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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

37 nº.3

Rio de Janeiro, Março 2021


ENSAIO

Uma análise sobre o desenvolvimento de tecnologias digitais em saúde para o enfrentamento da COVID-19 no Brasil e no mundo

Ianka Cristina Celuppi, Geovana dos Santos Lima, Elaine Rossi, Raul Sidnei Wazlawick, Eduardo Monguilhott Dalmarco

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00243220


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RESUMO
A pandemia de coronavírus que atingiu o mundo no final de 2019 segue batendo recordes de novos casos e óbitos relacionados à doença. As orientações para o manejo clínico dos pacientes infectados e a prevenção de novos casos estão centradas nas medidas de controle dos sintomas, hábitos de higiene, isolamento social e diminuição da aglomeração de pessoas. Tal fato forçou uma mudança no modo como os serviços de saúde prestam cuidados, protagonizando a incorporação de novas tecnologias em saúde. Assim, este Ensaio objetiva compilar e analisar algumas experiências de uso das tecnologias digitais em saúde, para minimizar os impactos da COVID-19. Identificou-se o desenvolvimento de soluções tecnológicas de manejo clínico do paciente, diagnóstico por imagem, uso de inteligência artificial para análise de riscos, aplicativos de geolocalização, ferramentas para análise de dados e relatórios, autodiagnóstico e, inclusive, de orientação à tomada de decisão. A grande maioria das iniciativas listadas tem sido eficaz na minimização dos impactos da COVID-19 nos sistemas de saúde, de modo que visa à diminuição da aglomeração de pessoas e assim facilita o acesso aos serviços, bem como contribui para a incorporação de novas práticas e modos de cuidar, em saúde.

Tecnologia da Informação; Infecções por Coronavírus; Pandemias; Telemedicina; Políticas de eSaúde


 

Introdução

A pandemia de COVID-19 é considerada uma emergência de saúde pública internacional que, conforme o regulamento sanitário, é o mais alto nível de alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de casos confirmados ultrapassa 44 milhões no mundo, com mais de 1 milhão de mortes 1,2,3. No Brasil, já são mais de 5 milhões casos confirmados, com mais de 150 mil mortes causadas pela doença 4,2.

Para o controle da disseminação do novo coronavírus, a Organização Pan-Americana da Saúde 2 orienta a adoção de medidas de proteção, como higiene das mãos, evitar tossir ou espirrar, incentivar o isolamento social e evitar a aglomeração de pessoas, bem como somente procurar os serviços de saúde em situações de quadro clínico agravado, com o surgimento de febre (acima de 37,8ºC) e dispneia. Nesse sentido, o isolamento clinicamente monitorado, via aplicativo, software, ligação ou vídeoconferência pode conter o crescimento exponencial de transmissão do SARS-CoV-2 5,6.

O contexto de pandemia forçou uma mudança no modelo tradicional de atendimento. As organizações de saúde tiveram de renunciar ao rotineiro cuidado presencial e investir em soluções tecnológicas para realizar o acompanhamento clínico não presencial dos pacientes. Em vista disso, os profissionais de saúde enfrentam um duplo desafio: avançar nos conhecimentos sobre uma nova doença e adaptar-se a uma nova maneira de prestar cuidado 5,6. Acredita-se que o avanço em tecnologias interativas em saúde pode ser uma opção efetiva e segura para facilitar o contato entre profissionais da saúde e pacientes.

Residem muitas dúvidas sobre o desenvolvimento e implantação de novas tecnologias digitais na saúde. A pandemia está sendo um marco na revolução tecnológica do setor, pois impôs a necessidade de novas estratégias e adequação dos serviços para a atuação frente à realidade de distanciamento social. Com base nesse contexto, o objetivo geral deste estudo é compilar e analisar o uso das tecnologias digitais em saúde para minimizar os impactos da COVID-19. Para alcançar o proposto, delimitou-se os seguintes objetivos específicos: (a) elencar tecnologias digitais desenvolvidas para o enfrentamento do novo coronavírus no Brasil e no mundo; e (b) discutir sobre a contribuição dessas tecnologias para o manejo clínico dos pacientes em tempos de pandemia.

