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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

37 nº.7

Rio de Janeiro, Julho 2021


REVISÃO

Atenção primária à saúde em áreas rurais: acesso, organização e força de trabalho em saúde em revisão integrativa de literatura

Cassiano Mendes Franco, Juliana Gagno Lima, Lígia Giovanella

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00310520


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RESUMO
Em áreas rurais e remotas, a atenção primária à saúde é essencial para enfrentar iniquidades que marcam estes territórios. O conceito de ruralidade é pouco preciso e políticas voltadas à saúde rural no Brasil são frágeis. A revisão da literatura internacional pode apoiar uma maior compreensão sobre estratégias desenvolvidas em questões centrais da saúde rural. O objetivo deste artigo foi identificar e analisar os desafios do acesso, organização da atenção à saúde e a força de trabalho em saúde na atenção primária em áreas rurais. Foi feita uma revisão integrativa da literatura, com busca de artigos científicos publicados entre 2000 e 2019, nas bases Cochrane e MEDLINE e revistas específicas de saúde rural. A pesquisa resultou em 69 artigos, categorizados em acesso, organização à saúde e força de trabalho. Foram analisados os temas principais de seus achados. Os artigos classificados como acesso apresentaram entre os temas centrais: aspectos geográficos, necessidades de deslocamento dos usuários e acesso aos serviços hospitalares e especializados. Artigos da organização da atenção à saúde trataram de: estrutura e insumos, funcionamento dos serviços de saúde e gestão com base na comunidade. Em força de trabalho em saúde, destacou-se: perfil e papel profissional e fatores de atração/fixação. Ações transversais ao fortalecimento do acesso, organização à saúde e força de trabalho em saúde em áreas rurais foram: atuação comunitária, modelos de extensão/visitação, tecnologias de comunicação/informação, acesso à assistência e formação/desenvolvimento profissional. A revisão fornece compreensão abrangente da atenção primária na saúde rural em prol da equidade das populações rurais.

Atenção Primária à Saúde; Serviços de Saúde Rural; Acesso aos Serviços de Saúde; Organização e Administração; Mão de Obra em Saúde


 

Introdução

Moradores de áreas rurais representam cerca da metade da população mundial, têm menos acesso a cuidados e apresentam as piores condições de saúde quando comparados com populações urbanas 1. Na maioria dos países, áreas rurais enfrentam dificuldades com transporte e comunicação, desigualdades de financiamento à saúde, além de escassez e distribuição desigual de profissionais de saúde, com as piores condições de trabalho 2,3.

Para Strasser 2, o fracasso no alcance da universalidade em saúde proposta na Declaração de Alma-Ata 4 sobressai em áreas rurais e remotas. Os pressupostos de Alma-Ata para “saúde para todos nos anos 20004 propugnavam por saúde como direito e centralidade da atenção primária à saúde (APS). Em áreas rurais e remotas, a APS muitas vezes é único recurso à saúde 1,2. Por esses atributos, como coordenadora da rede de atenção, acesso aos serviços necessários, qualidade do atendimento, precoce e oportuna prevenção e acompanhamento dos problemas de saúde, derivando em abordagem dos problemas em nível familiar e comunitário e competência cultural do cuidado 5, o fortalecimento da APS é a chave para enfrentar as iniquidades em áreas rurais 3,6.

Quadros de maiores iniquidades em saúde rural são observados em países em desenvolvimento 3. O Brasil, não obstante a expansão da APS no território nacional, ainda registra forte desigualdade socioespacial na oferta de serviços, equipamentos e profissionais 7,8. A imprecisão do que é rural contribui para que a dívida de universalidade em saúde para com as áreas rurais permaneça ignorada. A ausência de abordagens mais claras sobre contextos rurais resultou na indefinição de perspectivas de ação nessas áreas, restritas à face agrária, sem expressar a realidade rural contemporânea 9. A recente revisão da classificação de urbano e rural realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 10, considerando a densidade demográfica e a acessibilidade a centros urbanos, indicou que 45% dos municípios apresentam baixo grau de urbanização, colocando luz na importância dos espaços rurais no território nacional.

Mesmo no debate internacional ainda há pouca clareza na definição de critérios sobre o rural que possam particularizar realidades distintas, sobretudo no caso dos territórios remotos 3,6,11. Países continentais e ricos, como Estados Unidos, Canadá e Austrália lideram pesquisas e debates sobre a saúde rural 3,6. A Austrália, particularmente, ganha proeminência com iniciativas governamentais articuladas para a saúde rural 12. Conhecer as estratégias definidas no debate internacional para a saúde rural pode auxiliar a compreender este tema ainda pouco abordado na realidade brasileira, e insuficientemente incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS) 7,8.

Este artigo busca oferecer subsídios para a compreensão abrangente da temática, considerando questões centrais da APS nas áreas rurais. Sintetiza revisão da literatura internacional que teve por objetivos identificar e analisar os desafios do acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em saúde na APS em áreas rurais.

