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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

37 nº.10

Rio de Janeiro, Outubro 2021


ARTIGO

Percepções e práticas intergeracionais de mulheres quilombolas sobre aleitamento materno e alimentação infantil, Goiás, Brasil

Priscila Olin Silva, Muriel Bauermann Gubert, Amanda Kellen Pereira da Silva, Lucélia Luiz Pereira, Leonor Maria Pacheco Santos, Gabriela Buccini

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00148720


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RESUMO
Estudo qualitativo exploratório com objetivo de identificar aspectos socioculturais e intergeracionais nas percepções e práticas sobre alimentação infantil entre mulheres quilombolas. Um grupo focal com 12 mães e outro com quatro avós de crianças menores de cinco anos foi realizado em uma comunidade quilombola rural em Goiás, Brasil. Para análise dos dados empregou-se análise de conteúdo na modalidade temática, da qual emergiram quatro temas centrais e respectivos subtemas, que foram posteriormente representados em modelo conceitual socioecológico com quatro níveis de influência sobre o desfecho da alimentação infantil. O tema 1 tratou dos motivos para amamentar que incluiu a saúde da criança, questões financeiras e sentimento materno positivo em relação à amamentação. O tema 2 englobou fatores que influenciam negativamente o aleitamento materno, como a percepção de “pouco leite”, o uso de chás, nova gravidez da mãe e características da criança. O tema 3 tratou da alimentação complementar, geralmente introduzida precocemente, incluindo alimentos consumidos pela família e alimentos ultraprocessados. O tema 4 abordou a rede de suporte, composta pela dimensão familiar/comunitária, com destaque para o papel das avós, atuando na transmissão intergeracional de conhecimentos tradicionais e no apoio às mães, e os serviços de saúde, com oferta de ações educativas sobre aleitamento materno, tendo menor participação nas decisões e práticas das mulheres quilombolas. A promoção de práticas alimentares infantis adequadas e saudáveis precisa considerar aspectos do contexto sociocultural de mulheres quilombolas e se pautar em abordagens emancipatórias, garantindo uma atenção qualificada à essa população.

Grupo com Ancestrais do Continente Africano; Aleitamento Materno; Alimentação Complementar; Pesquisa Qualitativa


 

Introdução

Comunidades quilombolas são “grupos étnico-raciais segundo critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida1. Mesmo após reconhecimento constitucional e intensa trajetória de luta dos movimentos sociais, essas populações ainda estão submetidas à marginalização social, acesso limitado às políticas públicas e racismo institucional, apresentando indicadores sociais e de saúde mais desfavoráveis do que a população em geral 2,3,4,5. Neste contexto de iniquidades, vulnerabilidade e altas prevalências de insegurança alimentar, o aleitamento materno e a alimentação complementar oportuna se tornam ainda mais cruciais 6, como práticas com fortes evidências de benefícios para a saúde materno-infantil 7.

Fatores sociais, psicológicos e culturais influenciam como crianças são alimentadas 8,9,10. A rede social familiar da mulher se configura em um dos fatores determinantes das práticas de alimentação infantil, em especial no sucesso da amamentação 11,12,13. A transmissão intergeracional de conhecimentos e tradições de mulheres mais velhas - como as avós - para as mais jovens é um componente central nas práticas que serão adotadas durante o aleitamento materno e a alimentação complementar 14,15,16. Práticas e conhecimentos intergeracionais são um conjunto de elementos culturais que compõem a identidade e história de um determinado grupo social, inseridos em um processo de produção e reprodução desses elementos através de gerações, focalizado, sobretudo, no âmbito da família 17,18. Dessa forma, compreender a influência intergeracional na alimentação de crianças quilombolas é um aspecto crítico, uma vez que a transmissão intergeracional nessas comunidades é um elemento de valorização e manutenção de conhecimentos ancestrais da cultura negra, envolvendo elementos como oralidade e circularidade 17,18,19.

No entanto, a alimentação de crianças quilombolas têm sido abordada apenas pontualmente em estudos epidemiológicos sobre saúde e nutrição, revelando a amamentação como prática comum nas comunidades, mas com baixas prevalências de aleitamento materno exclusivo (AME) nos primeiros seis meses de idade, ou seja, quando há oferta apenas de leite materno, sem outros líquidos ou alimentos 4,20,21,22,23. Recente estudo qualitativo com mulheres quilombolas, que se debruçou sobre o tema do aleitamento materno 24, evidenciou o saber intergeracional, incluindo a influência de avós e outras mulheres, como uma barreira para o AME.

