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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

38 nº.1

Rio de Janeiro, Janeiro 2022


ARTIGO

Comportamento sedentário e associação com multimorbidade e padrões de multimorbidade em idosos brasileiros: dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019

Letícia Martins Cândido, Kátia Jakovljevic Pudla Wagner, Maria Eduarda da Costa, Eloísa Pavesi, Núbia Carelli Pereira de Avelar, Ana Lúcia Danielewicz

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00128221


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RESUMO
O comportamento sedentário emerge como um importante determinante da saúde da pessoa idosa, no entanto, sua relação com a multimorbidade e seus padrões de acometimento em estudos epidemiológicos têm sido pouco explorados na população brasileira. Tais associações poderão auxiliar na elaboração de políticas públicas visando à modificação desse comportamento. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre comportamento sedentário com multimorbidade e seus padrões em idosos brasileiros. Estudo transversal, com 43.554 idosos da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. O comportamento sedentário autorreferido foi categorizado em < 3; 3-6; e > 6 horas por dia. A presença de multimorbidade e seus padrões foram analisados pelo autorrelato da coexistência de duas ou mais doenças crônicas, sendo que os três padrões estabelecidos consideraram as doenças com características clínicas similares: (1) cardiopulmonar; (2) vascular-metabólico; e (3) mental-musculoesquelético. As associações foram realizadas pela regressão logística binária. Os idosos que despendiam 3-6 horas/dia em comportamento sedentário tiveram maiores chances (OR = 1,39; IC95%: 1,29; 1,50) de apresentar multimorbidade, padrão vascular-metabólico (OR = 1,39; IC95%: 1,29; 1,50) e mental-musculoesquelético (OR = 1,11; IC95%: 1,00; 1,24). Quando o comportamento sedentário foi > 6 horas/dia, houve maiores chances de multimorbidade (OR = 1,58; IC95%: 1,43; 1,74) e dos padrões cardiopulmonar (OR = 1,73; IC95%: 1,33; 2,27), vascular-metabólico (OR = 1,49; IC95%: 1,35; 1,64) e mental-musculoesquelético (OR = 1,15; IC95%: 1,01; 1,31), quando comparados àqueles que ficavam até 3 horas/dia. Dessa forma, evidenciou-se que tempos elevados em comportamento sedentário são fatores de risco relevantes para a ocorrência de multimorbidade e seus padrões em idosos.

Idoso; Multimorbidade; Comportamento Sedentário; Fatores de Risco


 

Introdução

No Brasil, de forma similar ao que ocorre mundialmente, tem-se observado um aumento expressivo da população idosa (maior de 60 anos), que em números absolutos passou de 3 para 32,9 milhões entre os anos de 1960 e 2019 1. Estima-se que, em 2050, em nível mundial, 1 em cada 6 indivíduos será idoso 2. Entre as Unidades Federativas brasileiras, a maior expectativa de vida encontrada foi em Santa Catarina (79,9 anos) e a menor no Maranhão (71,4 anos). Já em relação à proporção de idosos, nota-se que a região do Brasil com maior representatividade é a Sudeste com 46,2%, seguida de Nordeste (26,5%), Sul (15,9%), Centro-oeste (6,15%) e Norte (4,6%) 3. Apesar da notável conquista referente ao aumento da expectativa de vida, observa-se que muitos desses idosos envelhecem com incapacidade, pois, conforme fundamentado na declaração da Década do Envelhecimento Saudável Entre os Anos 2020-20304, esses anos mais longos não consideram as mudanças em níveis de morbidades ou outros indicadores de condições de saúde 5.

Observa-se que a população idosa tende a permanecer a maior parte do seu tempo diário em comportamento sedentário, como evidenciado no estudo de Malaquias et al. 6, que mostrou que pessoas com idade menor que 35 anos passam menos tempo em comportamento sedentário, enquanto aquelas com mais de 64 anos estão expostas a tempos prolongados em comportamento sedentário. Ademais, cerca de 80% do tempo acordado em idosos são despendidos em atividades sedentárias (8 a 12 horas por dia) 7,8,9,10,11,12,13,14. O comportamento sedentário engloba as atividades realizadas em vigília com gasto energético muito baixo, inferior a 1,5 equivalentes metabólicos, ou seja, equivalente à energia suficiente para se manter em repouso em termos de consumo de oxigênio de aproximadamente 3,5mL/kg/min 15,16. Existem diversas tipologias usadas para classificar o comportamento sedentário, as quais incluem, por exemplo, o tempo despendido em tarefas relacionadas ao transporte, leitura, alimentação e socialização. Além dessas, o “tempo de tela” tem sido o mais comumente analisado e associado a diferentes desfechos negativos de saúde 17,18,19, já que engloba qualquer tempo gasto em frente às telas de televisão, computador, celular e/ou tablet. Na última década, o tempo despendido em comportamento sedentário elevou 11,12 e os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 apresentaram que um terço da população adulta e idosa brasileira despende mais de 3 horas por dia em frente à televisão 20.