Metodologia

Foi realizada uma revisão integrativa da literatura sobre APS em áreas rurais. Revisões integrativas permitem a síntese de diversificados estudos (quantitativos e qualitativos, experimentais e não experimentais) visando à compreensão ampla do estado do conhecimento de assunto complexo. O método é útil para condensar, de forma sistemática, pesquisas sobre um tema abrangente 13,14. Em contraponto a revisões sistemáticas - em geral mais valorizadas nas publicações - revisões integrativas, embora não tenham o propósito de inferência estatística e a capacidade de, como as primeiras, gerar produtos mais objetivos e uniformes quanto à força de evidências, vão além de estudos experimentais e são potentes para análises aprofundadas dos resultados alcançados e dos processos demonstrados nas pesquisas 13,14.

A revisão seguiu etapas recomendadas por Mendes et al. 13 e Souza et al. 14. Foram estabelecidos pergunta norteadora e critérios para inclusão/exclusão de estudos, procedendo-se a busca na literatura com coleta de dados. Foram definidas as informações a serem extraídas dos artigos selecionados, seguidas por categorização dos estudos, análise crítica dos estudos incluídos e síntese dos resultados 13,14.

A revisão da literatura internacional acerca de APS e saúde rural realizada teve como pergunta norteadora: quais as estratégias efetivas para a garantia de APS abrangente/integral para as populações rurais? Considerando a pergunta norteadora, buscou-se mapear a produção e origem da literatura e identificar e analisar três dimensões: acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em saúde para APS abrangente/integral a populações rurais.

A revisão caracterizou como literatura internacional as produções estrangeiras e brasileiras, com base na localização dos estudos, tanto pelas áreas de abrangência das pesquisas quanto pela origem das publicações, bem como pela escolha de bases bibliográficas que reúnem estudos de vários países. Foram incluídos artigos científicos originais, de natureza empírica ou de revisão de literatura, disponíveis online, completos, em inglês e publicados entre janeiro de 2000 e dezembro de 2019, no intuito de alcançar estudos atuais do século XXI - período em que classificações de ruralidade têm ganhado força em discussões internacionais 1,2,3,6,8 - limitando-se a 2019 pois a busca foi completada no início de 2020. Definiu-se como critérios de exclusão: duplicação e indisponibilidade; publicações que não fossem artigos originais de pesquisa científica (editoriais, opinião, debates, comunicações); artigos sobre procedimentos, substâncias, exames, medicamentos ou agravos específicos; artigos que não se referissem especificamente a áreas rurais, à prestação de serviços de saúde e à APS.

As bases bibliográficas foram: Cochrane Library (https://www.cochranelibrary.com/), MEDLINE (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/), Rural and Remote Health (https://www.rrh.org.au/) e Australian Journal of Rural Health (https://onlinelibrary.wiley.com/journal/14401584). As duas últimas são revistas científicas específicas sobre saúde rural australiana identificadas em busca inicial, com expressivas citações e especificidade nos artigos sobre saúde rural.

Escolhemos os descritores do Medical Subject Headings (MeSH; https://www.ncbi.nlm.nih.gov/mesh/): “rural health”, “primary health care” e “access”. A opção pela inclusão do termo “access” foi feita para melhorar o refinamento da pesquisa, de acordo com a centralidade do problema de acesso em áreas rurais. Nas revistas australianas, cujo conteúdo é específico de saúde rural, além dos descritores anteriores também foi utilizado o termo “human resources”, para refinar a pesquisa conforme os objetivos desta revisão.

A opção inicial foi pela busca combinada entre os descritores, contudo, foi necessário diferenciar a forma de buscar em cada base, considerando suas ferramentas de pesquisa e a abrangência da literatura investigada. Em cada base, privilegiou-se a forma de busca que gerasse mais artigos voltados aos objetivos desta revisão. A chave de busca em cada base foi:

 

MEDLINE (37 artigos) - Descritores: rural health AND primary health care AND access; Campo: title/abstract.

Cochrane (34 artigos) - Descritores: rural health; Campo: title/abstract/keyword.

Rural and Remote Health (58 artigos) - Descritores: primary health care, access, human resources; Campo: article type: original research.

Australian Journal of Rural Health (81 artigos) - Descritores: primary health care AND access, human resources; Campo: this journal/abstract.

 

Selecionou-se inicialmente 210 artigos. Após a exclusão por duplicação e indisponibilidade, restaram 205, com a leitura de títulos e resumos realizada por dois pesquisadores de forma independente. Nessa etapa, adotando-se critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 95. Repetiu-se o processo com a leitura completa, produzindo a seleção final de 69 artigos Figura 1.

 

 

Figura 1 Fluxograma da seleção de artigos.

 

Os artigos foram organizados em Excel (https://products.office.com/). Procedeu-se leituras repetidas do material por dois pesquisadores. Cada artigo foi atribuído a uma categoria principal: acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em saúde. Após a categorização, em leitura vertical exaustiva, buscou-se núcleos de sentido com base em semelhanças e particularidades entre os achados, para identificar os temas de cada categoria. Foram realizados cálculos de frequência, tanto para categorias e temas quanto para período de publicação e localização dos artigos. O Quadro 1 descreve as referências dos artigos selecionados conforme método de estudo, localização e classificação nas categorias: acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em saúde.

 

 

Tab.: 1
Quadro 1 Descrição dos artigos incluídos na revisão integrativa da literatura, segundo autor/ano, periódico, métodos, localização por três primeiros autores e por campo de pesquisa e categoria.