Nesse contexto, dar voz às narrativas das mulheres quilombolas e suas práticas de cuidado e alimentação traz visibilidade à dimensão coletiva da vivência ancestral da comunidade, em contraposição ao modelo hegemônico em saúde. Assim, esse estudo buscou investigar as percepções e práticas intergeracionais de mães e avós quilombolas na alimentação infantil.

Métodos

Estudo de caso exploratório que utilizou a abordagem qualitativa para identificar um conjunto de significados, crenças, motivos e atitudes 25,26 sobre as práticas de alimentação infantil nas comunidades quilombolas.

Contexto

O presente estudo foi desenvolvido em uma das nove comunidades quilombolas do Estado de Goiás, Brasil, incluídas no projeto Saúde e Qualidade de Vida de Comunidades Quilombolas de Diferentes Regiões Brasileiras: um Estudo Multicêntrico, realizado em comunidades quilombolas certificadas, não tituladas e rurais nos estados de Alagoas, Goiás e Rio Grande do Sul.

A comunidade quilombola em estudo localiza-se no norte de Goiás e foi certificada pela Fundação Cultural Palmares em 2006. É composta por 52 famílias, com uma população de 207 pessoas, sendo 16% crianças menores de cinco anos. As famílias da comunidade recebem visitas de agentes comunitários de saúde, porém, não há unidade básica de saúde (UBS); o único equipamento social no território é uma escola municipal que oferece os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Participantes

Para seleção das participantes, foi realizado contato com as lideranças da comunidade e reunião in loco para apresentação da pesquisa e aceite formal de sua realização. Em seguida, com apoio de uma moradora, foram identificadas e convidadas a participar do estudo todas as mães e avós de crianças < 5 anos da comunidade.

Obtenção e análise do material empírico

Para a coleta utilizou-se a técnica do grupo focal, que tem como intenção permitir que os participantes expressem opiniões, percepções e sentimentos em relação a questões específicas, possibilitando identificar experiências e necessidades 27.

Os grupos focais foram moderados pela primeira autora (P.O.S.), com a participação de uma observadora (A.K.P.S.), que registrou as conversas durante a dinâmica. Foram utilizados roteiros orientadores, contendo questões relativas à prática do aleitamento materno na comunidade, experiências individuais com o aleitamento materno, alimentação da mulher que amamenta, uso de bicos artificiais pelas crianças e introdução da alimentação complementar. Os grupos focais ocorreram no quintal da casa da liderança da comunidade. Os encontros foram iniciados com apresentação das moderadoras e do objetivo dos grupos, seguida por apresentação breve das participantes. O áudio dos grupos focais foi gravado e posteriormente transcrito na íntegra. A transcrição foi conferida pela primeira autora para garantia de acurácia.

Foi realizado um grupo focal com as avós e outro com as mães, em dias previamente agendados, em junho de 2019. Apesar de não existir uma regra única para a composição dos grupos focais, recomenda-se que ele deva atender aos objetivos da pesquisa, podendo requerer subgrupos, à medida que algumas características possam influenciar os resultados do estudo de modo não controlado 28. No presente estudo, optou-se por fazer grupos focais separados para mães e avós para possibilitar a captação de semelhanças e diferenças entre os grupos, sem que houvesse influência das falas de umas sobre as outras.

A análise do material empírico baseou-se na análise de conteúdo na vertente temática, adaptada de Bardin 29. No processo de análise foram identificadas as ideias-chave nas falas, a partir das quais foram construídos temas centrais e subtemas. A análise foi realizada conforme passos propostos por Bradley et al. 30 Quadro 1. Os trechos das falas foram identificados no texto pelas siglas GFM (grupo focal mães) e GFA (grupo focal avós).

 

 

Quadro 1 Passos do processo de análise de conteúdo temática dos grupos focais com mulheres de uma comunidade quilombola. Estado de Goiás, Brasil, 2019.

