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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

36 nº.12

Rio de Janeiro, Dezembro 2020


ARTIGO

O patrocínio de empresas do setor de alimentação e bebidas no futebol brasileiro: um obstáculo para a promoção da alimentação saudável

Juliana de Paula Matos, Larissa Cardoso de Miranda Araújo, Paula Martins Horta

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00219719


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RESUMO
O patrocínio de empresas de alimentos e bebidas ultraprocessados é uma prática de marketing comum no esporte, capaz de influenciar os consumidores, e que é desconhecida no Brasil. Nesse cenário, objetivou-se identificar o perfil do patrocínio de empresas do setor de alimentação e bebidas de clubes de futebol no Brasil e associar a ocorrência desse patrocínio a características dos clubes. A amostra contemplou as empresas desses setores patrocinadoras dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2018. As empresas de alimentos foram identificadas quanto ao perfil de seus produtos segundo a classificação NOVA, e foram obtidas informações a respeito do número de títulos na Copa Libertadores da América, no Campeonato Brasileiro e nos campeonatos estaduais; tempo de história; região do Brasil; número de torcedores e receitas de patrocínios/publicidade e de direito de transmissão na TV. Foram identificados 280 patrocinadores, com repetição de patrocinadores entre os clubes, dos quais, 11,5% eram do setor de alimentos, com destaque para os ultraprocessados (9,4%), sendo 6,7% de bebidas ultraprocessadas. O patrocínio pela categoria de ultraprocessados foi mais prevalente entre os clubes com maior número de títulos no Campeonato Brasileiro e na Copa Libertadores da América e entre aqueles com maior número de torcedores e volume de receitas de patrocínios/publicidade e por direito de transmissão de seus jogos na TV. Assim, evidenciou-se presença significativa de empresas de ultraprocessados como patrocinadores dos clubes de futebol, sobretudo entre os clubes com maior número de vitórias em campeonatos e popularidade, configurando-se como um obstáculo à promoção da alimentação adequada e saudável.

Futebol; Publicidade de Alimentos; Alimentos Industrializados


 

Introdução

O futebol é a modalidade esportiva mais assistida no mundo, com competições que atingem audiências de 4,7 bilhões de expectadores 1. Uma pesquisa na América Latina com cerca de 70 milhões de indivíduos revelou que o futebol está entre os temas favoritos de cerca de 63 milhões de pessoas que consomem mídias como televisão, rádio e Internet, e, no Brasil, o futebol é o esporte mais assistido entre quem acompanha, pela TV, as partidas das equipes nacionais 2. Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é a mais popular entre as confederações esportivas profissionais do país 3.

A popularidade do futebol o torna um segmento esportivo potencial para investimentos em marketing, a exemplo de patrocínios destinados a clubes ou associações esportivas 4. No Brasil, em 2018, o setor de esportes, em conjunto com os setores de cultura, lazer e turismo, figurou-se na 3ª posição do ranking entre os 10 setores com maior número de novos anunciantes publicitários, e o setor de alimentação foi o que mais patrocinou instituições, sendo o terceiro em volume de marcas que patrocinaram clubes de futebol 5. Dentre as principais empresas desses segmentos patrocinadoras do esporte, estão as de produtos não saudáveis, como os alimentos e bebidas ultraprocessados 1,6,7,8,9. Esse tipo de prática é tida como crítica do ponto de vista de saúde pública, uma vez que a aproximação entre alimentos e bebidas ultraprocessados, incluindo as bebidas alcoólicas, e esporte pode gerar o entendimento de que esses produtos estão ligados a um bem-estar geral, como saúde, lazer e atividade física 10.

O patrocínio das empresas de alimentos e bebidas ultraprocessados faz parte de um pacote maior de atuação da indústria de alimentos e de bebidas alcoólicas, capaz de influenciar decisões políticas e econômicas. Entre as estratégias mais comumente utilizadas nesse setor na América Latina, destacam-se a formulação de políticas de lobby, o reforço da importância econômica da indústria, a criação de debates favoráveis a questões relacionadas à saúde pública dotados de conflitos de interesse e o estabelecimento de relações com decisores políticos 11,12,13.