 

Resultados

Uma visão geral dos artigos selecionados é apresentada na Tabela 1. Nota-se um número crescente de publicações ao longo dos anos 2000, com a primeira referência em 2003, porém em quantidade e ritmo de produção reduzidos na literatura internacional extraída.

 

 

Tab.: 2
Tabela 1 Caracterização dos artigos selecionados por período e países (conforme instituições dos autores e campo de pesquisa).

 

A origem das publicações circunscreveu a 23 países, já o recorte espacial das pesquisas abarcou 20 países. Nas duas formas de localização, Austrália teve a maior representação (36,4% e 38%), seguida pelos Estados Unidos (17% e 12,7%) e Canadá (9,1% e 8,4%) Tabela 1. Sublinha-se que, retirando os 44 artigos obtidos das revistas australianas, os Estados Unidos contam com 18,4% (n = 7) das publicações, e a Austrália 15,8% (n = 6).

Na Tabela 2 apresenta-se os temas dos artigos classificados nas categorias acesso (23), organização da atenção à saúde (25) e força de trabalho em saúde (21). Cada artigo foi classificado em apenas uma categoria. Os temas emergiram da análise, atribuindo-se um ou mais temas à mesma publicação. Portanto, a soma das frequências dos temas é diferente da quantidade de estudos da respectiva categoria.

 

 

Tab.: 3
Tabela 2 Categorias e temas dos artigos selecionados, 2000 a 2019.

 

A síntese analítica dos resultados é apresentada a seguir, por categoria e tema, identificando desafios e estratégias mais efetivas para a garantia de APS integral para as populações rurais, conforme os objetivos e a pergunta norteadora da revisão integrativa.

Acesso

Aspectos geográficos das comunidades rurais

A localização geográfica das comunidades rurais interferiu na capacidade das populações rurais acessarem cuidados de saúde oportunamente 11,15,16,17. A localização distante implica maior avaliação na opção de busca ou não pelos cuidados em saúde, ponderando-se custos e riscos no transporte 15.

A população rural procura por serviços de saúde na comunidade, independentemente do tipo 16. Em geral, os usuários de áreas rurais esgotam as opções locais antes de buscar atendimento fora da sua comunidade. Contudo, os usuários nem sempre referiram barreiras geográficas de acesso aos serviços de saúde, uma vez que a dificuldade de os atingir por meio de longas distâncias é comum 17.

Para Kulig et al. 11, índices de acesso e ruralidade pautados unicamente em distância são insuficientes, sendo necessário associar localização geográfica a características da comunidade, disponibilidade de recursos humanos e atributos da prática profissional, como as práticas avançadas da enfermagem. Embora as populações de áreas mais remotas tenham o pior acesso, é possível encontrar áreas remotas com bom acesso e áreas metropolitanas com acesso precário, circunstância que envolve valores, crenças e a interação da população com os serviços 18.

Necessidades de deslocamento dos usuários

Sobressaiu o fato de a população rural contornar o serviço local ou viajar além do necessário para buscar cuidados em saúde. Por vezes, mesmo com disponibilidade de serviços mais próximos, observou-se que usuários deixavam de utilizar serviços locais e preferiam buscar os de centros maiores, situação referida pelos autores como bypass dos serviços locais 19,20,21,22,23,24.

Esse fenômeno pode estar relacionado com prática de outshopping - usuários agrupam, em um mesmo deslocamento até o centro urbano, serviços e compras por conveniência, satisfação ou busca por maior qualidade 19,20. A procura por serviços fora das comunidades esteve associada com localidades mais distantes, com maiores fluxos de transportes e com cidadãos com maior renda, porém pior condição de saúde, além dos mais velhos e das mulheres 19,20.

Não obstante, observaram-se barreiras mais intensas para populações rurais específicas de maior vulnerabilidade. Estudos envolvendo idosos 21,22, pobres ou pessoas com deficiência 23 apontaram desafios adicionais de acesso aos serviços de saúde, transportes e custos para usuários e acompanhantes. Também foram citadas iniquidades no acesso relacionadas ao gênero feminino e a comportamentos de risco em adolescentes 24,25,26,27,28.

A percepção da comunidade sobre o profissional de saúde e a resolutividade nos cuidados de saúde também influenciou o acesso em áreas rurais e a necessidade de deslocamento para alcançar os serviços de saúde 15,23,29. Outros motivos envolveram preocupações do usuário com a privacidade e a confidencialidade no contexto rural 28.

Acesso aos serviços especializados e hospitalares

Gruen et al. 30, em revisão sobre diversos países, evidenciaram que a concentração desproporcional de serviços em centros urbanos constitui uma importante barreira de acesso para populações rurais, tanto as desfavorecidas como as mais favorecidas. Ambas precisavam se deslocar para ter acesso à atenção especializada ou hospitalar, contudo, populações rurais não desfavorecidas conseguiam acesso mínimo em centro urbano próximo. Para as desfavorecidas, as barreiras eram tão grandes que o acesso só ocorria mediante o deslocamento de profissionais/equipamentos/serviços até as comunidades rurais ou com veículos especiais (tração nas quatro rodas, aeronaves etc.). Essa dificuldade também foi observada em comunidades rurais desfavorecidas da Nigéria 31.

Como contraponto, Choo et al. 32, em populações rurais da Escócia, não identificaram barreiras de acesso ao ecocardiograma. Justificou-se pelo relativo fácil acesso e pela institucionalização de protocolos de solicitação direta de ecocardiograma pelos médicos generalistas (general practicioner) no Reino Unido.