 

O material empírico resultante da análise dos grupos focais foi representado em um modelo conceitual multinível baseado no modelo socioecológico, adaptado de Klassen et al. 31, partindo da compreensão que a interrelação entre fatores individuais, familiares, da comunidade e da sociedade influenciam as práticas alimentares de crianças quilombolas.

Aspectos éticos

Projeto matriz aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas, sob parecer nº 47356415.4.0000.5013. As lideranças das comunidades assinaram Termo de Anuência e os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Participaram do GFA quatro mulheres e do GFM, 12 mulheres, cujas características sociodemográficas são apresentadas na Tabela 1.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Características sociodemográficas de mulheres participantes dos grupos focais em uma comunidade quilombola. Estado de Goiás, Brasil.

 

Emergiram na análise dos grupos focais quatro temas centrais com respectivos subtemas Quadro 2: (1) motivos para amamentar; (2) fatores que influenciam negativamente o aleitamento materno; (3) alimentação complementar; e (4) rede de suporte. O modelo conceitual desenvolvido pelas autoras Figura 1 foi composto por quatro níveis, que dialogam com os temas e subtemas construídos: o nível Individual trata de aspectos relacionados à mãe e à criança; o Intergeracional engloba fatores relacionados ao papel das avós na transmissão de conhecimentos e práticas e no cuidado com a mãe e a criança; o Comunitário/cultural trata de questões relacionadas à cultura da comunidade e aspectos financeiros; e o nível de Política Pública engloba os serviços de atenção à saúde que a comunidade acessa. É importante ressaltar que a construção do modelo conceitual levou em conta a forma como os elementos abordados pelas participantes influenciam a alimentação infantil. Os temas centrais são compostos por elementos que se distribuem entre os níveis do modelo, com um mesmo tema podendo ter subtemas pertencentes a níveis diferentes, desde o individual ao de políticas públicas.

 

 

Quadro 2 Temas centrais e subtemas identificados nos grupos focais com mulheres de uma comunidade quilombola. Estado de Goiás, Brasil, 2019.

 

 

 

Figura 1 Modelo conceitual sobre as influências na alimentação infantil identificadas em grupos focais com mulheres de uma comunidade quilombola. Estado de Goiás, Brasil, 2019.

 

Motivos para amamentar

Há a percepção de que o aleitamento materno é uma forma saudável de alimentar as crianças nos primeiros meses de vida, demonstrando uma valoração positiva do aleitamento materno nos dois grupos focais. Além disso, amamentar significa deixar de gastar com outros alimentos, como substitutos do leite materno, indicando o aleitamento materno como vantajoso financeiramente. O ato de amamentar foi descrito como um costume reproduzido pelas mulheres na comunidade ao longo do tempo, e isso parece exercer influência positiva sobre a decisão das mães.

Outro motivo para amamentar é o sentimento de satisfação das mães com a possibilidade de alimentar o filho, contribuindo para seu crescimento e saúde.

Um momento de felicidade que você vê o bichinho ali, fortinho ali, e você dando de mamar a ele. Nós ficamos feliz demais de ver o seu filho sadio ali, segurando o peito para ele. Você fica feliz, que você olha, você vê, fala, graças a Deus” (GFA).

Apesar da maioria das mulheres expressarem um sentimento positivo como motivador para a amamentação, houve relatos de mulheres que não gostaram da experiência de amamentar. Todavia, independentemente do sentimento materno em relação ao aleitamento materno, a preocupação com a saúde da criança é, nessa comunidade, preponderante na decisão materna de amamentar.

Não achei graça [na amamentação] (...). Você dá mesmo pela saúde, porque é o jeito também, não porque é gostoso, [ou uma] sensação boa...” (GFM).

Fatores que influenciam negativamente o aleitamento materno

A dificuldade para amamentar no primeiro dia pós-parto foi mencionada pelas participantes, havendo diferenças pelo tipo e local de parto. Quando o parto ocorre em casa, há uma prática da comunidade de iniciar a amamentação apenas no dia seguinte ao nascimento da criança, quando a quantidade de leite produzida pela mãe seria maior. Quando o parto é realizado no hospital, logo após o nascimento, a mãe é estimulada a amamentar pela equipe de saúde, ainda que encontre dificuldades.