Metodologicamente, este trabalho é delineado na modalidade de ensaio, o qual é uma exposição metodológica sobre um assunto e a apresentação das conclusões e hipóteses a que se chegou depois de analisados os fenômenos 7.

Com o intuito de se pesquisar experiências internacionais versando sobre o tema, foi realizada uma busca no banco de dados da PubMed (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/) com as palavras-chave em inglês: “digital health technology” e “covid-19”, no mês de julho de 2020, que resultou em 93 manuscritos. Para a análise dos estudos, definiu-se como critério de inclusão: (1) explanar sobre tecnologias digitais em saúde na perspectiva de enfrentamento à COVID-19; (2) estar disponível na íntegra gratuitamente; e (3) estar nos idiomas português, inglês ou espanhol. O estudo respeitou o período cronológico de 10 anos. Após a leitura inicial dos títulos, resumos e dos manuscritos na íntegra, bem como a aplicação dos critérios de inclusão, foram selecionados 27 artigos para compor a amostra. Além dos manuscritos selecionados na base científica PubMed, também foi realizada uma busca por conveniência sobre a temática no site oficial do Ministério da Saúde (https://coronavirus.saude.gov.br/), com o intuito de encontrar mais informações sobre as implementações nacionais.

Os resultados foram compilados e divididos em iniciativas brasileiras e internacionais. Assim, o artigo possui 4 seções: (i) O Uso de Tecnologias Digitais em Saúde para o Controle da COVID-19 no Brasil; (ii) O Uso de Tecnologias Digitais em Saúde para o Controle da COVID-19 no Resto do Mundo; (iii) Discussão; e (iv) Considerações Finais.

O uso de tecnologias digitais em saúde para o controle da COVID-19 no Brasil

No cenário brasileiro, destaca-se uma ferramenta que contribui para a prática de trabalho da atenção primária à saúde (APS): o e-SUS APS (https://aps.saude.gov.br/ape/esus), que é uma estratégia do Departamento de Saúde da Família, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Ministério da Saúde, para estruturar as informações em saúde da APS no Brasil 8 e também possibilitar o acesso às informações e uso do prontuário eletrônico do cidadão 9. O e-SUS APS apresenta a funcionalidade de agenda online, na qual os pacientes podem agendar consultas nas unidades de saúde de maneira remota. Essa agenda está vinculada ao aplicativo Conecte SUS Cidadão (https://conectesus-paciente.saude.gov.br/), que tem o objetivo de permitir que a população acesse informações pessoais e clínicas disponíveis nas bases de dados, o que possibilita o acesso a inúmeras informações de saúde, inclusive aos resultados de exames da COVID-19.

Além disso, o Ministério da Saúde desenvolveu serviços de atendimento pré-clínico com quatro formas de atendimento à população, por meio do App Corona Vírus, que tem o objetivo de orientar sobre a prevenção do vírus, coletar dados da população sobre sua condição de saúde e, dependendo das respostas, indicar o encaminhamento clínico do paciente. O Ministério da Saúde também disponibilizou um chat online (no sitehttps://coronavirus.saude.gov.br/), um número para atendimento telefônico (136) e um canal de comunicação via WhatsApp com o objetivo de facilitar a comunicação entre o paciente e o serviço de saúde, minimizando os riscos de exposição e contágio 10.

Desde a chegada da pandemia de COVID-19 no Brasil, identificou-se a instituição de diversas iniciativas ligadas à telessaúde/telemedicina fazendo parte de alguns planos de contingência da epidemia elaborados por governos estaduais, com atuação na assistência, comunicação e capacitação dos profissionais de saúde 11,12,13,14,15. Também identificou-se o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas de autoavaliação que funcionam de maneira integrada visando à identificação de pacientes contaminados com o novo coronavírus. Essas tecnologias têm o objetivo de reduzir a exposição e o contato de usuários infectados com outras pessoas, diminuindo a propagação do vírus 16.