Organização da atenção à saúde

Estrutura e insumos dos serviços de saúde rurais

Carências materiais dos serviços de saúde em áreas rurais foram demonstradas em estudos realizados na África 33,34,35,36, mas também no Paquistão 37, na Grécia 38 e na Austrália 39. Revelam dificuldades para prover recursos de infraestrutura e recursos humanos, sobretudo em países pobres e no setor público, do qual populações rurais dependem em maior medida.

A insuficiência de estruturas e insumos foi traduzida em desabastecimento, falta de manutenção e escassez de equipamentos, unidades de saúde e profissionais, abrindo espaço para a assistência por organizações não governamentais (ONGs) 33,34,35,36,38. Na África Subsaariana, foco de investimentos de governos e agências internacionais em programas verticais na APS, derivaram em remanejamento de recursos (físicos e humanos) para as estratégias prioritárias das agências, centradas em doenças específicas e com visão de resultados em curto prazo 34,35.

Diversos estudos destacam a necessidade de investir em tecnologias de informação e comunicação em zonas rurais, como telessaúde e prontuários eletrônicos, para ampliar o acesso, a continuidade, a coordenação e as práticas dos cuidados 36,38,39. Desigualdades em relação a áreas urbanas no acesso a dispositivos de informação, como computador, Internet e rede de telefonia móvel, prejudicam o desempenho dos profissionais de saúde rurais 37.

Funcionamento dos serviços de saúde

Constatou-se duas principais questões na abordagem do funcionamento dos serviços em territórios rurais: como cobrir e alcançar a população rural e como garantir oferta ampliada e adequada às necessidades com força de trabalho em saúde sustentável.

Strasser et al. 35 argumentam que, inicialmente, é preciso que a APS tenha como premissa a saúde universal e que, na África, distâncias, transportes e exclusão pelo poder local de grupos vulneráveis são empecilhos à cobertura das populações rurais. Para alcançar locais remotos, sem serviços de saúde ou para suplementá-los, lançou-se mão de estratégias de serviços móveis/migratórios ou de extensão de uma base central 33,39,40. Wakerman et al. 39 chamaram essa organização de “modelos de extensão” (outreach models).

Na África, entretanto, unidades móveis foram pouco reconhecidas como solução para o grau de necessidades 33. Trabalhadores comunitários com o propósito de alcance das comunidades rurais dificilmente atuam além do entorno da unidade de saúde, pela falta de recursos 33. Na Austrália, serviços com horário estendido foram outro modo de ampliar a oferta de assistência à população rural 41,42. Telessaúde e teleeducação foram citadas como potência, ressaltando-se as especificidades para implantação, manutenção e autonomia sobre as tecnologias 35,39,43.

A segunda questão, como garantir a oferta ampliada e adequada de serviços, procurou responder aos desafios da limitada rede de serviços nos territórios rurais e remotos e das demandas específicas de suas populações. A importância da determinação social no processo saúde/adoecimento em povos vulneráveis a condições de pobreza e baixo saneamento foi realçada 33,36,39.

Uma das respostas para atender tais demandas seria levar serviços, possibilitando deslocamentos/visitas de profissionais ou equipamentos da APS e da atenção especializada e implementando estratégias de telessaúde 33,35,39,40. Outro ponto-chave seria a qualificação dos profissionais, a fim de aperfeiçoar e ampliar suas competências e aspectos interpessoais do cuidado 35,36,39, dada a menção a atitudes de discriminação ou inadequadas aos costumes locais 35,36. Coerente ao peso da determinação social no contexto da saúde rural, ações de promoção de saúde e prevenção, associadas a empoderamento da comunidade e a agentes comunitários, foram salientadas 33,35,36,39.

Wakerman et al. 39 descrevem que populações australianas rurais menores e remotas, que não conseguiam sustentar os serviços especializados, tenderam a buscar arranjos de “serviços integrados” (variedade de oferta em um único ponto, com o apoio mútuo entre profissionais e foco não apenas em médicos generalistas) ou de “serviços integrais/abrangentes” (comprehensive services - abordagem holística compreendendo assistência, prevenção e cuidado comunitário, com escopo ampliado de práticas, enfrentamento dos determinantes sociais de saúde e participação popular).

Wakerman et al. 39 também retrataram configurações de APS rural na Austrália que enfatizavam a retenção de médicos generalistas (discrete services) por meio de condições atrativas, ainda que com rotatividade dos profissionais, com continuidade dos serviços assegurada por infraestrutura de universidades ou governo local, fluxo geralmente possível em comunidades de maior densidade. As outras formas de organização - modelos de extensão, serviços integrados e serviços integrais - também buscavam assegurar força de trabalho em saúde, por exemplo, pela inspiração na conexão entre aeroportos maiores e menores - profissionais que fazem escalas em centros maiores e comunidades rurais ou em formas de emprego em campos de petróleo (fly-in-fly-out) com tempos de atuação integral em locais afastados alternados com dias sem trabalho 39.

