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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

37 nº.10

Rio de Janeiro, Outubro 2021


ARTIGO

Dificuldade auditiva autorreferida e exposição ocupacional a agentes otoagressores: um estudo de base populacional

Danúbia Hillesheim, Fernanda Zucki, Simone Mariotti Roggia, Karina Mary de Paiva

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00202220


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RESUMO
O objetivo deste estudo foi estimar a associação entre dificuldade auditiva autorreferida e exposição ocupacional a agentes otoagressores em trabalhadores brasileiros. Trata-se de um estudo transversal realizado com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS-2013). A variável dependente foi a dificuldade auditiva autorreferida, e foram analisadas três exposições principais: ruído, poeira industrial e substâncias químicas. Realizou-se análise de regressão logística, estimando-se as odds ratio (OR) brutas e ajustadas, com intervalos de 95% de confiança (IC95%). As variáveis principais de exposição foram ajustadas entre si e pelas covariáveis sexo, idade, ambiente de trabalho, tempo de trabalho e hipertensão arterial. Participaram deste estudo 36.442 trabalhadores. Maior prevalência de dificuldade auditiva foi observada em indivíduos expostos à poeira industrial (9,9%) (p < 0,001). Além disso, quanto maior a idade do trabalhador e tempo de trabalho, maior foi a prevalência do desfecho (p < 0,001). Na análise ajustada, trabalhadores expostos a ruído apresentaram 1,65 vez mais chance de referir dificuldade auditiva, quando comparados aos indivíduos não expostos (p < 0,001). O mesmo ocorreu com trabalhadores expostos à poeira industrial (OR = 1,36) (p = 0,012). Não foi observada associação entre o desfecho e a variável exposição a substâncias químicas (p = 0,120). Observou-se associação entre dificuldade auditiva e exposição ocupacional a ruído e à poeira industrial em trabalhadores brasileiros. Reforçam-se a importância do aprimoramento de políticas públicas em saúde auditiva e o desenvolvimento de ações voltadas à prevenção e ao monitoramento auditivo em ambiente ocupacional.

Perda Auditiva; Saúde do Trabalhador; Inquéritos Epidemiológicos; Ruído; Poeira


 

Introdução

De acordo com o estudo Global Burden of Disease, a perda auditiva é a quarta principal causa de incapacidade em todo o mundo 1. Estima-se que, em 2050, mais de 900 milhões de pessoas terão algum tipo de perda auditiva 2. Esse déficit pode ser ocasionado por problemas genéticos, patologias infecciosas, doenças crônicas do ouvido, uso de medicamentos ototóxicos e, principalmente, exposição a riscos ocupacionais 3. Estudos apontaram que a prevalência de perda auditiva autorreferida em adultos (≥ 18 anos) pode variar de 17 a 19%, com gradativo aumento percentual em adultos mais velhos 4,5. Além disso, observando-se a estratificação etária, há baixo percentual de diagnóstico de deficiência auditiva em adultos jovens 6.

A exposição a ruído é estabelecida mundialmente como um problema de saúde pública, podendo ocasionar a perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Embora seja o mais prevalente, o ruído não é o único agente otoagressor, pois vibração 7,8, substâncias químicas 7,8 e alguns tipos de poeira 7,9 são apresentados pela literatura como passíveis de ocasionar alterações no sistema auditivo. A PAIR, nessa condição, é reconhecida como um agravo à saúde relacionada ao trabalho, de notificação compulsória 10. Apesar de a PAIR ser considerada totalmente passível de prevenção, ainda acomete entre 7 e 21% dos trabalhadores, tendo os países em desenvolvimento os riscos mais elevados 11,12. A exposição a produtos químicos potencialmente tóxicos ao sistema auditivo tem como vias de introdução a via digestiva, cutânea e a respiratória, sendo essa última a via de introdução da poeira 7.

A pluralidade das vias e formas de exposição no ambiente de trabalho, somada às questões inerentes ao próprio indivíduo exposto, como fatores genéticos e estilo de vida, são responsáveis pelo processo de adoecimento 13. O conhecimento dos fatores de risco nos ambientes ocupacionais tem contribuído para o enfrentamento desse problema, por meio de mudanças no processo de trabalho e da adoção de medidas de controle ambiental, minimizando a exposição e conscientizando empregadores e trabalhadores, em busca da atenção integral à saúde do trabalhador 14,15,16,17,18. Pesquisas nacionais acerca da exposição ocupacional a agentes otoagressores são escassas 19, especialmente com dados de inquéritos populacionais de trabalhadores informais, desassistidos por esferas sindicais, governamentais e acadêmicas 20.