Em nível local também é possível identificar algumas iniciativas, a exemplo da Prefeitura de Curitiba, Paraná, que implantou consulta via telemedicina na APS. O serviço está estruturado em uma central de atendimento telefônico composta por profissionais médicos que realizam a triagem e avaliação dos sintomas. Posterior a isso, as informações referentes à consulta são enviadas para o prontuário eletrônico do paciente e a unidade de saúde responsável continua o seu acompanhamento clínico, por meio de ligações diárias para avaliação dos sintomas e orientação do usuário 17. Outro exemplo é o programa AlôSaúde Floripa (https://alosaudefloripa.com.br/), instituído no Município de Florianópolis, Santa Catarina, que também é um serviço de atendimento pré-clínico que fornece orientações em saúde aos cidadãos e disponibiliza a comunicação por meio de ligações gratuitas, vídeochamadas ou contato via WhatsApp. Na mesma perspectiva, a Prefeitura do Recife, Pernambuco, juntamente com o governo do estado lançaram um aplicativo web que garante orientações virtuais sobre a COVID-19, permite a classificação de risco do paciente e, se necessário, a realização de vídeochamada com enfermeiros ou médicos. A ferramenta pode ser acessada por celular ou computador (pelo endereço http://www.atendeemcasa.pe.gov.br) 18.

Ainda, identificou-se iniciativas de estímulo ao desenvolvimento tecnológico nos governos de São Paulo e Minas Gerais, que recentemente lançaram editais para o financiamento de startups na área de eHealth, visando a fortalecer as ferramentas tecnológicas de enfrentamento à pandemia de COVID-19 19,20.

O uso de tecnologias digitais em saúde para o controle da COVID-19 no resto do mundo

A China desenvolveu uma ferramenta vinculada ao aplicativo WeChat que analisa dados de usuários e rastreia contatos próximos de todos os pacientes, o que permite o rastreamento e o isolamento precoce de possíveis fontes de infecção. Os dados oriundos dessa análise também podem ser mesclados com outros dados para prever tendências epidêmicas e calcular riscos individuais e coletivos 21. A China também apresentou avanços no desenvolvimento de estratégias para o diagnóstico por imagem e telemedicina. Pesquisadores da área de eHealth e o setor de informática clínica do país desenvolveram soluções de diagnóstico assistido por computador para o tratamento da COVID-19. A experiência chinesa mostra que as tecnologias digitais em saúde desempenham um papel fundamental na resposta à pandemia da COVID-19 22. Os recursos de inteligência artificial e base de dados colaboraram para o rastreamento de casos e para a logística do país no que diz respeito à distribuição de suprimentos médicos 23.

Identificou-se que no Reino Unido o Serviço Nacional de Saúde (National Health Service - NHS) disponibilizou serviços telefônicos para informação e solução de dúvidas da população. Além disso, o NHS também dispõe de um verificador de sintomas online e oferta outros recursos virtuais, por meio do site NHS 111 online (https://111.nhs.uk/). Desse modo, os pacientes com sintomas leves e sem complicações podem realizar consultas de casa, e os casos agravados são encaminhados ao serviço de saúde adequado. Os atestados médicos também podem ser obtidos diretamente do site NHS 111 online 5. Com o isolamento social, causado pela pandemia, no Reino Unido pesquisadores desenvolveram um aplicativo com base em requisitos ágeis, usando a inteligência artificial por voz, que visa a conectar as pessoas, especialmente idosos com seus familiares e amigos, diminuindo os danos sociais, físicos e mentais causados pelo isolamento 24.

Nos Estados Unidos, percebeu-se que a telessaúde desempenhou um papel significativo na prestação de serviços durante as três fases da pandemia de COVID-19: (1) atendimento ambulatorial em regime de internação domiciliar; (2) surto hospitalar inicial da COVID-19; e (3) recuperação e tratamento dos casos 25,26.

