23. Mulheres de menor renda são as que têm a maior carga de cuidado domiciliar e sofrem mais as consequências da falta de suporte social 9.

No relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que foca em idosos no impacto da COVID-19 24, alertou-se para o alto risco de exposição ao vírus entre prestadores de cuidados. O documento chama atenção a que a vulnerabilidade dos cuidadores na pandemia é ainda mais impactada em contextos em que os sistemas de saúde e a prestação de cuidados de longo prazo são ineficientes. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos durante a pandemia constatou aumento do trabalho doméstico e de problemas como tristeza, angústia e depressão entre cuidadores de idosos 25. Tal resultado reforça a relevância das recomendações da ONU quanto à atenção especial aos idosos e seus cuidadores durante a pandemia 24, assim como a necessidade de dar visibilidade aos problemas relacionados ao cuidado de idosos no âmbito domiciliar 26.

No Brasil, entre abril e maio de 2020, foi realizada a ConVid - Pesquisa de Comportamentos (ConVid), que teve como finalidade descrever as mudanças na vida dos brasileiros durante a pandemia da COVID-19 27. Visto que o cuidado do idoso com dependência funcional afeta a todos os membros do domicílio, nesta pesquisa foi perguntado a todos os adultos sobre morar com idosos que precisam de ajuda para realizar suas atividades de vida diária, se tinham cuidador contratado antes e durante a pandemia e sobre as mudanças no trabalho de cuidar desse idoso. Com isso, foram obtidas informações inéditas e de grande relevância para compreender o cenário do cuidado de idosos com dependência funcional.

Este artigo tem como objetivo analisar o efeito da pandemia na carga de cuidado de idosos com dependência funcional, segundo a presença de cuidador contratado e condições socioeconômicas, em 2020.

Métodos

Fonte de dados

A fonte de dados utilizada foi a ConVid (https://convid.fiocruz.br/) de 2020, um inquérito de corte transversal e de âmbito nacional, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A coleta de dados foi realizada por questionário virtual autopreenchido em celular ou computador com acesso à Internet entre 24 de abril e 24 de maio de 2020. O projeto foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) em 19 de abril de 2020 (nº 3.980.277). As questões utilizadas foram validadas em inquéritos de saúde aplicados, previamente, no Brasil. Todas as respostas foram anônimas, sem identificação dos participantes e armazenadas no servidor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz). Os critérios de inclusão da pesquisa foram ter 18 anos ou mais no momento do preenchimento e residir no território brasileiro durante a pandemia da COVID-19. A amostra total do inquérito é de 45.161 pessoas.

A amostragem foi feita pelo método “bola de neve virtual”, por meio do envio de convites para o questionário eletrônico por redes sociais, obedecendo a uma estratificação por sexo, faixa de idade e grau de escolaridade. Maiores detalhes da ConVid encontram-se na publicação sobre a metodologia 27.

Os adultos que residem com algum idoso com dependência funcional (n = 1.320, 3%) constituem a população deste estudo. Assume-se que apenas um respondente de cada domicílio participou da pesquisa. Apesar do respondente das perguntas não ser necessariamente o principal responsável pelo cuidado, este estudo pressupõe que as demandas de cuidado de um idoso com dependência funcional afetam a todos os membros do domicílio.

Variáveis

A dependência funcional refere-se à necessidade de ajuda parcial ou total na realização das atividades da vida diária, que são tarefas básicas de autocuidado. No caso de resposta afirmativa à pergunta: “Algum dos moradores idosos do domicílio precisa de ajuda para realizar as atividades de vida diária, tais como comer, se vestir, ir ao banheiro, se locomover em casa, tomar banho?”, considerou-se que o domicílio tem, pelo menos, um idoso com dependência funcional.

A variável presença do cuidador contratado no domicílio foi realizada a partir de duas perguntas aplicadas em domicílios com idoso com dependência funcional: “Antes da pandemia, a ajuda era dada por um cuidador contratado?” e “Depois da pandemia, o cuidador contratado continuou a trabalhar?”. Ambas as perguntas são respondidas com sim/não. A variável presença do cuidador contratado no domicílio tem três categorias: (1) tem cuidador contratado, mas parou de trabalhar (deixou de ter cuidador); (2) tinha cuidador contratado e ele continuou trabalhando (manteve o cuidador); e (3) não tinha cuidador contratado (não tinha cuidador).

O aumento acentuado da carga de cuidar do idoso com dependência funcional foi referido pelo respondente a partir da pergunta: “Como a pandemia afetou/modificou o trabalho de cuidar dessa pessoa?”, sendo suas categorias de respostas: (1) aumentou muito, (2) aumentou pouco, (3) persistiu igual ou (4) diminuiu. As categorias 2, 3 e 4 foram acopladas em “não aumentou muito”. Para a razão de prevalência (RP), essa variável foi definida como dependente.