Gestão com base na comunidade

A gestão com base na comunidade foi um elemento-chave da organização dos cuidados em saúde rural. Desse modo, lógicas externas de organização, geralmente pensadas para meios urbanos, não seriam impostas às realidades diversas dos territórios rurais e remotos. Compreende autonomia da comunidade para gerir ações específicas no território, com retaguarda da APS, de modo que sejam mais adequadas e resolutivas por meio de sua própria percepção de contexto 33,44.

Nesse tema, sobressaíram estudos sobre países africanos 33,35,36,45, mas também no Equador e na Austrália 42,44,46. Artigos que examinaram múltiplos países africanos tenderam a destacar estratégias comunitárias focalizadas ou verticais 35. A gestão com base na comunidade registrou como foco doenças transmissíveis e ocorreu para procedimentos simples, com serviços de saúde como pontos de apoio e distribuição, realçando-se baixo custo e eficiência 33,35,45. Estudos com recorte local/regional, no entanto, reportaram experiência mais complexa de gestão baseando-se na comunidade. Descreveram a participação na organização do sistema de saúde desde os âmbitos local e regional até o nacional 36,42,44,46.

As vantagens da gestão com base na comunidade abrangeram maior acesso e utilização dos serviços, alcance em áreas desassistidas ou distantes dos serviços de saúde, satisfação profissional, competência cultural do cuidado, resposta a necessidades locais, empoderamento comunitário, melhores resultados em saúde e diferenciação da APS em seus atributos fundamentais 33,35,36,42,44,45,46.

Força de trabalho em saúde

Perfil e papel profissional

Os artigos sobre força de trabalho em saúde realçaram a falta de médicos, mas em contrapartida descreveram a inserção dos enfermeiros 47,48,49,50, profissionais sem graduação 51,52,53 e outras categorias profissionais 54,55,56,57,58 na saúde rural e APS.

Enfermeiros exercem um rol amplo de práticas em assistência, gestão e educação, porém, reiteradas restrições pela baixa compreensão de seu papel foram apontadas nos Estados Unidos 47. Na África do Sul, enfermeiros eram responsáveis pela prescrição de psicotrópicos na APS devido à falta de médicos 50.

Essa ampliação do escopo de práticas dos enfermeiros em processo de delegação de tarefas de determinados profissionais para outros, conhecida como task-shifting, foi um conceito recorrente nesta revisão 33,34,50,51. Corresponde à incorporação de atribuições mais especializadas, sobretudo de diagnóstico e terapêutica, antes exclusivos a outras categorias profissionais.

Profissionais sem graduação, atuantes em áreas rurais foram mencionados como paramédicos no Canadá 52, agentes comunitários no Myanmar 51 e “médicos dos povoados” (village doctors) na China - moderna denominação dos antigos “médicos de pés descalços” 53. Atividades de promoção de saúde e prevenção de agravos, acesso em domicílio e vínculo comunitário foram enfatizados como aspectos comuns 51,52,53.

Outras categorias profissionais abordadas foram fisioterapeutas 58, profissionais de práticas integrativas/complementares 57, médicos 56, assistentes sociais e farmacêuticos 54. Um ponto comum foi a discussão de práticas generalistas e habilidades específicas para o contexto rural. Habilidades especiais foram consideradas essenciais para a prática em serviços rurais, tanto assistenciais quanto preventivas, atendendo o perfil socioepidemiológico, a peculiaridades culturais da população e a carência de profissionais especializados 55,56,57.

Considera-se que todos os profissionais devem executar escopo ampliado de práticas, com novas atribuições (task-shifting), com necessidade de educação permanente, tema recorrente nos artigos 51,53,55,56. Práticas integrativas e complementares de saúde seriam propícias em áreas rurais pela maior afinidade, integração à cultura e facilidade de acesso nas comunidades rurais, em destaque de estudos na Austrália 57 e na China 59.

Outra característica marcante foi o trabalho comunitário nas áreas rurais, realizado em ações de visitas domiciliares, de extensão dos serviços de saúde (outreach), de articulações intersetoriais ou de vigilância e planejamento estratégico no território 49,51,52,53,54.

Relações complexas dos profissionais de saúde com as comunidades onde atuam conformam suas práticas devido a questões, como privacidade, confidencialidade, percepções sobre visibilidade e reputação do profissional, e qualidades atribuídas aos territórios de atuação 51,53,54.

Fatores de atração e fixação da força de trabalho em saúde

Notou-se uma intensa complexidade envolvida na atração e fixação da força de trabalho em saúde com fatores múltiplos e emaranhados, alguns específicos de cada contexto. Em linhas gerais, questões geográficas, de educação, de regulação do mercado de trabalho e de suporte pessoal foram continuamente reiteradas para força de trabalho em saúde em ambientes rurais 60,61,62.

Questões geográficas foram apontadas como o principal fator, frequentemente associando distribuição desfavorável da força de trabalho em saúde à distância dos centros urbanos 61,62,63,64. Eventualmente observou-se suplantação dessas questões, como o maior apelo de localidades costeiras e outras comodidades na Austrália e nos Estados Unidos 64. O valor dado à contribuição para a comunidade, os sentimentos e as relações que os trabalhadores travavam com os lugares, influenciando o desejo de permanecer ou sair - enfim, o vínculo - foram ressaltados em pesquisas no Myanmar 51, na China 53 e na Austrália 54.