Pesquisas recentes utilizaram dados de base populacional autorreferidos sobre percepção de riscos ocupacionais 20,21,22. Oenning et al. 21 observaram que os ambientes físico e psicossocial do trabalho podem estar associados à autoavaliação ruim de saúde. Soares et al. 22 consideraram os riscos ocupacionais como fatores de ajuste na associação encontrada entre deficiência auditiva e diabetes entre adultos no Brasil. Assunção et al. 20 encontraram uma prevalência de exposição a ruído em ambiente ocupacional variando de 21,9% a 40,9% nos estados brasileiros, com relatos de sintomas auditivos e extra-auditivos entre a população alvo.

Assim, entende-se que a vigilância das exposições ocupacionais é essencial na determinação do risco e da carga das doenças, porém, os métodos atuais de vigilância, muitas vezes, subestimam dados de morbimortalidade, o que tem estimulado o desenvolvimento de estudos de autopercepção dos trabalhadores em relação a problemas de saúde em larga escala 23,24,25. Destaca-se a importância do uso de dados de base populacional para o sistema nacional de saúde, tendo em vista que essas informações podem auxiliar no planejamento e monitoramento de ações voltadas à promoção, à prevenção e à proteção de agravos, além de contribuir para a análise de políticas públicas 26, ressaltando-se os dados da presente pesquisa que podem subsidiar as ações voltadas à saúde auditiva.

Diante desse contexto, o objetivo deste estudo foi estimar a associação entre dificuldade auditiva autorreferida e exposição ocupacional a agentes otoagressores em trabalhadores brasileiros.

Métodos

Delineamento do estudo e fonte de dados

Trata-se de um estudo transversal analítico, realizado com dados do inquérito da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS-2013). A PNS é uma pesquisa de abrangência nacional, desenvolvida pelo Ministério da Saúde e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo geral da PNS é produzir dados em âmbito nacional sobre a situação de saúde e estilo de vida da população brasileira 27.

A PNS contou com a participação total de 205.546 adultos entrevistados em 60.202 domicílios brasileiros. O processo de amostragem foi feito por conglomerados e dividido em três estágios. Informações minuciosas sobre o processo de amostragem, bem como sobre o método para coleta de dados foram descritas anteriormente 27,28.

O questionário aplicado por técnicos do IBGE foi composto por três partes: informações do domicílio, características gerais de todos os moradores do domicílio e informações de um morador adulto, com 18 anos ou mais de idade, selecionado com equiprobabilidade entre todos os residentes elegíveis. O questionário referente ao adulto forneceu a maioria das variáveis investigadas neste estudo. A amostra foi composta por trabalhadores adultos (≥ 18 anos) que estavam trabalhando dentro da semana de referência, que responderam à questão E1 do Módulo E do questionário: “Na semana de 21 a 27 de julho de 2013, você trabalhou ou estagiou, durante pelo menos uma hora, em alguma atividade remunerada em dinheiro?”, resultando em 36.442 trabalhadores brasileiros que poderiam estar formalmente ou informalmente empregados.

Variável dependente

A variável dependente foi a dificuldade auditiva autorreferida, obtida por meio da pergunta: “Em geral, que grau de dificuldade o(a) Sr(a) tem para ouvir?”. Os indivíduos eram orientados: "Ao responder à próxima pergunta leve em conta o aparelho auditivo, se o(a) sr(a) utilizar". A pergunta apresentava as seguintes categorias de resposta: nenhum, leve, médio, intenso e não consegue. Para este estudo, as categorias leve, médio, intenso e não consegue foram categorizadas como dificuldade positiva para ouvir (sim), e os indivíduos que relataram “nenhum” foram considerados sem dificuldade auditiva (não). Essa pergunta consta no Módulo N do questionário (percepção do estado de saúde).