Além disso, em nível mundial foi desenvolvida uma tecnologia que por meio das postagens no Twitter é possível o rastreamento de pessoas que tiveram alguma experiência com o vírus ou os sintomas causados por ele. Essa análise é feita baseando-se em uma busca por palavras-chave e foram encontrados 4.492.954 tweets com termos relacionados à COVID-19, 63% deles nos Estados Unidos 27.

Nessa perspectiva, alguns governos, tais como o da Província de Alberta no Canadá, e os de Austrália, França, Alemanha e Reino Unido implantaram ou expressaram interesse no rastreamento digital de contatos. A maioria desses aplicativos de rastreamento de contatos da COVID-19 usa a força do sinal bluetooth para inferir a distância entre smartphones e definir o status da exposição com base na distância e na duração da proximidade de um indivíduo posteriormente identificado como infectado. Os aplicativos baseados em bluetooth foram lançados em Alberta, Austrália e Singapura, usando uma estrutura desenvolvida pela Agência de Tecnologia do Governo de Singapura 28.

Alguns países, como Singapura, Estados Unidos, Indonésia, Polônia e Israel, também investiram em aplicativos móveis para rastrear os casos e notificar as autoridades, usando a tecnologia bluetooth26. Com o objetivo de rastrear os viajantes que apresentam sintomas de COVID-19, o Taiwan integrou o banco de dados nacional do seguro de saúde com o banco de dados de imigração e alfândega, visando a criar um recurso de big data para análises. As informações foram usadas para classificar os viajantes de risco e gerar alertas em tempo real durante as visitas clínicas 29.

A Índia também desenvolveu um aplicativo que pode detectar outros smartphones de modo a mensurar o risco de infecção com base em outros casos positivados para o novo coronavírus. A base desse cálculo é feita usando-se bluetooth, algoritmos e inteligência artificial. Ainda, o governo indiano desenvolveu um chatbot (robô de bate-papo) que ajuda os usuários a obter respostas para suas perguntas sobre a COVID-19 e a analisar o risco de infecção com relação a seus sintomas 26.

Também verificou-se o desenvolvimento de tecnologias digitais direcionadas ao atendimento psiquiátrico/de saúde mental nos Estados Unidos e Croácia. Os pesquisadores americanos concluíram que os aplicativos direcionados ao atendimento de saúde mental são mais efetivos quando podem ser personalizados de acordo com as necessidades e cuidados de cada paciente. A experiência croata aponta para avanços no desenvolvimento de ferramentas e métodos para a mensuração de emoções, inoculação do estresse e prevenção de distúrbios relacionados ao estresse 30,31.

A Comunidade Autônoma da Catalunha, localizada no nordeste da Espanha, considerada polo de desenvolvimento e referência em eHealth no país, desenvolveu várias iniciativas digitais para o enfrentamento da COVID-19. A primeira delas foi a criação de um call center para facilitar o cadastro da população nos serviços de saúde. Posterior a isso, foi investido em aprimoramentos no sistema de visitas virtuais, conhecido como eConsult, de modo a permitir que os profissionais de saúde marquem vídeoconferências com os pacientes, tanto nos serviços de atenção primária quanto na atenção especializada. Também foi desenvolvido um aplicativo para a autoavaliação dos sintomas da doença, chamado Stop Covid Cat (https://www.intelligentcitieschallenge.eu/stop-covid19-cat), que além de auxiliar o usuário na compreensão sobre sua condição de saúde, também inclui a função de geolocalização 32.

Ainda, o governo da Espanha implantou um portal web (https://www.mscbs.gob.es/sanidad/portada/home.htm) para o gerenciamento emocional da população e instituiu relatórios diários para o acompanhamento do status de saúde de pacientes internados em casas de repouso (públicas e privadas). Também desenvolveu técnicas de análise de dados para prever o número necessário de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), bem como métodos de análise automática de relatórios de emergência e hospitalização, visando a explorar fatores predisponentes e casos positivos não codificados 32.