O tempo prolongado em comportamento sedentário está associado ao aumento na circunferência abdominal, baixa qualidade de vida e maior suscetibilidade à fragilidade e depressão 7,8,9,10,13,17. Recentemente, os maiores tempos em comportamento sedentário vêm sendo associados à presença de doenças agrupadas, como no caso da multimorbidade, que é a ocorrência simultânea de duas ou mais doenças. Além disso, indicadores socioeconômicos (como nível de escolaridade), estilo de vida (como consumo de álcool e inatividade física) e idade aumentada (entre 65-84 anos) também se apresentam como fatores de riscos para a presença de multimorbidade 21,22. Ressalta-se que, de acordo com os dados representativos de idosos brasileiros, a prevalência de multimorbidade foi superior à metade da população (53,1%), e sabe-se que a multimorbidade tem sido associada à morte prematura, assim como à redução da expectativa de vida e maiores prevalências de incapacidade funcional 23. No Brasil, um dos poucos estudos encontrados nessa temática utilizou os dados do inquérito Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2013, e observou que a presença de doenças crônicas foi maior entre os idosos que passavam mais tempo em frente à televisão 24.

É relativamente incomum que idosos sejam afetados por somente uma doença crônica, pois determinadas doenças tendem a se acumular no mesmo indivíduo devido aos seus mecanismos fisiopatológicos e/ou fatores de risco semelhantes, o que induz a padrões de multimorbidade que sistematicamente e casualmente se agrupam 25,26,27, tais como os padrões cardiopulmonar, vascular-metabólico e mental-musculoesquelético definidos por Rivera-Almaraz et al. 28. Algumas evidências demonstram que os idosos acometidos por padrões de multimorbidade apresentam maiores chances de incapacidade funcional 29,30, demência 25, institucionalização 31 e mortalidade 32.

Verifica-se que a relação entre comportamento sedentário e o acometimento por padrões de multimorbidade ainda é desconhecida na literatura e tal entendimento torna-se necessário devido à importância em integrar as necessidades complexas dos idosos, uma vez que os resultados de estudos com este objetivo poderão auxiliar na avaliação clínica de forma multidimensional no idoso. Além disso, servirá essencialmente para a proposição de ações e políticas direcionadas à promoção e prevenção na saúde que abordem mais especificamente o comportamento sedentário como potencial fator de risco para doenças crônicas, conforme preconizado pela Sociedade Americana de Geriatria 33, Política Nacional do Idoso 34 e recentes Diretrizes para Atividade Física e Comportamento Sedentário recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) 35. Assim, este estudo teve como objetivo verificar a associação entre o comportamento sedentário, multimorbidade e seus padrões em idosos brasileiros.

Métodos

Delineamento do estudo e população

É um estudo transversal, adotando-se as recomendações do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) 36. Foram analisados os dados da população idosa brasileira (≥ 60 anos) amostrada na PNS, realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 3. O projeto da PNS 2019 foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), sob o parecer nº 3.529.376, emitido em agosto de 2019.

Procedimentos de amostragem e coleta de dados

As entrevistas foram realizadas com a utilização de dispositivos móveis de coleta, programados com o questionário da pesquisa. Inicialmente, o entrevistador fez contato com a pessoa responsável ou com algum dos moradores do domicílio selecionado. Foram identificados: o informante (que respondeu ao questionário domiciliar) e todos os moradores do domicílio, bem como o morador de 15 anos ou mais de idade (que responderia à entrevista individual), o qual foi selecionado por meio de programa de seleção aleatória nos dispositivos móveis de coleta. As entrevistas foram agendadas nas datas e horários mais convenientes para os informantes, prevendo-se duas ou mais visitas a cada domicílio. O banco disponibilizado pelo IBGE apresenta dados de 279.382 indivíduos adultos, e destes, 43.554 são idosos com 60 anos ou mais. Porém, a proporção amostrada variou de acordo com o indicador de interesse 3.