A origem rural ou indígena dos estudantes e trabalhadores recrutados tendeu à maior retenção da força de trabalho em saúde. Contudo, devido à maior vulnerabilidade socioeconômica da população de territórios rurais e remotos, o apoio financeiro e pedagógico é necessário para a efetividade da formação de força de trabalho em saúde local 59,60,61,65.

A exposição dos estudantes em cenários rurais, a discussão de questões rurais ao longo da sua formação ou a localização das instituições de ensino nestes cenários foram relacionadas à maior fixação dos profissionais 60,61,66. Revisões internacionais relataram achados positivos de currículos com competências aplicadas à saúde rural 60,61. Durante a formação, ressaltou-se a importância de discutir a identidade dos profissionais em contextos rurais, seus deveres, limites e necessidades 54,59.

Outro fator a impactar a oferta de força de trabalho em saúde foi a perspectiva de carreira na saúde rural, ou seja, profissionais vislumbrarem uma prática sustentada neste campo. Nos Estados Unidos, a formação em pediatria e, principalmente, medicina de família e comunidade, garantia maior tempo de permanência na APS rural após o treinamento, independentemente de mudanças políticas e de mercado 66. Na China, considerou-se necessária a compreensão apropriada da carreira médica rural, a fim de que recém-formados não viessem a trabalhar apenas temporariamente, por obrigação, em áreas rurais 59.

Os estudos mostraram que a fixação de profissionais de saúde em áreas rurais é suscetível a aspectos financeiros. Segundo Grobler et al. 60, incentivos financeiros, como bolsas, benefícios e salários mais altos, foram destacados internacionalmente como estratégias para suprir força de trabalho em saúde em áreas rurais. A atração de profissionais associou-se a melhores salários em regiões urbanas nos Estados Unidos 66 e maior expectativa de renda com o avanço da urbanização na China 53. A possibilidade da população rural pagar consultas, com reembolso de programas e seguros de saúde em Taiwan e nos Estados Unidos, promoveu a melhor oferta da força de trabalho em saúde 60,65.

A literatura internacional apontou um peso importante do setor público no mercado de trabalho em saúde para garantir acesso em áreas rurais, uma vez que populações destas áreas e remotas, em geral desfavorecidas para arcar com os custos da atenção à saúde no mercado, dependem da provisão e regulação de serviços pelo Estado. A organização da oferta e da prestação dos serviços no setor público interferiu em grande medida na captação da força de trabalho em saúde rural 63,65,66.

A escolha dos profissionais pela atuação na APS rural mostrou-se variável de acordo com as forças do mercado e das políticas estadunidenses 66. A regulação do mercado de trabalho é uma estratégia para a melhor distribuição da força de trabalho em saúde nas áreas rurais. Médicos estrangeiros restritos a áreas rurais, estímulos ou compulsoriedade de serviços para recém-formados e tempo mínimo de atuação em saúde rural como pré-requisito para as especializações foram algumas iniciativas mencionadas globalmente 59,60,62.

Há necessidade de apoio pessoal e familiar para sustentar adequadamente a força de trabalho em saúde rural. Condições de vida no contexto rural, como moradia, escolas e desenvolvimento acadêmico-profissional, além de relações afetivas são condicionantes 51,54,60. Entre as formas de apoio, distinguiu-se tempo-limite para as atividades em territórios afastados, incentivo financeiro personalizado e suporte psicológico 61,62.

A desvalorização da imagem do médico rural, propiciada pela cultura de que “médico de verdade” seria aquele do hospital do grande centro urbano, foi percebida na China como desafio à compreensão sobre a prática rural e a atração/fixação dos profissionais 59. Na Austrália, a retenção da força de trabalho em saúde derivava de combinação complexa entre contexto local, papel profissional, forças pessoais e relacionamentos 54.

Retornando à pergunta norteadora - quais as estratégias efetivas para a garantia de APS abrangente/integral para as populações rurais? - o Quadro 2 apresenta uma síntese das principais estratégias encontradas na literatura selecionada para superar obstáculos de acesso, organização e força de trabalho em saúde.

 

 

Tab.: 4
Quadro 2 Síntese das principais estratégias para superar obstáculos do acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em áreas rurais.

 

Discussão

Os resultados desta revisão oferecem um panorama sobre a saúde rural na literatura internacional nos últimos vinte anos, nas questões de acesso, organização e força de trabalho em saúde da APS. A revisão propiciou uma diversidade de cenários rurais, olhares e realidades socioeconômicas e espaciais.

A análise das categorias e temas envolvidos na APS na saúde rural revelou uma visão ampla de questões e desafios, já bastante reconhecidos, mas também estratégias, modelos e fundamentos de políticas, planejamento e práticas de saúde em áreas rurais. Ressalte-se que, embora esses pontos fossem extraídos de forma separada operacionalmente, as três categorias (acesso, organização e força de trabalho em saúde) apresentaram muitos entrelaçamentos. Artigos com foco em uma categoria discutiam questões e estratégias das outras.

Entre as questões que atravessaram os diversos temas estiveram as relativas a espaço e população. Territórios de vasta abrangência, com limitados recursos de transporte, infraestrutura e serviços, condicionam dificuldades de acesso e necessidades de soluções economicamente viáveis. Populações pequenas e dispersas, marginalizadas do desenvolvimento socioeconômico, em maior ou menor grau, são vulneráveis a condições sociossanitárias e epidemiológicas desfavoráveis e específicas do contexto rural 33,39,67.