As características demográficas e socioeconômicas analisadas nesta pesquisa foram sexo, renda e raça/cor da pele. Utilizaram-se as categorias “masculino” e “feminino” quanto ao sexo. A raça/cor da pele foi classificada no inquérito com as categorias de resposta: (1) branca, (2) preta, (3) amarela, (4) parda, e (5) indígena. Pessoas que responderam às opções 3 ou 5 somaram apenas 1% dos que moram com algum idoso e não foram incorporadas à análise. As categorias (2) preta e (4) parda foram analisadas conjuntamente (negro). A renda corresponde à renda domiciliar per capita em salários mínimos (SM) de 2020, que correspondia a R$ 1.045,00, e foi obtida a partir da questão: “Antes do início da pandemia do novo coronavírus, qual era a renda total do domicílio?”. A resposta a essa pergunta foi dividida pelo total de membros do domicílio e classificada em “1SM ou mais” e “Menos de 1SM”, per capita.

A variável número de moradores idosos foi definida a partir da pergunta: “Quantos moradores são idosos?”, sendo reagrupada em (1) um morador ou (2) dois ou mais.

Análise estatística

Estimou-se a prevalência de pessoas que moram com idoso com dependência funcional, além da sua distribuição percentual. Todas as análises foram feitas segundo sexo, raça/cor da pele, renda e número de moradores idosos. Para verificar a independência entre as variáveis, utilizou-se o teste qui-quadrado de Pearson Tabela 1. O percentual de presença de cuidador entre pessoas que moram com idoso com dependência funcional e teste de independência também foi estimado Tabela 2.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Prevalência de pessoas que moram com idosos com dependência funcional e sua distribuição, segundo características socioeconômicas e demográficas na pandemia de COVID-19. Brasil, 2020.

 

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Presença do cuidador contratado no domicílio com idoso com dependência funcional, segundo características socioeconômicas e demográficas na pandemia de COVID-19. Brasil, 2020.

 

A prevalência de aumento acentuado do cuidado relatado e idade média dos respondentes também foi estimada segundo as mesmas variáveis e por presença de cuidador contratado no domicílio. Em seguida, calculou-se a RP tendo como desfecho o aumento acentuado na carga do cuidado do idoso com dependência funcional relatado, segundo sexo, raça/cor da pele, renda e número de moradores idosos Tabela 3 e presença do cuidador Tabela 4, controlando por idade. A RP foi estimada ajustando-se modelos de regressão de Poisson com a variância robusta. Utilizou-se o intervalo de 95% de confiança (IC95%). Adicionalmente, estimou-se idade média daqueles que relataram aumento acentuado da carga do cuidado.

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Prevalência e idade média de pessoas que tiveram aumento acentuado na carga do cuidado do idoso com dependência funcional e razão de prevalência do aumento acentuado na carga de cuidado com idoso, segundo características socioeconômicas e demográficas na pandemia de COVID-19. Brasil, 2020.

 

 

 

Tab.: 4
Tabela 4 Prevalência pessoas que tiveram aumento acentuado na carga do cuidado do idoso com dependência funcional, idade média e razão de prevalência (RP) do aumento acentuado na carga de cuidado com idoso, segundo características socioeconômicas e demográficas e situação do cuidador, na pandemia de COVID-19. Brasil, 2020.

 

As análises foram realizadas no pacote estatístico SPSS 21 (https://www.ibm.com/), levando em consideração o peso amostral obtido para calibração da amostra.

Resultados

Dos 45.161 adultos participantes da ConVid, 36,6% declararam que moravam com pelo menos uma pessoa de 60 anos ou mais (16.217). Nos domicílios com idosos, 8,1% tinham pelo menos um idoso com dependência funcional. Entre estes, o cuidado foi realizado por uma pessoa contratada em 28% dos casos.

Foi observada desigualdade segundo renda na presença de idoso com dependência funcional, em que domicílios com menos de 1SM per capita têm maior prevalência de idoso com dependência funcional (11%, IC95%: 9,0-13,4) em relação aos de maior renda (6,2%, IC95%: 5,1-7,5). A distribuição percentual das pessoas que moram com idoso com dependência funcional, por sexo, raça/cor da pele, renda e número de moradores foi similar para todas as categorias analisadas Tabela 1.