A coleta de dados da PNS 2019 ocorreu entre os meses de agosto de 2019 e março de 2020. Maiores informações sobre a metodologia utilizada na PNS estão disponíveis em publicações prévias 36,37,38.

Variável de exposição

A variável de exposição foi o comportamento sedentário em tempo de tela 15. Essa variável foi obtida com o seguinte questionamento: “Em média, quantas horas por dia o(a) Sr.(a). costuma ficar assistindo à televisão (TV)?” e “Em um dia, quantas horas do seu tempo livre (excluindo o trabalho), o(a) Sr.(a). costuma usar computador, tablet ou celular para lazer, tais como: utilizar redes sociais, para ver notícias, vídeos, jogar, etc.?”. As opções de respostas incluíam: (1) menos de 1 hora; (2) 1 a menos de 2 horas; (3) 2 a menos de 3 horas; (4) 3 a menos de 6 horas; (5) Mais de 6 horas; e (6) Não realiza. Com base nas opções de respostas, o tempo despendido em comportamento sedentário foi categorizado e analisado no presente estudo em: (1) < 3 horas; (2) 3 a 6 horas; e (3) > 6 horas por dia, considerando-se as questões agrupadas do tempo gasto em frente à televisão e no computador, tablet ou celular (coletivamente chamado de “tempo de tela”) 39.

Desfecho do estudo

Os desfechos foram a presença de multimorbidade (sim e não), considerada como o autorrelato da coexistência de duas ou mais doenças crônicas 40,41 (hipertensão arterial sistêmica - HAS; diabetes; hipercolesterolemia; doenças do coração, tais como infarto, angina, insuficiência cardíaca ou outros; e asma ou bronquite asmática; acidente vascular encefálico - AVE; asma, artrite ou reumatismo; problema crônico de coluna; depressão; doenças do pulmão, tais como enfisema pulmonar, bronquite crônica ou doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC; câncer; doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho - DORT; e insuficiência renal crônica - IRC) e três padrões de multimorbidade (também categorizados em sim e não), considerando o autorrelato da ocorrência de duas ou mais doenças, anteriormente citadas, com características clínicas similares: (1) padrão cardiopulmonar: doença crônica no pulmão e doenças do coração; (2) padrão vascular-metabólico: HAS; diabetes; hipercolesterolemia; AVE; câncer e IRC; e (3) padrão mental-musculoesquelético: artrite ou reumatismo; problema crônico de coluna; DORT e depressão 28,42,43.

Variáveis de ajuste

As variáveis de ajustes foram analisadas em dois modelos separadamente. (1) variáveis sociodemográficas: sexo (feminino, masculino) 13, faixa etária (60-69, 70-79 e 80 anos ou mais) 44, escolaridade (sem escolaridade formal, 1-4 anos, 5-8, 9-11 e 12 ou mais anos) 44, estado civil (casado, divorciado/solteiro, viúvo) 26; (2) variáveis de estilo de vida: etilismo (nenhum consumo de bebida alcoólica, < 1 vez por mês, > 1 vez por mês) 26; tabagismo (sim, não) 26, índice de massa corporal - IMC (baixo peso < 22kg/m2, peso adequado 22-27kg/m2, excesso de peso > 27kg/m2) 45 e nível de atividade física no lazer (suficiente ou insuficientemente ativos) 35. Para classificar os idosos em fisicamente ativos (> 150 minutos semanais) ou insuficientemente ativos (< 150 minutos semanais) no lazer, foram considerados os autorrelatos das práticas em atividades físicas vigorosas (corrida/cooper, corrida em esteira, ginástica aeróbica/spinning/step/jump, futebol, basquetebol ou tênis) e atividades físicas leves/moderadas (caminhada, musculação, hidroginástica, ginástica/localizada/pilates/alongamento/ioga, natação, artes marciais/luta, bicicleta/bicicleta ergométrica, voleibol ou dança) 20,35,46,47.

Análise dos dados

Foi utilizado o programa estatístico Stata versão 15.0 (https://www.stata.com). Foram realizadas análises descritivas para todas as variáveis, com cálculo das prevalências e os respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Para testar as associações entre o comportamento sedentário com a presença de multimorbidade e dos seus padrões foram realizadas análises de regressão logística binária, estimando-se as odds ratio (OR) brutas e ajustadas e seus respectivos IC95%. Os resultados com valor de p ≤ 0,05 foram considerados estatisticamente significativos. Todas as análises consideraram o efeito do desenho do estudo, incorporando-se os pesos amostrais por meio do comando svy.