Variáveis independentes

As variáveis independentes são oriundas do Módulo M (outras características do trabalho e apoio social), sendo obtidas por meio das perguntas: “Pensando em todos os seus trabalhos, o(a) Sr(a) está em exposição a ruído (barulho intenso) que pode afetar a sua saúde?”; “Pensando em todos os seus trabalhos, o(a) Sr(a) está exposto(a) a manuseio de substâncias químicas que podem afetar a sua saúde?” e “Pensando em todos os seus trabalhos, o(a) Sr(a) está em exposição à poeira industrial (pó de mármore) que pode afetar a sua saúde?”. Diante dessas questões, construíram-se as variáveis de exposição: ruído (não; sim), poeira industrial (não; sim) e substâncias químicas (não; sim).

Covariáveis

As covariáveis foram: sexo (masculino; feminino), idade (18-39; 40-59; 60 anos ou mais), raça (branca; preta; amarela; parda; indígena), ambiente de trabalho (aberto; fechado; ambos), tempo total de trabalho em anos completos (0-4; 5-9; 10 ou mais) e hipertensão arterial autorreferida (não; sim), coletada por meio da pergunta: “algum médico já lhe deu o diagnóstico de hipertensão arterial (pressão alta)?”.

Análise de dados

Inicialmente, foi realizada a análise descritiva de todas as variáveis, por meio do cálculo de frequências absolutas e relativas da amostra. Foram estimadas as prevalências de dificuldade auditiva segundo as variáveis de exposição e covariáveis da pesquisa, usando-se, para comparar as proporções, o teste de qui-quadrado de Pearson.

Tanto para a análise bruta (bivariada) quanto para a ajustada, a odds ratio (OR) foi utilizada como medida de associação, considerando-se, nas análises, os parâmetros amostrais e o delineamento do estudo (comando svy). Foi escolhida a técnica de regressão logística por se mostrar mais apropriada para eventos de baixa magnitude 29, a partir da prevalência de dificuldade auditiva encontrada no presente estudo.

As variáveis principais de exposição foram ajustadas entre si e pelas covariáveis que apresentaram valor de p < 0,20 na análise bruta (bivariada). As variáveis foram incluídas de forma simultânea na análise ajustada (método direto), com o intuito de avaliar o efeito dessas sobre o desfecho 30. Consideraram-se significativas aquelas que apresentaram um valor de p < 0,05 quando ajustadas pelas demais. Optou-se por apresentar, na tabela da análise ajustada, apenas as variáveis principais de exposição do estudo. As análises foram conduzidas no software Stata, versão 14.0 (https://www.stata.com).

Aspectos éticos

A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), em 8 de julho de 2013, sob o número 10853812.7.0000.0008, do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Todos os indivíduos que aceitaram participar da pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Além disso, destaca-se que são dados de domínio público e sem a identificação dos participantes.

Resultados

Participaram deste estudo 36.442 trabalhadores. A maior proporção da amostra foi composta por homens (53,4%), adultos mais jovens (50,4%) e indivíduos autodeclarados pardos (48,4%). Com relação ao ambiente ocupacional, 50,5% dos trabalhadores possuíam entre 0 e 4 anos de trabalho, seguidos pelos indivíduos com 10 anos ou mais (33,4%). Além disso, constatou-se maior prevalência de ambientes fechados de trabalho (50,5%). Dentre as exposições ocupacionais mais prevalentes, 30,5% estavam expostos a ruído, seguido pelas substâncias químicas (17,3%) e poeira industrial (8,2%). A dificuldade para ouvir foi referida por 6,8% dos participantes Tabela 1.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Caracterização e prevalência de dificuldade auditiva segundo características da amostra. Pesquisa Nacional de Saúde, 2013.

 

Houve maior prevalência de dificuldade para ouvir em homens (7,6%) e idosos (≥ 60 anos) (17%). Além disso, quanto maior o tempo de trabalho (em anos), maior foi a prevalência de dificuldade auditiva (8,9%) (p < 0,001). Também houve maior proporção do desfecho em trabalhadores expostos a ruído (8,9%), quando comparados aos indivíduos que referiram não estar (p < 0,001). O mesmo ocorreu com indivíduos expostos à poeira industrial (9,9%) e a substâncias químicas (8,6%) (p < 0,001) Tabela 1.