A Catalunha também reduziu barreiras burocráticas nos processos de assistência em saúde, permitindo que os pacientes acessem os seus dados, facilitando o acesso de farmácias aos planos de medicamentos dos pacientes via sistema eletrônico de prescrição, a fim de reduzir o ônus dos cidadãos e dos centros de atenção primária, e viabilizou a extensão automática de planos de tratamento para doenças crônicas 32.

Outro exemplo de solução tecnológica para o enfrentamento da COVID-19 foi desenvolvido em Israel, chamado TeleICU (https://www.soctelemed.com/resources/telemedicine-glossary/what-is-teleicu/), que é uma ferramenta que utiliza análises preditivas baseadas em inteligência artificial para expandir exponencialmente a capacidade e os recursos das UTI. Seus algoritmos são treinados para identificar antecipadamente a deterioração respiratória, permitindo intervenções precoces que podem alterar o resultado clínico, principalmente em pacientes com COVID-19. Isso permite que os profissionais de saúde identifiquem a gravidade da doença em um centro de comando remoto. As unidades de campo usarão tecnologias de telemedicina para fornecer monitoramento remoto do paciente com base em instalações centralizadas de comando e controle 26.

Alguns países da América Latina, como Equador, Argentina, Peru, Uruguai, Colômbia e México, também investiram em soluções tecnológicas para o enfrentamento da pandemia, como aplicativos de comunicação e orientação à tomada de decisão do usuário, aplicativos de autodiagnóstico, guias de cuidados, guias de serviços que podem ser utilizados em caso de agravamento do quadro clínico, geolocalização dos casos ativos e estruturação de rede de telessaúde para ofertar orientação médica e gratuita em tempo real (AlôSaúde Floripa. https://alosaudefloripa.com.br/).

O Quadro 1 sintetiza as ferramentas criadas e usadas para o enfrentamento da COVID-19 no Brasil e no mundo.

 

 

Tab.: 1
Quadro 1 Apresentação dos tipos de tecnologia implementados no Brasil e no mundo para o enfrentamento da COVID-19.

 

Ainda, pode-se visualizar um resumo dos tipos de ferramentas tecnológicas implantadas e as suas funcionalidades para o combate à COVID-19 Quadro 2.

 

 

Tab.: 2
Quadro 2 Principais funcionalidades das tecnologias implementadas no Brasil e no mundo para o enfrentamento da COVID-19.

 

Discussão

A atuação da APS ganha maior relevância neste momento de pandemia do novo coronavírus, necessitando que sejam reconhecidas suas peculiaridades e necessidades para o exercício do cuidado em saúde. O modelo de organização da APS no Brasil possibilita o manejo dos casos suspeitos de síndrome gripal, com notificação compulsória e prescrição do isolamento domiciliar 33,34,35. Nesse cenário, as tecnologias digitais em saúde como o e-SUS APS e sua funcionalidade de agenda online ganham protagonismo como ferramentas facilitadoras do processo de cuidado, principalmente neste momento de reorganização dos serviços para o atendimento da demanda gerada com a pandemia de COVID-19.

As novas práticas de cuidado que emergiram com a pandemia revolucionaram a forma de “fazer saúde”, o que enfatiza alguns desafios a serem enfrentados. Baseando-se em experiências internacionais, destacam-se orientações para a implantação de tecnologias de cuidado não presencial, com enfoque no treinamento e supervisão de profissionais, licenciamento profissional para atendimento em âmbito nacional, estabelecimento de mecanismos de segurança digital, proteção à privacidade e avaliação contínua das intervenções realizadas nesse novo modelo de atendimento 36.

Até o ano de 2019, a telemedicina era definida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) pelo uso de métodos interativos de comunicação de áudio e vídeo, mas apenas com o objetivo de assistência, pesquisa em saúde e educação. O CFM permitia que os profissionais da área realizassem teleconsultas, telecirurgias e telediagnóstico. Em 2020, com a pandemia da COVID-19, foi necessário expandir as possibilidades de atendimento online para pacientes em isolamento 37 e, com isto, é preciso ter domínio de ferramentas tecnológicas com o intuito de flexibilizar as rotinas e aumentar a produtividade que são inerentes à qualidade dos serviços.