Resultados

Foram analisados os dados de 43.554 idosos, sendo a amostra composta predominantemente por mulheres (55,9%) e com faixa etária entre 60 e 69 anos (55,6%). Um terço dos idosos relatou ter estudado entre 1 e 4 anos e metade era casado. Em relação às características de estilo de vida, a maior parte da amostra disse ser insuficientemente ativo (81,3%), não fumar (88,2%) e não consumir bebida alcoólica (75,2%). Menos da metade dos idosos (43,8%) estava com peso adequado, e 40,6% tinham excesso de peso Tabela 1. Idosos que relataram comportamento sedentário de até 3 horas/dia representaram 68,8% da amostra, 20,1% relataram entre 3 e 6 horas/dia e 11% mais de 6 horas/dia.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Características sociodemográficas e de estilo de vida dos idosos brasileiros conforme a multimorbidade e os padrões de multimorbidade. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2019.

 

A prevalência de multimorbidade foi de 55,4% (IC95%: 54,6; 56,1). Em relação aos padrões de multimorbidade, observaram-se prevalências de 2,23% (IC95%: 2,35; 2,46) para o padrão cardiopulmonar, 13,6% (IC95%: 13,1; 14,1) para o padrão mental-musculoesquelético e 34,2% (IC95%: 33,5; 3,49) para o padrão vascular-metabólico.

Na Figura 1, são apresentadas as prevalências de multimorbidade e seus padrões conforme as categorias do comportamento sedentário. A prevalência de multimorbidade foi maior no tempo superior a 6 horas por dia, com 64,6%, da mesma forma para o padrão cardiopulmonar (3,5%), padrão mental-musculoesquelético (16%) e padrão vascular-metabólico (41,4%). Observou-se aumento na prevalência de todos os desfechos conforme o incremento no tempo de comportamento sedentário. Esse aumento foi de 13 pontos percentuais (p.p.) para a multimorbidade, 26p.p. para o padrão cardiopulmonar e 36p.p. no padrão vascular-metabólico, ao comparar aqueles que ficavam menos de 3 horas com os que ficavam 6 ou mais horas por dia em comportamento sedentário.

 

 

Figura 1 Prevalência de multimorbidade e padrões de multimorbidade segundo o tempo em comportamento sedentário entre idosos. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2019.

 

Nas Tabelas 2 e 3, estão apresentados os resultados das análises de regressão logística multivariável. Considerando o modelo final, ajustado para as variáveis sociodemográficas e de estilo de vida, verificaram-se associações positivas entre comportamento sedentário com a presença de multimorbidade e todos os padrões analisados. As chances de ter multimorbidade foram 39% maiores (IC95%: 1,29; 1,50) para os idosos que relataram permanecer entre 3 e 6 horas/dia em comportamento sedentário, e aumentaram para 58% (IC95%: 1,43; 1,74) naqueles com > 6 horas/dia, em comparação aos que permaneciam < 3 horas/dia.

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Análises bruta e ajustada da regressão logística multivariada entre o comportamento sedentário e os padrões de multimorbidade em idosos brasileiros. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2019.

 

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Análises bruta e ajustada da regressão logística multivariada entre o comportamento sedentário e a multimorbidade em idosos brasileiros. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2019.

 

As chances de apresentar os padrões de multimorbidade também foram mais elevadas para os idosos que permaneceram maiores tempos em comportamento sedentário, sendo 73% maiores (IC95%: 1,33; 2,27) no padrão cardiopulmonar, 49% (IC95%: 1,35; 1,64) no padrão vascular-metabólico e 15% (IC95%: 1,01; 1,31) no padrão mental-musculoesquelético para os idosos que ficavam mais de 6 horas/dia em comportamento sedentário quando comparados aos que ficavam até 3 horas/dia. Já para os idosos que relataram permanecer de 3 a 6 horas/dia em comportamento sedentário, as chances de apresentar acometimento nos padrões vascular-metabólico e mental-musculoesquelético foram 39% (IC95%: 1,29; 1,50) e 11% (IC95%: 1,00; 1,24) mais elevadas, respectivamente, quando comparados aos que ficavam até 3 horas/dia em comportamento sedentário.

Discussão

A principal evidência deste estudo foi a de que os idosos que despendem mais de 3 horas/dia em comportamento sedentário tiveram chances significativamente maiores de apresentar multimorbidade, assim como todos os seus padrões, quando comparados àqueles que ficavam menos de 3 horas neste comportamento. Ressalta-se que os idosos que permaneciam tempos superiores a 6 horas por dia em comportamento sedentário apresentaram as chances mais elevadas de acometimento por todos os desfechos analisados.