Entre os que moram com idoso com dependência funcional, 72,1% nunca tiveram cuidador contratado (IC95%: 66,0-77,4). Enquanto 60,3% dos brancos declararam que nunca tiveram cuidador (IC95%: 52,3-67,8), entre as pessoas negras essa proporção foi de 83,6 (IC95%: 75,1-89,6). Essa proporção é 54,3% entre os de maior renda (IC95%: 43,9-64,4) e 83,4% entre os de menor renda (IC95%: 76,6-88,7). Observou-se que pessoas brancas relataram com maior frequência a interrupção do trabalho do cuidador contratado durante a pandemia (18,7%, IC95%: 13,0-26,2), em relação aos negros (4,7%, IC95%: 2,7-8,0). Ao analisar a presença de cuidador por renda, verificou-se um maior percentual de pessoas com 1SM ou mais que mantiveram o cuidador (27,6%, IC95%: 19,8-37,1), do que entre os com menos de 1SM (7,8%, IC95%: 4,3-13,7). O inverso ocorre ao verificar quem nunca teve cuidador Tabela 2.

Foi relatado aumento acentuado da carga do trabalho de cuidar do idoso com dependência funcional na pandemia por 27,7% (IC95%: 22,2-34,1), e a idade média dos respondentes foi de 48 anos. A população branca teve maior prevalência de relato de aumento acentuado nessa carga (36,8%, IC95%: 29,1-45,2), enquanto entre a população negra o aumento da carga do cuidado foi declarado por 18,9% (IC95%: 12,4-27,7).

As mulheres, quando comparadas aos homens, sentiram maior impacto no aumento da carga de trabalho de cuidar do idoso com dependência funcional (RP = 1,2, IC95%: 1,0-1,4). O aumento entre os brancos foi mais que o dobro (RP = 2,3, IC95%: 1,8-2,8) que entre a população negra. Pessoas de maior renda tiveram 1,4 vez maior probabilidade de relatarem aumento acentuado da carga do cuidado (RP = 1,4, IC95%: 1,1-1,7), se comparados com os de menor renda Tabela 3.

Verificou-se que 24,1% das mulheres tiveram aumento do trabalho de cuidar, mesmo mantendo o cuidador contratado (IC95%: 14,3-37,7), e que entre os homens nas mesmas condições, a prevalência foi de 18,1% (IC95%: 5,2-46,9). Entre os que não tinham cuidador, a prevalência das mulheres também foi alta (27,5%, IC95%: 19,0-38,1). A prevalência de aumento do trabalho de cuidar foi alta entre os brancos que deixaram de ter cuidador (62,4%, IC95%: 42,9-78,5) e, também, entre os que já não o tinham (35%, IC95% 25,0-46,6). Chama atenção que, entre pessoas com renda de 1SM ou mais que deixaram de ter cuidador, a prevalência de aumento do cuidado foi de 71,4% (IC95%: 53,2-84,6) Tabela 4.

Homens e pessoas de maior renda que deixaram de ter cuidador tiveram probabilidade quase três vezes maior de declarar aumento acentuado da carga do cuidado do idoso com dependência funcional (RP = 2,9, IC95%: 2,2-3,9; RP = 2,9, IC95%: 2,3-3,8, respectivamente). Já para as mulheres com a mesma condição, a razão de prevalência é duas vezes maior (RP = 2,2, IC95%: 1,6-2,8). Ao analisar o mesmo desfecho segundo raça/cor da pele, a probabilidade do perceber aumento no trabalho de cuidar do idoso com dependência funcional entre os brancos que perderam a ajuda do cuidador foi 70% maior (RP = 1,7, IC95%: 1,4-2,1). O aumento do trabalho de cuidar é similar entre domicílios com diferentes números de idosos, sendo um pouco maior entre os domicílios onde mora apenas um idoso que entre aqueles em que moram dois ou mais (RP = 2,6, IC95%: 2,0-3,4; RP = 2,2, IC95%: 1,6-3,0, respectivamente) Tabela 4.

Discussão

A prevalência de idosos com dependência funcional identificada nesta pesquisa é de 8,1%. Como mostrado por Campos et al. 28, a diversidade de definições e medidas da capacidade funcional existentes e as diferenças no processo de amostragem dificultam a comparabilidade da prevalência. Na ConVid pergunta-se apenas acerca daqueles idosos que possuem alguma necessidade de ajuda para a realização das atividades da vida diária, sem investigar os que precisam, mas não têm ajuda. Camarano 29 encontrou uma prevalência de 15,6% de idosos com limitações nas atividades da vida diária, porém observou que 53,4% desses precisam de cuidados (8,3%), achado similar ao desta pesquisa.