A oferta de chás para a criança em substituição ao colostro, inclusive imediatamente após o nascimento, é relatada como recorrente nos primeiros dias pós-parto, quando considera-se que a mãe ainda não tem leite suficiente para amamentar. Nos primeiros meses de vida, essa oferta ocorre também para aliviar dores (perspectiva curativa), geralmente com uso de ervas medicinais cultivadas nos quintais.

Agora aqui em casa não, ganhava [a criança] hoje, no outro dia você não tinha leite, não é? Aí dava um chá para o menino (...). Quando era no outro dia [pós-parto] que o peito amanhecia mais cheio que ia puxar” (GFA).

Os dois grupos expressaram a percepção de “pouco leite”, ou seja, de que algumas mães produziam menor quantidade de leite do que a criança necessitava, levando à complementação ou substituição do leite materno com outro leite ou chás, geralmente oferecidos na mamadeira.

No GFA, o uso de mamadeira se mostrou como uma prática não usual, vista como algo “moderno”, e que era adotada na sua época apenas em casos de justificada “necessidade”, como em situações em que se acreditava na impossibilidade da mãe produzir leite ou durante momentos de ausência materna no domicílio. Já no GFM, o uso de mamadeira pareceu mais naturalizado, principalmente como forma complementar ao leite materno, quando a criança completa seis meses de idade e a mãe considera que o leite materno não é mais suficiente para suprir suas necessidades, sendo complementado com fórmulas infantis, alimentos ultraprocessados à base de cereais e outros leites.

Depois de seis meses, aí tem que complementar, porque ninguém consegue manter só no peito, então, aí já complementa...” (GFM).

Com relação às características maternas, uma nova gravidez foi apontada por mães e avós como o principal motivo para o desmame, sendo uma prática consolidada entre as mulheres na comunidade. Quando questionadas sobre o planejamento familiar, as participantes não o reconheceram como um serviço acessível, vendo como um benefício exclusivo de famílias com alto poder aquisitivo. Apesar disso, as mães participantes foram unânimes em relatar que não havia diferença na prática da amamentação o fato de um filho ser planejado ou não.

Eu acho que esse negócio de planejar filho fica para gente rica, a gente pobre, a gente não pensa, só faz, e cria, e pronto” (GFM).

A amamentação do primeiro filho foi citada como a mais desafiadora, pela falta de conhecimento e de acesso ao manejo oportuno para lidar com as dificuldades na amamentação, incluindo problemas relacionados ao mamilo (mamilo plano ou invertido).

O nascimento dos dentes foi apontado pelos dois grupos como motivo para o desmame, pois, segundo as participantes, causa desconforto na mãe e é visto como um sinal fisiológico de que a criança já está pronta para receber outros alimentos e o aleitamento materno pode ser interrompido.

Porque já nascia os dentes tudinho, aí começava a morder, (...), então, agora você já está mordendo vai para o feijão, aí dava só o feijão com arroz e desmamava” (GFA).

Outro motivo para desmame citado pelas avós foi a questão estética relacionada ao formato dos seios após a amamentação, sendo uma preocupação que passou a ocorrer mais recentemente, demonstrando a influência do padrão estético moderno nas práticas de amamentação.

Alimentação complementar

Segundo as participantes, a introdução de outros alimentos, além do leite materno, pode ou deve ser feita em momentos que variaram de “três meses” a “pouco antes de um ano”, com uma referência ao momento de interrupção do aleitamento materno, sem mencionar idade específica. Para algumas mães, a introdução de outros alimentos remete apenas à “comida de sal”, ou “comida da família”, sem considerar outros líquidos e alimentos oferecidos, inclusive na mamadeira.

De forma geral, a duração total do aleitamento materno é determinada pela mãe, porém, em alguns casos, a criança voluntariamente inicia o desmame. Em ambos os grupos se relatou que as crianças na comunidade costumam ser amamentadas até um ano e meio, idade em que as mães já consideram que não é mais necessário amamentar.

É porque, no caso, nós paramos de dar de mamar com um ano e meio, porque já tava o meninão grandão já…” (GFA).

Os primeiros alimentos oferecidos às crianças são aqueles que fazem parte do hábito alimentar da família, sendo abóbora, feijão (principalmente o caldo), batata, sopa, mandioca e cuscuz os principais alimentos mencionados. Alguns alimentos, como carnes gordurosas e a feijão (um tipo de leguminosa, também conhecida como fava), são considerados “pesados” e não devem ser oferecidos para as crianças nessa fase, pois elas ainda não têm o sistema digestório desenvolvido o suficiente para digerir esses alimentos.