Tais características levantaram uma preocupação recorrente sobre os custos para a garantia de atenção à saúde da população rural. Gastos elevados foram evidenciados para força de trabalho em saúde 67, difícil de atrair e fixar, sendo reiterada como nó crítico para o acesso e a organização da saúde rural devido à insuficiência em quantidade e competências 17,35,38. Carências em estrutura e insumos dos serviços, combinadas com condições desfavoráveis de trabalho, agravam ainda mais a complexa rede de fatores relacionados à manutenção de força de trabalho em saúde qualificada em comunidades rurais, bem como a qualidade da atenção e o acesso à saúde, remontando à lei dos cuidados inversos enunciada por Hart 68.

Com tantos desafios, verifica-se um debate em torno do acesso e da eficiência dos investimentos em saúde rural e APS. Rashidian et al. 69, no Irã, demonstram que a implantação da APS em áreas desassistidas gera efeitos de acesso que sobrepujam efeitos de eficiência, aumentando internações e custos em saúde, diferentemente do que tende a ocorrer em países ricos, como confirmam Probst et al. 70, que apontam queda de internações por condições sensíveis à APS associada à presença de unidades de atenção básica nos Estados Unidos.

Consequências das falhas de acesso, organização e força de trabalho em saúde foram reconhecidas como reinício, adiamento ou abandono da busca por cuidados de saúde; preferência por pronto-atendimento, independentemente do tipo de demanda; agravamento das condições de saúde; e custos e riscos de viagens até os serviços 17,19,22.

Os desafios encontrados no debate internacional aproximam-se daqueles da realidade brasileira. Cidadãos de áreas dinâmicas no circuito econômico possuem maior acesso à saúde do que aqueles de regiões menos desenvolvidas, como em espaços rurais e remotos 71. No Brasil, assim como no cenário internacional, o desfavorecimento de populações rurais acarreta os piores indicadores epidemiológicos e sanitários 7,8,72. Os investimentos em estrutura e insumos, funcionamento de serviços e força de trabalho em saúde, notadamente por meio de políticas sinérgicas, como o Programa Mais Médicos e o Programa de Melhoria da Qualidade e Acesso da Atenção Básica 73, em anos recentes, têm sido desmontados e direcionados a uma perspectiva de eficiência econômica em detrimento da universalidade e da equidade 74.

O olhar sobre as deficiências da saúde rural indica ser predominante na literatura internacional, como afirmam Wakerman & Humphreys 41. Mas esta revisão também mostra que desafios em áreas rurais impõem concepções e abordagens inovadoras, diferentes da racionalidade urbana, que servem para refletir sobre APS em todo o sistema. Ao delinear as estratégias para os desafios observados, os estudos conformaram alguns modelos organizacionais nos territórios rurais. Destacou-se a revisão de Wakerman et al. 39 sobre a Austrália rural, que sistematizou modelos, distinguindo modelos de serviços descontínuos (discrete), extensão, integrados, integrais/abrangentes e de alcance virtual (telessaúde), correspondendo ao grau de rarefação e distância da população rural. Nesse sentido, quanto mais remota a localidade e menor a população, mais é necessário um arranjo integral e integrado dos serviços de saúde para maximizar ganhos em economia de escala em territórios rurais 39.

Ações transversais ao fortalecimento do acesso, organização e força de trabalho em saúde na APS em áreas rurais são: a atuação comunitária, os modelos de extensão ou visitação, o emprego de tecnologias de comunicação e informação (TICs), o acesso à assistência e a formação e o desenvolvimento profissional. A atuação comunitária, indissociada da necessidade de responder à determinação social dos processos de saúde/adoecimento, esteve presente desde a provisão de meios para a inserção em comunidades rurais e recomendações sobre ações de promoção/prevenção para ampliar o acesso, até a visão mais incisiva sobre a particularidade dos contextos e a perspectiva mais complexa dos aspectos geográficos sobre o acesso - que remetem a noções de geografia crítica e território vivo 75. O envolvimento das comunidades na organização da atenção à saúde, a ênfase em estratégias horizontais de cuidado integral, da vigilância à assistência, a intersetorialidade, a integração nas redes locais/regionais de saúde e a valorização do vínculo dos trabalhadores com comunidades rurais mostram a relevância da atuação comunitária nas iniciativas analisadas na literatura internacional.

Dinâmicas variadas que garantam o cuidado adequado na extensão/visitação devem responder à multiplicidade de contextos, necessidades e recursos das distintas áreas rurais. Requerem planejamento complexo da força de trabalho em saúde, de meios logísticos e do uso do espaço, com a colaboração desde o nível local das comunidades até as esferas governamentais mais altas. O aproveitamento de TICs também sustenta estratégias distintas em acesso, organização e força de trabalho em saúde para a saúde rural. São ressaltadas as ações de telessaúde, possibilitando alcançar lugares desprovidos de assistência e vigilância, bem como a ampliação da oferta de práticas em saúde. TICs são fundamentais ainda para sistemas mais efetivos em diagnósticos, planos e acompanhamentos, tanto em nível individual quanto comunitário.