Na análise bruta, as três exposições principais estavam associadas ao desfecho (p < 0,001). Observou-se razão de chances de 1,64 (IC95%: 1,41-1,90) para o ruído, 1,37 (IC95%: 1,16-1,63) para as substâncias químicas e 1,66 (IC95%: 1,35-2,05) para a poeira industrial Tabela 2.

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Análise de regressão logística bruta entre agentes otoagressores, demais características da amostra e dificuldade auditiva. Pesquisa Nacional de Saúde, 2013.

 

Na análise ajustada, trabalhadores expostos a ruído apresentaram 1,65 (IC95%: 1,40-1,94) vez mais chance de referir dificuldade auditiva, quando comparados aos indivíduos não expostos a ruído (p < 0,001). O mesmo ocorreu com trabalhadores expostos à poeira industrial (OR = 1,36; IC95%: 1,06-1,74). Não foi observada associação estatisticamente significante entre dificuldade auditiva e exposição a substâncias químicas (IC95%: 0,96-1,37) Tabela 3.

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Análise de regressão logística ajustada entre agentes otoagressores e dificuldade auditiva. Pesquisa Nacional de Saúde, 2013.

 

Discussão

A prevalência de dificuldade auditiva autorreferida encontrada neste estudo foi de 6,8%, com maior prevalência em homens, idosos, expostos à poeira industrial, a ruído e a substâncias químicas. Quanto maior a idade do trabalhador e o tempo de trabalho, maior foi a prevalência do desfecho. Observou-se associação estatisticamente significante entre dificuldade auditiva autorreferida e exposição ocupacional a ruído e à poeira industrial em trabalhadores brasileiros. Não foi observada associação com a variável substâncias químicas.

Poucas pesquisas investigaram a prevalência de dificuldade auditiva autorreferida entre trabalhadores 31,32,33,34 e, quando realizadas, apresentavam métodos distintos, dificultando a comparação entre os achados deste estudo. Contudo, a prevalência de 6,8% de dificuldade auditiva encontrada é inferior aos resultados do inquérito National Health Interview Survey (NHIS) dos Estados Unidos, com prevalência de 10,5% de dificuldade auditiva autorreferida dentre 14.453 trabalhadores de diversas áreas 32.

Maior prevalência do desfecho também foi observada em indivíduos com idade maior ou igual a 60 anos e em indivíduos do sexo masculino. O fator idade é reconhecido como uma das principais causas de perda de audição, denominada age-related hearing loss (perda auditiva relacionada à idade) 35,36. A maior prevalência de perda auditiva em homens foi observada em todas as exposições ocupacionais avaliadas no estudo de carga global 37, assim como em estudos brasileiros 38,39. Tal fato pode ser explicado pelos homens ingressarem na força de trabalho mais cedo e estarem expostos a mais riscos ocupacionais, com possíveis implicações auditivas 40.

A associação entre dificuldade auditiva e ruído era esperada. Os resultados encontrados estão em convergência com diversas pesquisas 11,41,42. Dentre os fatores associados à perda auditiva em um estudo realizado na Coreia do Sul, destacou-se o ruído ocupacional com uma OR = 1,28, uma OR menor que a encontrada em nosso estudo 41.

A clássica definição da PAIR contempla a diminuição gradual da acuidade auditiva, de caráter irreversível 7. A sintomatologia abrange intercorrências auditivas (perda auditiva sensorioneural, zumbido, otalgia, intolerância a sons intensos e diminuição da inteligibilidade de fala) e não auditivas (estresse, irritação, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e problemas cardiovasculares) 11,43. Sua fisiopatologia aponta para danos às células ciliadas da cóclea e a sinaptopatia 44. A destruição do órgão de Corti pode ser o resultado de dois mecanismos: destruição mecânica, por exposição curta a intensidades extremas de ruído ou descompensação metabólica, após exposição prolongada a ruído 45.