O sucesso das práticas comerciais e políticas da indústria de alimentos e bebidas ultraprocessados, incluindo os efeitos do marketing, tem reflexo no aumento do volume global de vendas desses produtos e, consequentemente, em seu consumo. Essas mudanças estão associadas à piora do padrão alimentar e ao estado nutricional da população, assim como a impactos desfavoráveis no sistema alimentar global 14,15,16. No Brasil, o cenário epidemiológico atual é marcado por mais da metade da população adulta (55,7%) com excesso de peso e cerca de 20% em obesidade 17. A participação de alimentos ultraprocessados no total de calorias adquiridas por dia nos domicílios brasileiros aumentou de 20,8%, em 2002-2003, para 25,4%, em 2008-2009 18. Além disso, a frequência do consumo abusivo de bebidas alcoólicas no país é de aproximadamente 20% 17.

Diante do exposto, o marketing dos alimentos e bebidas ultraprocessados, e especificamente, no caso do presente estudo, o patrocínio de empresas desse segmento no esporte, é considerado um importante obstáculo para uma alimentação adequada e saudável 19. Para tanto, organizações nacionais e internacionais destacam a importância do debate acerca da regulação do marketing voltado a esses produtos e orientam sobre a adoção de políticas para a regulamentação (proibição e restrição) da publicidade e patrocínio desses produtos para reduzir as externalidades em saúde 20,21,22.

Nesse contexto, torna-se relevante a identificação do perfil dos patrocinadores do futebol brasileiro, e, sobretudo, das características que direcionam a escolha de grandes empresas de alimentos e bebidas por seus patrocinados. Assim, este estudo tem por objetivo identificar o perfil do patrocínio de empresas do setor de alimentação e bebidas dos clubes pertencentes à Série A do Campeonato Brasileiro de futebol em 2018 e associar a ocorrência desse patrocínio a características dos clubes.

Métodos

Trata-se de um estudo exploratório. Os patrocinadores dos 20 clubes classificados na Série A do Campeonato Brasileiro em 2018 foram identificados e estão listados a seguir por ordem de colocação na competição: Palmeiras, Flamengo, Internacional, Grêmio, São Paulo, Atlético/MG, Athletico/PR, Cruzeiro, Botafogo, Santos, Bahia, Fluminense, Corinthians, Chapecoense, Ceará, Vasco, Sport, América/MG, Vitória e Paraná. Os clubes foram selecionados considerando a sua popularidade nos principais meios de comunicação digital (Facebook, Twitter, Instagram e YouTube): 85% dos clubes classificados na Série A, ao fim do Campeonato Brasileiro de 2018, apresentavam os maiores números de inscritos nessas bases digitais 23.

Empresas denominadas patrocinadores, parceiros, apoiadores ou fornecedores oficiais dos clubes de futebol em seus sites oficiais em janeiro de 2019 foram consideradas, no presente estudo, como patrocinadores oficiais dos clubes. Essas empresas foram posteriormente classificadas como: (1) de alimentos; (2) de serviços de alimentação, a exemplo de supermercados e restaurantes; (3) de bebidas alcoólicas; e (4) de outros segmentos, a exemplo do setor de bens de consumo, comunicação e finanças.

A categoria de empresas de alimentos foi subclassificada segundo natureza, extensão e grau de processamento industrial dos alimentos, de acordo com a classificação NOVA, adotada no Guia Alimentar para a População Brasileira19,24, em: alimentos “in natura/minimamente processados” e “ultraprocessados”. A subcategoria “ultraprocessados” foi ainda subdividida em: “bebidas ultraprocessadas” e “outros ultraprocessados”. Não foram identificadas marcas de “ingredientes culinários” ou “produtos processados” como patrocinadores dos clubes.