No presente estudo, o comportamento sedentário em até 3 horas/dia foi observado em aproximadamente 7 a cada 10 idosos. Dados similares aos do presente trabalho em relação à prevalência da multimorbidade foram encontrados por Violan et al. 43, Nunes et al. 22 e Melo & Lima 23, em que se mostra um fator preocupante, já que está associada aos maiores gastos em saúde 48. Ademais, o padrão vascular-metabólico foi mais prevalente em comparação aos outros padrões investigados. Yao et al. 49 também encontraram o padrão vascular-metabólico (HAS, dislipidemia, diabetes e AVE) como o mais prevalente em idosos chineses. As associações fisiopatológicas desse padrão podem ser explicadas pelo mecanismo dos distúrbios microvasculares (como retinopatia, nefropatia e neuropatia) e macrovasculares (como doença arterial coronariana, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, AVE e doença vascular periférica), advindas das complicações promovidas pela diabetes e doenças cardíacas 50.

As associações entre comportamento sedentário e multimorbidade verificadas neste trabalho foram similares às observadas por Christofoletti et al. 24, com maiores riscos de apresentar multimorbidade conforme o aumento do tempo em comportamento sedentário. Vancampfort et al. 21 avaliaram 34.129 adultos com idades ≥ 50 anos em seis países de baixa a média renda e relataram que a multimorbidade foi associada às maiores chances (OR = 1,41; IC95%: 1,19; 1,66) de apresentarem comportamento sedentário mais elevado (≥ 8 horas/dia), sugerindo que indivíduos com multimorbidade que vivem em países com condições socioeconômicas mais baixas são mais sedentários. Loprinzi 51 verificou que para cada aumento de 60 minutos por dia em comportamento sedentário, os idosos apresentavam índice de multimorbidade mais alto e chances elevadas de apresentar multimorbidade. A associação entre multimorbidade e comportamento sedentário pode ser justificada pelo fato de o comportamento sedentário contribuir para a redução da capacidade aeróbica, força muscular, função metabólica e controle glicêmico. Além disso, o comportamento sedentário elevado pode propiciar mudanças estruturais nas artérias e na função endotelial, ocasionando múltiplos processos inflamatórios, menor sensibilidade à insulina, encurtamento dos telômeros e alteração na função cognitiva 52,53,54,55. Todas essas alterações podem levar à perda da homeostase do corpo e sistemas, aumentando as possibilidades de aparecimento das doenças 56.

Em relação à associação entre o comportamento sedentário e a presença dos padrões de multimorbidade, verificaram-se maiores chances de acometimento no padrão vascular-metabólico para os idosos que permaneciam entre 3 e 6 horas por dia em comportamento sedentário. Schmid & Leitzmann 57 evidenciaram que o aumento de 2 horas/dia em comportamento sedentário foi relacionado a um aumento significativo no risco de câncer e esclarecem que o comportamento sedentário causa diminuição do gasto energético acompanhado de ganho de peso, facilitando a carcinogênese por diversas vias, dentre as quais destaca-se a resistência à insulina. Wilmot et al. 58 descrevem a relação entre o tempo sedentário com o aumento na incidência de diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, Bergouignan et al. 59 evidenciaram que o comportamento sedentário causa a desregulação metabólica por meio de quatro princípios: (1) resistência à insulina, (2) tráfego prejudicado de lipídios e hiperlipidemia, (3) mudança no uso do substrato para a glicose; e (4) mudança no tipo de fibra muscular e armazenamento de gordura ectópica. Nieste et al. 60 evidenciaram que reduzir o tempo sedentário em 1 hora/dia diminui os marcadores cardiometabólicos de risco à saúde, como circunferência da cintura, porcentagem de gordura e controle glicêmico. Dessa forma, aumentar o nível de atividade física e reduzir o comportamento sedentário são modificações eficazes para reduzir o risco de doenças nesse tipo de padrão, propiciando melhorias na ação da insulina, pressão arterial, dislipidemia e também melhorando a aptidão cardiorrespiratória e a longevidade 27,51,61.