Evidentemente, o acesso à assistência transpassou as estratégias para APS rural. Embora predominasse a preocupação sobre a assistência médica, também foram englobados os profissionais de enfermagem, agentes comunitários, assistentes sociais e profissionais de práticas integrativas/complementares. A multidisciplinaridade e o trabalho em equipe são estratégias importantes. O acesso à assistência fundamenta-se principalmente em ações de cuidado contínuo, para além de ações pontuais. Diversas conformações na oferta de tal assistência variam com amplas circunstâncias - vulnerabilidades específicas em populações rurais, possibilidades de acesso e de recursos locais, distância de centros urbanos, peculiaridades culturais, capacidade de atrair e reter força de trabalho em saúde, força e mecanismos de regulação do setor público etc. De acordo com Wakerman et al. 39, quanto mais remotas e menores as comunidades, maior a tendência dos serviços em buscarem modelos mais integrais de assistência.

A formação e o desenvolvimento profissional foram outro conjunto de estratégias, não apenas para força de trabalho em saúde, mas também para o acesso e a organização da atenção à saúde. Qualificação e ampliação das práticas profissionais foram pontuadas, desde competências generalistas a específicas de situações de cada contexto rural, desde atitudes culturalmente sensíveis até cuidados adequados para a longitudinalidade e coordenação da atenção, melhorando o acesso e a organização da APS em áreas rurais. O desenvolvimento profissional abrange ações de educação permanente, de delegação de tarefas aos profissionais acessíveis nas áreas rurais e de formação da força de trabalho em saúde, com base em membros das comunidades rurais, com exposição em ambientes rurais e com conteúdos sobre a saúde rural.

As estratégias vislumbradas por Wakerman et al. 39 apontam para além da perspectiva da economia de escala. Pode-se dizer que quanto mais remota e esparsa a população, mais se aprofunda uma lente de aumento sobre como oferecer acesso, organizar serviços de saúde e assegurar força de trabalho em saúde na essência do trinômio indivíduo/família/comunidade. Se, por um lado, é possível incorrer em um condensamento de modelos urbanos, marcados pela produção do cuidado capturada pela lógica capitalista e, por conseguinte, pelo que Donnangelo 76 compreende por medicalização, nota-se, entre os artigos desta revisão, críticas a um modelo rural de APS seletiva, focada em programas verticais e fragmentados, que aplicam noções estreitas de custo-eficiência e arcabouço da história natural das doenças para a saúde de populações rurais.

Áreas rurais são fundamentalmente o que Milton Santos 75 (p. 89) define por horizontalidades: “tanto o lugar da finalidade imposta de fora, de longe e de cima, quanto o da contrafinalidade, localmente gerada, o teatro de um cotidiano conforme, mas não obrigatoriamente conformista”. Formas de garantir acesso integral à saúde próprias para as áreas rurais são, portanto, a possibilidade de subverter modelos estabelecidos. Áreas rurais podem trazer perspectivas mais adequadas de APS, frente à sua diversidade e aos desafios que impõem à lógica comum. Em suma, podem inverter o cone de visão, trazendo a essência da unicidade para o sistema mais geral.

Considerações finais

Visto as especificidades de contexto histórico e sistemas de saúde de cada país ou região, convém considerar limites para a generalização dos resultados. Novos estudos com desenhos de revisão sistemática podem ser mais adequados para extrapolar estatisticamente as informações de uma totalidade de pesquisas acerca de problemas mais recortados, tratados aqui de forma abrangente, pelos propósitos da revisão integrativa. Um outro limite desta revisão foi ter incluído somente estudos em inglês, pois, apesar dos artigos com maior alcance internacional serem geralmente escritos nesta língua, a literatura selecionada não pôde captar pesquisas divulgadas em outros idiomas, que expressariam melhor outras realidades, como a da América Latina, por exemplo. Ressalte-se que dos países líderes no debate internacional sobre saúde rural - Austrália, Estados Unidos e Canadá - a Austrália ganhou maior destaque nesta revisão, considerando a inclusão de revistas australianas específicas à temática como bases de busca bibliográfica, conforme despontaram em pesquisa inicial. Ainda assim, a revisão permitiu traçar um panorama bastante amplo, de desafios e estratégias da APS para acesso, organização e força de trabalho em saúde na saúde de populações rurais.

Essa compreensão abrangente da saúde rural expressa sob diferentes contextos e perspectivas nesta revisão, pode incentivar e guiar a formulação de estratégias de políticas públicas e ações de saúde com vistas à equidade das populações rurais, de forma que possam atingir o mesmo estado de saúde desejado para o restante da população 1. No entanto, como esta revisão demonstrou, estratégias efetivas passam por conhecer a população que vive nas diferentes ruralidades, sendo necessários estudos aprofundados na heterogeneidade destas áreas.

Este trabalho colabora com o entendimento dos desafios adicionais da APS na rede regionalizada de atenção à saúde, no contexto rural, e contempla a nítida diversidade de territórios, necessidades de saúde e possíveis caminhos, traçados por experiências internacionais. Compreender os aspectos particulares das áreas rurais, tanto por suas características de acesso, organização da atenção à saúde e força de trabalho em saúde como por seu processo histórico, social e ambiental em transformação, favorece a criação e o fortalecimento de práticas e políticas públicas renovadas nos princípios fundamentais do SUS, de universalidade, equidade e integralidade, em perspectiva inclusiva do que significa ser rural.

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