A classificação NOVA, ao considerar o grau e a extensão do processamento industrial dos alimentos, caracteriza-se como a única referência de classificação de alimentos que consegue se associar, de forma robusta, às mudanças epidemiológicas, nutricionais e do sistema alimentar global, notadas nas últimas décadas 25,26. Por essa razão, optou-se por adotá-la como referência para a classificação das empresas de alimentos patrocinadoras dos clubes de futebol.

Para a definição da classificação dos alimentos ofertados pelas empresas, foi efetuada uma vistoria nos seus respectivos sites, e todas as linhas de produtos alimentícios foram avaliadas. No caso de empresas que ofertavam alimentos dos dois tipos de classificação utilizada - in natura/minimamente processados e ultraprocessados, foi considerada a predominância mais ofertada. Por exemplo, uma empresa que comercializava água mineral, mas também comercializava bebidas ultraprocessadas em grande variedade (energéticos, refrescos e refrigerantes), foi classificada na categoria de “bebidas ultraprocessadas”.

Os dados de patrocínio foram associados a características dos clubes, incluindo: número de títulos conquistados na Copa Libertadores da América, no Campeonato Brasileiro e nos campeonatos estaduais; número aproximado de torcedores; valor total anual de receitas de patrocínios/publicidade e de direito por transmissão por emissoras de TV; tempo de história (em anos) e estado de origem, categorizado, posteriormente, por região do Brasil em Sudeste/não Sudeste, em virtude da maior representatividade de clubes dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo na amostra. Esses dados foram obtidos dos sites oficiais dos clubes e em sites de conteúdo jornalístico de futebol no Brasil.

A análise dos dados contemplou a descrição das variáveis de caracterização dos clubes em frequência absoluta e relativa e em média e desvio padrão. Além disso, calculou-se o percentual de participação de empresas de alimentos, de bebidas alcoólicas e de serviços de alimentação sobre o total de patrocinadores de cada clube. Todas as variáveis foram testadas quanto à normalidade de sua distribuição pelo teste de normalidade de Shapiro-Francia. Os dados quantitativos de caracterização dos clubes foram categorizados em suas respectivas medianas. Aplicou-se o teste t de Student para variâncias iguais e diferentes para comparação da média percentual de patrocínio de empresas entre as categorias obtidas. Consideraram-se, como diferenças significativas, resultados com valor de p < 0,05 (α = 5%). Finalmente, as empresas foram descritas quanto ao número de clubes patrocinados. Os dados foram tabulados em Excel (https://products.office.com/) e analisados estatisticamente no software Stata versão 12.0 (https://www.stata.com).

Resultados

Os clubes da Região Sudeste representaram mais da metade (55%) dos clubes avaliados, e cerca de 70% dos clubes são centenários. Apenas cinco clubes (25%) não possuem títulos do Campeonato Brasileiro, dois (10%) possuem menos de 10 títulos estaduais, e metade dos clubes (50%) não possui títulos da Copa Libertadores da América. Os clubes com maior número de torcedores foram classificados entre os cinco mais bem colocados no campeonato em 2018, com exceção do Corinthians, que ocupou a 13a posição. Evidenciou-se que, independentemente da posição ocupada pelos clubes nesse campeonato, os investimentos de patrocínios/publicidade e das receitas por direito de transmissão em TV são da unidade de milhões de Reais, e, para todos os 20 clubes, essas receitas somam aproximadamente 2,5 bilhões de Reais Tabela 1.

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Características dos clubes classificados na Série A do Campeonato Brasileiro de 2018. Brasil, 2018.

 

Um total de 280 patrocinadores foram identificados, com repetição de patrocinadores para diferentes clubes, dos quais, 11,5% eram compostos pelas categorias de alimentos, e 2%, de serviços de alimentação. Dentre esses primeiros, a subcategoria de alimentos in natura/minimamente processados foi responsável por 2,2% dos patrocínios, e a de ultraprocessados, por 9,4%, sendo 6,7% de bebidas ultraprocessadas e 2,6% de outros ultraprocessados. A categoria de bebidas alcoólicas representou 6,4% dos patrocinadores Tabela 2.