Mesmo diante de seu caráter irreversível, a PAIR é considerada como o agravo auditivo mais prevenível 46. Os números, contudo, não são favoráveis, à medida que se estima que, das 466 milhões de pessoas no mundo que apresentam perda auditiva incapacitante, 16% possam ser atribuídas exclusivamente à exposição ocupacional a ruído 3,47. Observa-se queda da incidência da PAIR em países industrializados, provavelmente devido ao estabelecimento de medidas preventivas 11, aspecto não verificado em países em desenvolvimento, o que acarreta um impacto direto na qualidade da vida do trabalhador 48. O estudo de Masterson et al. 32 apontou a prevalência de 23% de dificuldade auditiva autorreferida, 15% de zumbido e 9% para ambas as variáveis entre os trabalhadores expostos a ruído ocupacional. Já os resultados de Kerns et al. 33 demonstraram que, dos 25% dos trabalhadores que tinham histórico de exposição a ruído ocupacional, 12% apresentavam dificuldade auditiva autorreferida, podendo ser atribuída à exposição a esse agente.

Com relação à poeira industrial, indivíduos expostos a ela apresentaram maiores chances de relatar dificuldade auditiva. O mecanismo responsável por essa associação pode estar relacionado ao fato de substâncias químicas, potencialmente ototóxicas, estarem presentes nas partículas de poeira. A poeira tem sido citada como meio de contaminação com outras substâncias químicas, tais como os pesticidas e o pó de chumbo 7; bem como causadora de problemas respiratórios 49,50,51,52,53,54, os quais podem ter influência no sistema auditivo 55,56. Além disso, em muitos ambientes de trabalho nos quais a poeira está presente, como construção civil 9 e marmorarias 57, em geral, os níveis de ruído também são elevados.

Não foi encontrado nenhum estudo que tenha utilizado especificamente o termo “poeira industrial” nem “pó de mármore” relacionado a dificuldades auditivas. Foram constatadas alterações auditivas autorreferidas em trabalhadores expostos à poeira existente na construção civil 9, indivíduos expostos à poeira ocasionada pelo desastre do World Trade Center, Estados Unidos 49,58, trabalhadores de agropecuária expostos a pó 59, fazendeiros de plantações de milho e soja e criadores de porcos expostos à poeira decorrente de operações de confinamento de grãos e de animais 50, bem como em aborígenes expostos à poeira geogênica 51. Além disso, constatou-se associação entre PAIR e chumbo no sangue em trabalhadores da construção naval expostos à poeira de metais 52. Salienta-se que, com exceção do estudo feito com aborígenes, em todos os demais estudos citados acima, os indivíduos estavam expostos também a outros riscos para alterações auditivas, tais como ruído e substâncias químicas.

O estudo de Santos et al. 9 constatou uma prevalência de handicap auditivo de 14,4% em trabalhadores da construção civil, sendo que a exposição à poeira (RP = 1,59) foi uma das associações encontradas. No estudo de Cone et al. 58, a prevalência de perda auditiva aumentou conforme o aumento dos níveis de poeira, de 1,3%, entre aqueles que não estavam na nuvem de poeira, para 2,2%, para aqueles que estavam na nuvem de poeira, mas eram capazes de ouvir, até 5,7%, para aqueles que estavam na nuvem de poeira, mas eram incapazes de ouvir. Os autores concluíram que efeitos adversos à saúde constatados nos sobreviventes do desastre do World Trade Center provavelmente foram resultantes dos efeitos combinados dos elevados níveis de ruído, da alta alcalinidade dos componentes do concreto e do gesso e da toxicidade das complexas misturas dos químicos constituintes.

Além dos tipos de poeiras citados acima, outros tipos têm sido relatados como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de alterações auditivas em trabalhadores, tais como poeira de chumbo 7. A poeira de chumbo também foi considerada como causadora de alterações no sistema auditivo central, sem alterações nos limiares auditivos, de crianças que acidentalmente entraram em contato com ela por meio das roupas dos pais que trabalhavam em uma fábrica de baterias ou com a tinta descascada de suas casas 60.