No século XXI, a ocupação de cuidador de idosos ganhou relevância não só como atividade econômica, mas também como problema de saúde pública, especialmente em países de baixa ou média renda 30 e transição demográfica acelerada 31. Os cuidadores fazem contribuições substanciais para os sistemas sociais e de saúde, fornecendo assistência às pessoas com deficiência e cuidando de idosos no ambiente domiciliar 30. No Brasil, verifica-se a desvalorização e distribuição desigual desse trabalho na população, que se intensificaram com a chegada da COVID-19.

A pandemia chega ao Brasil num contexto de crise no cuidado de idoso com dependência funcional, potencializada por três fatores: pela transição demográfica, com redução do tamanho da família e diminuição do número de familiares disponíveis para ajudar nos cuidados 32; pelo debilitamento da atenção básica e Estratégia Saúde da Família, um recurso importante de suporte de cuidados domiciliares 33, e pela crise econômica e pelo desemprego 34,35, diminuindo a capacidade da família para remunerar e terceirizar os cuidados dos idoso com dependência funcional da família.

Neste trabalho, observou-se que a parcela de domicílios com cuidador durante a pandemia foi de 16,2%, abaixo do encontrado em 2013 (17,8%) 36. Entretanto, se somados aqueles que deixaram de ter o cuidador por conta da pandemia, observa-se um percentual 10% maior (27,9%) que aquele de 2013. Duas hipóteses podem ser formuladas a partir do crescimento constatado: a primeira é que houve maior acesso das famílias brasileiras aos cuidadores formais desde 2013; a segunda é que o valor observado na ConVid pode estar enviesado pela amostragem, tendo menor representatividade da população pobre e menos escolarizada.

A redução de cuidadores formais durante a pandemia pode ser explicada pela decisão familiar de distanciamento social para redução do risco de contágio, e/ou pela redução da renda 37. Dados da PNAD mostraram perda de postos de trabalho doméstico (categoria que inclui os cuidadores de idoso com dependência funcional 38, que passou de 6,20 milhões em janeiro de 2020 para 4,71 milhões em junho do mesmo ano, uma redução de 24% 39.

A necessidade de distanciamento social para evitar o contágio pela COVID-19 alterou a organização e a intensidade do cuidado no ambiente domiciliar. Assim, idoso com dependência funcional e seus cuidadores se viram mais vulneráveis ao isolamento social, às dificuldades financeiras e de acesso aos suprimentos necessários ao cuidado 40. A proximidade física como fator de contágio 41 e a maior letalidade entre idosos com problemas crônicos de saúde 3 agudizaram a sobrecarga de trabalho das pessoas responsáveis pelo cuidado de idosos com fragilidades 42,43,44. Uma pesquisa recente em Myanmar mostrou que 60% dos cuidadores familiares de idosos sofreram sobrecarga moderada ou severa, evidenciando a necessidade de qualificação dos cuidadores e de visitação domiciliar 43.

As mulheres têm a maior carga de trabalho de cuidado de idosos no espaço doméstico e de forma gratuita 45. A histórica divisão sexual do trabalho, que associa a mulher ao espaço privado da casa e ao trabalho doméstico considerado “improdutivo”, se aprofundou no contexto de pandemia da COVID-19 46,47,48,49,50. Esse fato foi corroborado nos achados deste estudo, uma vez que as mulheres apresentaram maior probabilidade de aumento acentuado do cuidado do idoso com dependência funcional. Isso pode estar associado não apenas à maior responsabilização do cuidado às mulheres, atribuída culturalmente e pelo aumento da sobrecarga nos trabalhos domésticos e maternos por conta da pandemia 51. O fechamento temporário de postos de trabalho, escolas, creches e demais espaços públicos levou mulheres a assumir de forma desproporcional a carga de responsabilidades adicionais, como o cuidado em tempo integral e a educação dos filhos 47,48,51.

A desigualdade social no cuidado domiciliar não é expressa apenas no gênero, mas também na raça/cor da pele. A cultura do cuidado naturaliza o papel da mulher negra como cuidadora no ambiente doméstico 46. O racismo criou a “terceirização do trabalho doméstico”, em que mulheres negras, além do cuidado com suas próprias casas e famílias, trabalham no cuidado em casas de famílias brancas 52. Neste trabalho constatou-se maior probabilidade de aumento percebido no trabalho de cuidar de idoso com dependência funcional entre brancos, durante a pandemia. O que poderia soar contraintuitivo pode ser explicado pela histórica posição de escravização “dos cuidados” das pessoas negras 52. Com isso, poderia se concluir que, para negros, especialmente mulheres, a “crise dos cuidados” não começou com a pandemia. Em contrapartida, os brancos passaram a assumir tais funções com maior frequência, com a chegada da COVID-19 46, justificando a maior probabilidade de piora percebida neste grupo.