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Participação de empresas patrocinadoras de clubes de futebol por categoria de alimentos, serviços de alimentação, bebidas alcoólicas e outros segmentos no Campeonato Brasileiro 2018. Brasil, 2018.

 

Considerando as características dos clubes associadas ao patrocínio, os resultados apontaram maior patrocínio pelas empresas de alimentos aos clubes com maior número de títulos do Campeonato Brasileiro (M2: 15,9% vs. M1: 7,9%). Entre as empresas de alimentos ultraprocessados, evidenciou-se maior patrocínio aos clubes com maior número de torcedores (M2: 13,7% vs. M1: 5,2%) e com maior número de títulos do Campeonato Brasileiro (M2: 14,8% vs. M1: 5,4%) e da Copa Libertadores da América (M2: 13,2% vs. M1: 5,5%). Essas associações também foram identificadas considerando-se somente o segmento de bebidas ultraprocessadas para número de torcedores (M2: 12,3% vs. M1: 2,6%) e número de títulos do Campeonato Brasileiro (M2: 12,8% vs. M1: 1,8%) e Copa Libertadores da América (M2: 11,9% vs. M1: 1,5%) Tabela 2. Além disso, as empresas de bebidas ultraprocessadas patrocinaram mais clubes com maior volume geral de receitas de patrocínios/publicidade (M2: 11,3% vs. M1: 2,1%) e maior volume de receitas por direito de transmissão por emissoras de TV (M2: 11,4% vs. M1: 2,1%). As empresas de serviços de alimentação, por sua vez, patrocinaram mais os clubes com maior volume geral de receitas de patrocínios/publicidade (M2: 4,1% vs. M1: 0,0%) Tabela 2.

Relação inversa foi observada quanto ao patrocínio de empresas de outros segmentos: notou-se que esse foi mais frequente em clubes com menor volume geral de receitas de patrocínios/publicidade (M1: 85,2% vs. M2: 74,7%), menor número de títulos do Campeonato Brasileiro (M1: 84,4% vs. M2: 74,5%) e da Copa Libertadores da América (M1: 85% vs. M2: 74,9%) Tabela 2.

Quanto ao patrocínio realizado pelas empresas de bebidas alcoólicas, não foram verificadas associações entre esse patrocínio e as características dos clubes Tabela 2.

Finalmente, em relação à prevalência de patrocínios por empresas, aquelas pertencentes à categoria de bebidas alcoólicas patrocinaram 16 dos 20 clubes estudados, com destaque para a Brahma (https://cervejaria.brahma.com.br/) que patrocinou 15 desses. Em seguida, destacou-se a subcategoria de bebidas ultraprocessadas, especialmente a Gatorade (http://www.gatorade.com.br/) e a Bioleve (https://www.bioleve.com.br/) que patrocinaram, respectivamente, 9 e 5 dos 20 clubes analisados Tabela 3.

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Número de clubes da Série A do Campeonato Brasileiro 2018 patrocinados por empresas de alimentos, bebidas alcoólicas e não alcoólicas e de serviços de alimentação.

 

Discussão

Este estudo, de forma pioneira, evidencia a grande participação do patrocínio de empresas do setor de alimentação e bebidas entre os clubes de futebol brasileiro. Ademais, o patrocínio de alimentos ultraprocessados foi mais prevalente entre os clubes com maior número de títulos em competições nacionais e internacionais, maior número de torcedores e maior volume geral de receitas de patrocínios/publicidade e por direito de transmissão em emissoras de TV, sendo o inverso notado para o patrocínio de empresas de outros segmentos. Esse achado demonstra o investimento peculiar que empresas de alimentos realizam no marketing futebolístico.