No GFA, algumas falas sugerem mudanças nos hábitos alimentares da comunidade, tanto com relação à menor aceitação pelas crianças de alguns alimentos antes consumidos rotineiramente, quanto no que diz respeito à forma de acessar determinados alimentos. Segundo os relatos, alguns alimentos antes obtidos de forma artesanal, como a farinha de milho para cuscuz, agora podem ser adquiridos prontos no comércio, reduzindo o trabalho, especialmente da mulher. Houve relatos de oferta de alimentos ultraprocessados, como bebidas lácteas e bolachas.

Identificou-se uma certa autonomia das crianças para escolhas alimentares, quando algumas das participantes do GFM relataram que as crianças preferiam “comida de sal” à mamadeira.

Até hoje come feijão com arroz, porque eles não tomavam mamadeira. Aí eu tentava e [ele] chorava para não tomar mamadeira. Aí eu tive que sustentar no peito até eles comer comida de sal...” (GFM).

Rede de suporte: o papel das avós e dos serviços de saúde

A participação das avós no cuidado com as crianças e mães, e na transmissão de conhecimentos, práticas e experiências foi relatado como algo positivo pelas participantes. Essa “transmissão” dá-se tanto pela oralidade, quanto pelas próprias ações executadas pela avó.

Maravilhoso… O que seria da gente sem as avós? Eu não sabia de nada” (GFM).

No GFA, as participantes relataram que ensinam às filhas sobre práticas pautadas na experiência própria e no conhecimento acumulado. Um exemplo da transmissão intergeracional de conhecimentos é a oferta de chás às crianças, prática recomendada pelas avós ou realizada diretamente por elas.

A atuação dos serviços de saúde, na visão das participantes, inclui ações diretas de manejo e ações educativas, como palestras em unidades de saúde, além da assistência pré-natal no serviço público, uma prática que se tornou mais frequente atualmente, segundo relatos das avós.

Eu tive no hospital, quando eu ganhei o segundo, eles davam palestra para ensinar como é que era” (GFM).

Identificou-se dissonâncias entre práticas da assistência prestada pelos serviços de saúde e práticas tradicionais da comunidade quilombola. A amamentação cruzada apareceu nos relatos do GFA como uma alternativa na comunidade, quando a mãe não consegue amamentar nos primeiros dias. O mesmo aconteceu com a recomendação de chá logo após o nascimento, pelas avós.

A alimentação da nutriz também é ponto de divergências. Mulheres que tiveram partos no hospital relataram que alguns alimentos considerados “proibidos” no pós-parto segundo as tradições da comunidade, como o repolho, foram ofertados pelo serviço de saúde. Além disso, relataram que o parto do tipo cesariana implica em mais restrições alimentares, contudo, essas restrições não foram detalhadas pelas mulheres.

No hospital, aí chega com os pratos daquelas coisas que a gente não pode comer em casa [após o parto]. E chega com aquele prato, só que muitas das vezes faz a gente passar mal” (GFM).

As participantes citaram alimentos considerados proibidos ou recomendados no que diz respeito à produção de leite a partir de recomendações da família/comunidade, e apenas uma feita por um profissional de saúde. Entre os alimentos que estimulam a produção de leite foram citados: líquidos, canjica, cuscuz, cerveja e carnes; entre os alimentos que fazem “secar” o leite estão carnes de caça, manga e resina da árvore de angico, que costuma ser consumida pelos moradores.

Discussão

Este estudo evidenciou que as práticas de alimentação infantil na comunidade quilombola preservam tradições, valores e conhecimentos tradicionais ligados à cultura afrodiaspórica, que são transmitidos entre gerações e permeiam as relações entre mães, filhos, avós e comunidade. As práticas de amamentação e introdução de alimentos são perpassadas por fatores culturais da comunidade quilombola e também incorporam elementos da assistência prestada pelos serviços de saúde, ainda que esta última pareça exercer uma influência menor nesse contexto. Ou seja, apesar das formas de cuidado e alimentação das crianças serem adaptadas e ressignificadas ao longo do tempo, as diferenças e tensionamentos em relação a evidências científicas ocidentais hegemônicas, no que diz respeito ao modo quilombola de maternar e cuidar, existem e perpassam as atividades de apoio, proteção e promoção da aleitamento materno e da aleitamento complementar.