As ferramentas digitais que promovem a interação entre profissionais de saúde e paciente de forma virtual oportunizam uma avaliação à distância da condição de saúde dos usuários. Assim, o profissional consegue definir estratégias para o questionamento e a formulação de hipóteses clínicas, visando a compreender a situação de saúde dos pacientes. Remotamente, define-se um plano de cuidado ou são realizados outros encaminhamentos 22.

Essa iniciativa demonstra que a inserção da tecnologia interativa e diagnóstica no setor da saúde apresenta posição de destaque e vem sendo uma forte aliada no combate à pandemia de COVID-19. Além disso, os métodos de cuidado não presencial oportunizam o acesso facilitado aos serviços de saúde, tudo isso em um cenário de caos na saúde pública mundial. Vale contextualizar que a implantação de tecnologias interativas requer adequação, treinamento de recursos humanos e logística de acesso 6,38,39.

Os pacientes podem necessitar de serviços de diferentes níveis de complexidade e, com o uso adequado de instrumentos tecnológicos, pode-se contribuir para o encaminhamento certeiro dos cidadãos ao local mais adequado. Assim, previne-se o contato entre um paciente possivelmente infectado e diversos atores da saúde. A telemedicina é uma tecnologia disseminada nos sistemas de saúde do mundo e está em processo de regulamentação no Brasil. O Ministério da Saúde publicou no dia 23 de março de 2020 a Portaria nº 467/202040, em caráter excepcional e temporário, que dispõe sobre atividades da telemedicina no Brasil, seja no âmbito do SUS ou para os planos de saúde privada.

O estudo de Caetano et al. 37 apresenta desafios para a efetiva implantação da telessaúde/telemedicina no cenário brasileiro, especialmente pela resistência dos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) que alegam que esta prática desrespeita o Art. 37 do Código de Ética Médica: “prescrever tratamento e outros procedimentos sem exame direto do paciente”. Além disso, destacam-se o baixo grau de integração da telemedicina com as diretrizes nacionais de saúde pública, falta de regulamentação e incentivo financeiro, necessidade de desenvolvimento de diretrizes clínicas, padronização de questionários e algoritmos para o atendimento ao paciente e o estabelecimento de mecanismos de compartilhamento de dados em saúde, visando a integrar os bancos de dados da telemedicina com a vigilância epidemiológica.

Apesar dos desafios dispostos por Caetano et al. 37, a telemedicina passou a ser uma ponte para a integração do atendimento, tornando-o mais acessível, mais conveniente, com maior confidencialidade e menor risco de contágio, que são chamados de “cinco Cs” 41 e irão moldar o futuro da telemedicina, porém, sabe-se que para sua implantação em um cenário não pandêmico haverá muitos desafios. No entanto, as proposições jurídicas e legais para a viabilização e a normatização das práticas de telemedicina são muito importantes para que se desenvolvam avanços no setor, além de questões de viabilidade de acordo com cada realidade enfrentada por todo o país. Indo ao encontro do exposto, a Índia lançou as Diretrizes de Prática em Telemedicina, 2020, com o objetivo de avançar na construção de uma medicina moderna 26.

O desenvolvimento de chatbots ajuda os pacientes no reconhecimento dos primeiros sintomas, na educação sobre métodos de prevenção, bem como encaminhá-los para os serviços de saúde. Nesse cenário, o uso da Inteligência Artificial por hospitais na China, que dispõem de um grande banco de dados sobre casos positivos da COVID-19, úteis para a estruturação de algoritmos, pode ser utilizada na triagem de casos suspeitos, por exemplo, analisando o histórico de viagens para a China, Irã ou Coreia do Sul, ou a exposição a casos confirmados e posteriormente no isolamento destes casos 42. Assim, a utilização de sistemas de triagem baseados em inteligência artificial pode aliviar a carga clínica dos profissionais que atuam no enfrentamento da COVID-19. Ainda, aplicativos telefônicos que detectam e registram os dados dos pacientes como temperatura e sintomas diários, podem impedir consultas desnecessárias 6,42. Assim como ocorre em Israel, que usa uma ferramenta baseada em inteligência artificial como forma de adaptar e melhorar o manejo das UTIs com algoritmos treinados para identificar com rapidez uma possível descompensação respiratória, possibilitando, assim, uma melhor intervenção feita pela equipe de saúde.