Nessa população, não foi evidenciada associação estatisticamente significante entre dificuldade auditiva e substâncias químicas. Esse achado vai de encontro às evidências de pesquisas recentes 11,61,62. Contudo, embora a variável substância química não tenha apresentado associação, reforça-se que a associação verificada com a poeira industrial não pode eliminar uma possível relação, visto que podem ser encontradas substâncias químicas nas partículas da poeira 7. Ainda, na presente pesquisa, não foi possível considerar, nas análises, exposições combinadas a fatores de risco. Uma revisão sistemática com metanálise 42 concluiu que há chances significativamente maiores de trabalhadores adquirirem uma perda auditiva quando são expostos a uma combinação de solventes e ruído, em vez de apenas solventes. Além disso, sabe-se que a perda auditiva ocasionada por ruído e/ou substâncias químicas, em geral, afeta, inicialmente, as frequências mais altas da audição, o que pode passar despercebido pelos indivíduos no início de uma perda, podendo haver prevalência subestimada.

Além de possíveis danos ao sistema auditivo, as substâncias químicas também podem provocar intoxicação. No ano de 2017, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX) registrou 76.115 casos de intoxicação humana por agentes tóxicos, sendo que 5,53% dos casos foram em ambiente ocupacional 63.

A perda auditiva também é resultado de um acúmulo de processos de exposição que envolvem atitudes individuais e mudanças ambientais aliadas ao processo do envelhecimento, já que a idade é o maior fator de risco para a perda auditiva 35. As transformações sociais têm influenciado os comportamentos de lazer, especialmente quando se trata do uso crescente de fones de ouvido. Imam & Hannan 64 citaram que há risco em desenvolver uma perda auditiva permanente em exposição a níveis de ruído acima de 89dB por mais de cinco horas por semana. Dessa forma, o conhecimento da população quanto aos riscos de exposições a ambientes e situações ruidosas torna-se essencial, como medida de prevenção, além de ressaltar outros fatores de risco modificáveis, como tabagismo, sedentarismo e diabetes 65.

Apesar dos esforços voltados à implantação de programas de prevenção da perda auditiva ocupacional, como os programas de conservação auditiva, observa-se que os níveis de ruído reduzem no ambiente de trabalho, mas as medidas de controle, por voltarem-se majoritariamente para o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), ainda necessitam ser fortalecidas, tendo em vista sua efetividade apenas em curto prazo 66. A Saúde do Trabalhador, que envolve ações de assistência, promoção, vigilância e prevenção dos agravos, sofreu um avanço considerável a partir da consolidação das políticas públicas de atenção integral em Saúde do Trabalhador 67. Apesar das práticas em Saúde do Trabalhador no Sistema Único de Saúde (SUS) serem implementadas de forma lenta e com limitações, é possível observar avanços na compreensão e no enfrentamento dos desafios 68.

Faz-se necessário ressaltar que alguns elementos devem ser considerados ao interpretar os resultados desta pesquisa. O uso de medidas autorreferidas pode ser considerado uma limitação, sobretudo a medida de percepção auditiva. Contudo, apesar de o autorrelato apresentar limitações em função de seu caráter subjetivo, autores apontaram que a percepção auditiva possui elevados valores de sensibilidade e especificidade, podendo ser uma ferramenta confiável em estudos populacionais que, logisticamente, inviabilizam a realização de exames clínicos, como a audiometria tonal liminar 69. Além disso, no presente estudo, não foram considerados o uso de EPI e de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) nas análises, embora a prevalência de utilização de AASI entre os trabalhadores tenha sido pequena (0,1%) (n = 47). Com relação ao EPI, essa informação não estava disponível no banco de dados.

Como potencialidade, destaca-se a investigação das associações em uma amostra representativa do Brasil. Os métodos utilizados também são um ponto forte, ressaltando que os inquéritos de saúde se constituem em um importante método de coleta de dados epidemiológicos, capazes de embasar ações de promoção de saúde mais eficazes. Para o futuro, sugere-se a realização de pesquisas que incluam, em suas análises, exposições combinadas a agentes otoagressivos, além da recomendação da coleta de medidas objetivas, por meio de exames audiológicos, que possam avaliar tanto o sistema auditivo periférico quanto o central. Investigações acerca da relação entre perda de audição e agentes otoagressivos específicos também são indicadas.

Conclui-se que houve associação entre dificuldade auditiva autorreferida e exposição ocupacional a ruído e à poeira industrial em trabalhadores brasileiros. É necessário motivar gestores públicos a desenvolver e a implementar estratégias que tenham o ambiente ocupacional no centro das discussões. Dessa maneira, será possível promover a melhoria das condições de saúde dos trabalhadores.

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