O aleitamento materno na comunidade quilombola está centrado na perspectiva da criança, seja em relação aos benefícios nutricionais ou por questões financeiras da família, em detrimento das necessidades e desejos da mulher. Evidências apontam que em diferentes populações ambos os aspectos têm sido os principais motivadores para mulheres amamentarem 12,32,33,34. No presente estudo, o sentimento materno positivo foi preponderante e considerado um fator facilitador do aleitamento materno, o que poderia ocorrer de forma diferente em outros grupos. Isso reforça a necessidade de que os sentimentos maternos em relação à criança e à amamentação não sejam negligenciados no manejo do aleitamento materno. A questão financeira, apontada no modelo conceitual como um fator ligado à comunidade, poderia também ser pensada no nível mais macro, uma vez que se relaciona com a classe social e o contexto das políticas públicas.

No contexto quilombola, marcado pela insegurança alimentar e pelo não acesso pleno à saúde, educação, água e saneamento, terra e território, o aleitamento materno ganha relevância ainda maior como alimento essencial, seguro e de baixo custo para a criança, configurando-se como estratégia de proteção e nutrição 6,35. Nesse sentido, a promoção do aleitamento materno contribui para a realização do direito humano à alimentação, com benefícios que se estendem para além dos primeiros anos de vida e ultrapassam as barreiras individuais e familiares 36.

A manutenção do AME nos primeiros seis meses de vida tem sido apontada como um dos principais desafios no que diz respeito à amamentação em populações quilombolas 23. Práticas culturais como a não oferta do colostro nos primeiros dias pós-parto, a percepção de “leite fraco” ou “pouco leite”, a oferta precoce de complementos do leite materno e de chás, questões também identificadas por Martins et al. 24 ao estudar a amamentação em comunidades quilombolas no Estado da Bahia, podem interferir negativamente no AME. O uso de chás, seja como substituto do colostro ou com finalidade medicinal, faz parte da tradição quilombola, representando cuidado e conexão com elementos culturais e conhecimentos ancestrais 23,24,37. Contudo, no aspecto fisiológico, eles reforçam a ideia de insuficiência do leite materno e estão associados ao uso de bicos artificiais e desmame precoce 38,39,40.

Aspectos relacionados à criança, como o nascimento dos dentes, e uma nova gravidez são tidos como os principais motivos para o desmame na comunidade. A ocorrência de uma nova gravidez tem sido identificada como uma barreira à continuidade do aleitamento materno em diferentes culturas 41. Manter a amamentação durante a gravidez é possível, caso a mãe deseje 42. Esse processo deve ser orientado pelos profissionais de saúde com abordagens baseadas em evidências, mas também no diálogo sobre as motivações e crenças maternas e familiares. Além disso, as políticas públicas devem garantir acesso a um planejamento familiar que considere a etnicidade, a religião, a cultura e as classes sociais 43.

A oferta precoce de alimentos ultraprocessados para as crianças quilombolas também foi identificada em estudos que avaliaram consumo alimentar de crianças não-quilombolas 44,45,46. O consumo desses produtos por crianças pequenas pode influenciar futuros hábitos alimentares e a situação de saúde, estando associado a maiores prevalências de excesso de peso e doenças crônicas não transmissíveis 47,48. A presença desses alimentos na comunidade traz a necessidade de problematizar sobre quais escolhas alimentares têm sido favorecidas diante da disponibilidade e do acesso físico e financeiro aos alimentos em comunidades quilombolas rurais.

Nesse estudo, as avós foram identificadas como protagonistas no processo decisório da alimentação infantil, seja pela transmissão de conhecimentos, pelo compartilhamento de experiências ou pelo apoio oferecido às mães, assim como ocorre em populações não quilombolas 13,49,50. As avós são a principal fonte de informação para as mães e a participação delas no processo de amamentação pode incentivar ou desestimular essa prática 13. Em comunidades da diáspora africana essa característica pode ser ainda mais acentuada, nas quais os idosos são referências de identidade étnica e memória dos territórios quilombolas, atuando no repasse de conhecimentos aos mais jovens, através da oralidade e vivências familiares e comunitárias 24,51.