A pobreza durante o curso de vida eleva a demanda de cuidados custosos e especializados durante a velhice 53. Para além da associação entre menores níveis socioeconômicos e maior dependência, os achados do estudo apontaram que os mais pobres são também mais afetados quando já se encontram na condição de dependência, haja vista que estes contam com menor frequência com o suporte de um cuidador contratado. A ausência de suporte do Estado e da sociedade no cuidado de idoso com dependência funcional diminui ainda mais a chance de aumento na renda para pagar os altos custos de assistência hospitalar, domiciliar e institucional. Em conformidade com os achados desta pesquisa, estudos no Brasil 8 e na França 15 observaram dificuldades no acesso a cuidados formais por parte da população de baixo nível socioeconômico. Políticas públicas que apoiem melhor os cuidadores familiares de idosos, oferecendo, por exemplo, cuidadores temporários 8,29 ou redução das horas de trabalho 15 são possíveis formas de atenuar essa desigualdade. O direito à aposentadoria também é uma importante medida que pode ajudar a mitigar os efeitos da falta de suporte social aos cuidadores a longo prazo.

Para Kuchemann 31, a visão familista, segundo a qual cabe às famílias, e não ao Estado, a responsabilidade principal pelo cuidado das pessoas dependentes, junto às retrações nos investimentos públicos nos setores da saúde, educação e assistência social, aumenta a sobrecarga das pessoas cuidadoras.

As visitas domiciliares realizadas por equipes de saúde, segundo a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, muitas vezes são a única conexão eficiente entre a família, os idosos e a comunidade 54. Uma pesquisa sobre cuidados preventivos e suporte para adultos na Inglaterra afirmou que a estratégia de prevenção primária diminui o impacto da solidão e ajuda a prevenir doenças crônicas entre idosos 55.

Exemplos bem-sucedidos de políticas públicas de amparo ao cuidador familiar podem ser vistas tanto em outros países, como na Espanha, onde o serviço social providencia cuidadores formais e, em alguns casos, fornece ajuda financeira para a assistência do idoso, entre outros serviços 56. No Brasil, mais especificamente no Município de Belo Horizonte (Minas Gerais), há uma política intersetorial entre a assistência social e a saúde que disponibiliza cuidador formal para suporte ao idoso com dependência funcional 57. No âmbito nacional, as mudanças da Política Nacional de Atenção Básica desde 2017 e o modelo de desfinanciamento previsto diminuíram a presença de agentes comunitários, a capacidade da atenção primária e as equipes dos territórios, o que desamparou parte significativa da população brasileira 33, especialmente durante esta pandemia 58.

Apesar da relevância dos achados, limitações deste estudo devem ser consideradas. Em primeiro lugar, os achados do estudo devem ser lidos com cautela, pois se referem às percepções do cuidador no âmbito domiciliar, não sendo o respondente, necessariamente, o principal responsável pelos cuidados. A utilização de inquérito online pode ter enviesado a amostra para aqueles com melhores condições socioeconômicas, inclusão digital e escolaridade. Assumir que só um respondente de cada residência participou do inquérito pode ser outra limitação. Além disso, há de se considerar que este estudo foi realizado entre abril e maio de 2020, ou seja, no início da pandemia. Resultados diferentes podem aparecer em estudos realizados em períodos posteriores. A despeito das limitações pontuadas, os resultados aqui apresentados evidenciam que a análise foi suficientemente sensível para apontar as desigualdades na carga de cuidado das pessoas que moram com idoso com dependência funcional durante a pandemia.

Conclusão

Os principais resultados deste trabalho apontam que o cuidado de idoso com dependência funcional na unidade domiciliar é um desafio que se acentuou desde a chegada do novo coronavírus, já que a carga do cuidado desses idosos aumentou acentuadamente. A despeito da piora mais acentuada entre mulheres, verificou-se maior impacto da pandemia entre os grupos mais privilegiados, sendo eles pessoas brancas e com renda superior. Isso não necessariamente indica que a situação desses grupos é pior, mas que foi mais sentida entre eles no cenário aqui exposto. A população negra e de baixa renda já vem sofrendo os efeitos do trabalho de cuidar desde muito antes da pandemia, levando esses grupos a já conhecerem tal realidade. Em contrapartida, pessoas brancas e de alta renda passaram a vivenciar essa realidade com maior frequência no contexto da pandemia. Com isso, se vê que há um quadro generalizado de piora, em que a desassistência se expande, mantendo as piores condições entre os mais vulneráveis e passando também a atingir os grupos mais privilegiados.

Referências

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