A tradicional chamada telefônica pode ser utilizada como uma ferramenta segura e tem seus benefícios para a realização de consultas relacionadas à COVID-19, principalmente quando se trata de orientações, relatos de sintomas, dentre outros cenários de menor gravidade. Já a chamada de vídeo pode ser uma alternativa de acompanhamento clínico mais confiável por fornecer informações visuais adicionais, pistas de diagnóstico e sensação terapêutica, que podem ser observadas pelo profissional de saúde. Assim, o vídeo pode ser mais apropriado para casos com sintomas intensos, associação com outras comorbidades e análise de circunstâncias sociais que influenciam o curso da doença 5.

O caminho para a saúde digital acontece pela transformação do modo tradicional de assistência à saúde, que engloba vários recursos como o amplo acesso a registros eletrônicos de saúde, soluções de monitoramento remoto, criação de portais de acesso para os pacientes, desenvolvimento de aplicativos móveis de saúde, métodos de análise de dados e outras tecnologias 6,32.

Nessa perspectiva, enfatiza-se a importância da consolidação do setor de eHealth no cenário atual brasileiro e mundial como estratégia para melhorar a qualidade do cuidado e expandir o acesso aos serviços de saúde. Os países vivem um momento de reconstrução do setor saúde, com a incorporação de novas tecnologias, visando a simplificar os cuidados e melhorar o fluxo das informações de saúde.

Considerações finais

A implantação das soluções tecnológicas apresentadas neste estudo contribui para a redução da aglomeração de pessoas nos espaços de saúde e proporciona rapidez e facilidade de acesso aos serviços. Dentre as experiências internacionais apresentadas, destacam-se as implementações em países que já apresentavam considerável avanço tecnológico na área de eHealth, com a efetivação de soluções tecnológicas de manejo clínico do paciente, diagnóstico por imagem, uso de inteligência artificial para analisar riscos e propor intervenções, rastreamento de casos, desenvolvimento de aplicativos para a geolocalização, ferramentas para análise de dados e relatórios, ferramentas de autodiagnóstico e orientação à tomada de decisão, dentre outros.

Em comparação às experiências internacionais, as iniciativas brasileiras também estão na direção das inovações em saúde impulsionadas pela pandemia, com a implantação de tecnologias para atendimento pré-clínico não presencial, agendamento online, telemedicina, autoavaliação dos sintomas, canais de chat, canais telefônicos, recrutamento e treinamento de recursos humanos.

Embora a pandemia de COVID-19 seja uma situação crítica e não desejada, entende-se que as experiências vivenciadas neste período podem oportunizar a melhoria de processos e fluxos no uso de tecnologias de informática e telecomunicação na saúde. Neste momento, e no futuro dos serviços de saúde, as tecnologias digitais podem facilitar e melhorar o acesso e qualidade dos atendimentos. Assim, é de extrema importância oportunizar a reflexão, encorajar estudos sobre a implantação de novas tecnologias, bem como buscar usá-las da melhor maneira e avaliar o impacto de sua efetivação nas práticas dos sistemas de saúde.

Este estudo justifica sua relevância acadêmica, política e social pois apresenta e contextualiza algumas iniciativas tecnológicas em saúde na esfera pública e privada, no Brasil e em outros países do mundo. Ainda, apresenta estratégias implementadas em cenários nos quais o enfrentamento da pandemia está em estágio avançado.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Ministério da Saúde, que financiou esta pesquisa como parte integrante do Projeto e-SUS APS Etapa 4.

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