As divergências entre os conhecimentos científicos dominantes - muito pautados na perspectiva biológica - e as práticas da comunidade mostram a necessidade de reconhecer que as interpretações ocidentalizadas sobre saúde não dão conta de compreender as especificidades e singularidades dos modos de vida e da organização sociocultural vivenciadas na diáspora africana pelas comunidades quilombolas. Questões como a amamentação cruzada - prática culturalmente aceita pela comunidade e contraindicada pelos profissionais de saúde devido ao risco de transmissão vertical de doenças - e o uso de chás e complementos do leite materno reforçam importância da aproximação com a realidade da comunidade e o conhecimento de sua cultura e práticas tradicionais, para a oferta de uma atenção à saúde qualificada e resolutiva 37.

Os achados deste estudo são semelhantes aos encontrados entre populações não quilombolas, porém exigem uma abordagem diferenciada pelos serviços de saúde. A articulação entre evidências científicas existentes e saberes e práticas populares, e inclusive a possibilidade da construção de novos conhecimentos e abordagens emancipatórias e não colonizadoras, exigem a transformação do modelo de atenção à saúde ofertado às comunidades quilombolas, e passam, necessariamente, pelo processo de escuta qualificada desses grupos. É fundamental que em sua atuação, os profissionais de saúde busquem compreender a dinâmica sociocultural e a participação da rede de apoio local do processo de cuidado e alimentação infantil e que, a partir daí, elaborem estratégias conjuntas para a orientação da mulher e da família. A saúde é direito constitucional da população brasileira e sua oferta deve ser pautada nos princípios do Sistema Único de Saúde, com acesso universal, atenção integral e qualificada, igualdade de assistência e direito à informação 52, respeitando e valorizando os saberes tradicionais no cuidado em saúde.

Por se tratar de estudo exploratório, não houve intenção de esgotar a discussão dessa temática, que tem diversas camadas a serem documentadas. As questões aqui colocadas são produto do contexto sociocultural e histórico da comunidade quilombola estudada e não representam necessariamente toda a população quilombola brasileira. Reconhece-se ainda que, ao estudar tais comunidades, é necessário considerar as particularidades inerentes à uma população com ancestralidade negra no Brasil, sua trajetória e sua identidade construída a partir de elementos da matriz africana, que permanecem presentes, em maior ou menor grau nas comunidades quilombolas. Assim, entende-se como uma limitação do estudo que a análise do objeto em questão não tenha se aprofundado na perspectiva afrocentrada.

Em contrapartida, um aspecto positivo em nossa análise foi o modo de codificação e sistematização dos temas, assim como a construção de um modelo teórico para guiar a interpretação dos resultados. Modelos conceituais com abordagem socioecológica têm sido usados em pesquisas sobre saúde e desenvolvimento infantil para compreender fenômenos e delinear ou testar intervenções, considerando a complexidade das questões e as interações entre elementos diversos 13,53. O processo de elaboração do modelo conceitual do presente estudo foi desafiador, mas muito útil, pois auxiliou na visualização e compreensão das interrelações entre as questões relacionadas à alimentação infantil que emergiram dos grupos.

Por fim, esse estudo traz à tona elementos importantes para o (re)conhecimento da comunidade quilombola e reforça a necessidade da reorientação das políticas de alimentação e nutrição infantil nessas comunidades. Esse estudo, de forma inédita na literatura, deu voz a mães e avós quilombolas, buscando reconhecer as especificidades das experiências dessas mulheres afrodiaspóricas, o que permitiu observar semelhanças e diferenças intergeracionais nas práticas e percepções sobre alimentação infantil.

Considerações finais

As percepções e práticas relacionadas à alimentação infantil de mulheres quilombolas estão permeadas por fatores culturais produzidos e reproduzidos na comunidade por gerações, tendo as avós como figura de destaque nesse contexto. É concreto e urgente o desafio de planejar e implementar ações de promoção da saúde e alimentação adequada e saudável baseadas na realidade e nas demandas das comunidades tradicionais, sem imposição das práticas e conhecimentos ocidentalizados, que frequentemente desconsideram os modos de vida dessas populações.

Agradecimentos

Agradecemos a Fernanda Lopes Sanchez Derballe pela sua colaboração com nossas reflexões. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento.

Referências

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