No presente estudo, os idosos que relataram permanecer 6 ou mais horas por dia em comportamento sedentário tiveram maiores chances de acometimento no padrão cardiopulmonar. A pesquisa de Vaz Fragoso et al. 62 esclareceu que o estado sedentário elevado esteve associado à dispneia e ao comprometimento respiratório (volume expiratório forçado em 1 segundo e pressão inspiratória máxima menor que o limite inferior normal). De modo semelhante, o estudo de Kaneko 63 mostrou que maiores tempos em comportamento sedentário contribuíram para a redução da capacidade vital forçada, na qual esta relação pode ser pela diminuição da mobilidade do tórax e do abdômen advinda do tempo excessivo em comportamento sedentário, reforçando-se que a função pulmonar é um importante preditor de mortalidade cardiovascular. Thyfault et al. 53 apontaram que a interrupção do comportamento sedentário com exercício físico protege contra diminuições no volume sistólico, atrofia cardíaca e força muscular. Considerando indivíduos com DPOC já instalado, Alyami et al. 64 evidenciaram que a maior parte daqueles com > 40 anos permaneciam maiores períodos do dia em comportamento sedentário, quando comparados aos indivíduos saudáveis, sendo 25% maior o tempo em posições sentadas e 200% maior o tempo em posições deitadas 65.

Diante do exposto, cabe ressaltar que a OMS atualizou, em 2020, suas recomendações para a diminuição do comportamento sedentário e o concomitante aumento da prática de atividade física regular entre idosos, enfatizando que a adoção de comportamentos mais ativos são capazes de proteger a presença de multimorbidade 35. Foi recomendado que os idosos realizem semanalmente pelo menos 150 a 300 minutos de atividades físicas aeróbicas de moderada intensidade ou 75 a 150 minutos de atividades físicas aeróbicas de vigorosa intensidade. No entanto, essas diretrizes não oferecem recomendações sobre a quantidade de horas a serem consideradas e/ou evitadas no tempo sentado.

Apesar dos achados relevantes encontrados para os idosos brasileiros amostrados, cabe destacar algumas limitações do presente estudo, tais como o uso de medidas autorreferidas para avaliação do comportamento sedentário, as quais podem apresentar viés de informação pelo entrevistado, com a possibilidade de sub ou superestimação do tempo em comportamento sedentário 66. Apesar disso, vale lembrar que a avaliação subjetiva tende a ser mais fácil e com baixo custo, podendo ser empregada tanto em pesquisas epidemiológicas quanto nas avaliações de idosos na prática clínica. Ainda que o tempo gasto em frente às telas seja o mais comumente tipo de comportamento sedentário relatado pelos idosos 67, a ausência da avaliação de outras tipologias, assim como de outras categorias distintas de 3 horas/dia na classificação do comportamento sedentário 14 pela PNS, dificultou a comparação fidedigna dos nossos resultados com outros estudos brasileiros semelhantes.

Um ponto que merece ser destacado é que, com o estabelecimento do estado de pandemia em 2020 pela OMS devido ao novo coronavírus (COVID-19), o comportamento sedentário aumentou consideravelmente em idosos 12,68. Sabe-se que a presença de padrões de multimorbidade complica as pessoas infectadas 69, sendo, portanto, mais um motivo importante para buscar medidas preventivas contra as doenças crônicas, como a redução do tempo em comportamento sedentário em idosos. Além disso, conscientizar a substituição do comportamento sedentário por atividade física pelo tempo recomendado ou ocupação do tempo sentado por tarefas cognitivamente mais estimulantes (como ler ou jogar jogos de memória e de tabuleiro) 70.

Conclusão

Verificaram-se que os idosos que despendiam mais de 3 horas/dia em comportamento sedentário tiveram maiores chances de apresentar multimorbidade, assim como todos os seus padrões, quando comparados àqueles que ficavam até 3 horas neste comportamento. As chances de multimorbidade e seus diferentes padrões foram ainda maiores para os idosos que ficavam mais de 6 horas/dia em comportamento sedentário. Assim, acredita-se que os nossos resultados mostram a relevância de instituir programas com o objetivo de reduzir e/ou interromper o comportamento sedentário nos idosos brasileiros, uma vez que a presença de múltiplas doenças crônicas no mesmo indivíduo aumenta a sua necessidade de utilização de cuidados com a saúde e o seu risco de morte precoce. Além disso, políticas voltadas à modificação de fatores de risco comportamentais para a ocorrência de multimorbidade nessa população poderão refletir não somente na melhor qualidade de vida durante a longevidade, mas também na redução dos custos gerados pelo sistema público de saúde, já que com elas, espera-se alcançar a diminuição por consultas com profissionais de saúde, assistências ambulatoriais e hospitalizações.

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