Em outros países, análises do perfil dos patrocinadores no esporte já foram realizadas. Uma revisão sistemática de estudos publicados entre os anos de 1985 e 2011 na Austrália, Reino Unido, Nova Zelândia, Estados Unidos e Canadá identificou que o patrocínio no esporte, sobretudo voltado para crianças e jovens, é dominado por alimentos e bebidas não saudáveis, ricos em energia e pobres em nutrientes 27. Nos Estados Unidos, um estudo recente identificou os patrocinadores das dez organizações esportivas cujos eventos na televisão eram mais assistidos por jovens entre 10 e 17 anos e apontou que as empresas de alimentos e de estabelecimentos de venda de alimentos se figuraram como uma das categorias mais prevalentes, com destaque para as bebidas açucaradas 7. Similarmente, na Nova Zelândia, empresas de bebidas ultraprocessadas foram as que mais patrocinaram os clubes esportivos em modalidades distintas 8.

No entanto, os estudos mencionados utilizaram metodologias diferentes entre si e da empregada no presente estudo para classificação dos alimentos em saudáveis e não saudáveis 27. Nesse cenário, a classificação NOVA reforça seu potencial em operacionalizar o monitoramento de indicadores relacionados à alimentação e saúde e pode ser utilizada em outros estudos de patrocínio de empresas de alimentos no esporte com o objetivo de aumentar a maior comparabilidade dos dados obtidos.

Com relação à forma como o patrocínio pode operar no cenário esportivo, a literatura aponta diversos modelos, como, por exemplo, por meio da exposição do logotipo das marcas nos uniformes dos atletas, na ilustração do placar do jogo e em banners eletrônicos dinâmicos, assim como na venda dos produtos dos patrocinadores em competições dos clubes, em recomendações da marca por atletas profissionais e nos intervalos comerciais dos jogos televisionados 9,27,28. No Brasil, o cenário não é diferente: um mapeamento do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) revelou a presença de 11 marcas diferentes do setor alimentício estampadas nos uniformes dos atletas de futebol, no Campeonato Brasileiro de 2018 29.

Quanto aos patrocinadores de empresas de bebidas alcoólicas, identificou-se que 80% dos clubes estudados são patrocinados por essa indústria, similarmente ao já evidenciado em outros estudos conduzidos no Brasil e no mundo 30,31. Por esse motivo, acredita-se que não foram verificadas diferenças com significância estatística entre a ocorrência do patrocínio e características dos clubes de futebol, visto que as empresas patrocinaram os clubes independentemente dessas informações.

O álcool é responsável por contribuir com importante parcela da carga global de doença e seus fatores de risco 32, e, assim como o marketing de alimentos, a promoção do álcool, por meio de patrocínio no esporte, é um fator determinante para o seu consumo. Uma revisão sistemática de 12 estudos longitudinais evidenciou a presença de associações significativas entre a exposição ao marketing do álcool e a iniciação ao seu consumo excessivo em jovens 1,33,34,35.

Neste estudo, marcas de alimentos e bebidas presentes no comércio global se destacaram no patrocínio aos clubes, a exemplo da Companhia de Cervejas da América (Ambev - https://www.ambev.com.br/), que está presente em 19 países do mundo e produz 30 marcas de bebidas diferentes, entre cervejas, refrigerantes e bebidas energéticas. A Gatorade, que é de propriedade da Ambev, é uma marca de bebida energética publicizada como essencial para melhorar o desempenho esportivo. Porém, evidências sobre o seu consumo e suas implicações na saúde demonstraram que essa bebida pode contribuir para o consumo excessivo de energia, má saúde bucal, obesidade e outros fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), considerando o elevado conteúdo de açúcares adicionados e de sódio 36,37,38,39. Além disso, essa marca é detentora da Gatorade Sports Science Institute (GSSI, Barrington, Estados Unidos) que desenvolve pesquisas na temática da hidratação e nutrição de atletas, das quais, há evidências de potencial conflito de interesses 38.

No Brasil, empresas de bebidas não saudáveis, como a Ambev e a Coca-Cola (https://www.coca-cola.com.br/), exercem forte atuação política comercial, por meio de beneficiamento de subsídios fiscais para a produção de refrigerantes na Zona Franca de Manaus e patrocínio à Lei Federal de Incentivo ao Esporte40. Esses exemplos ilustram o protagonismo de empresas multi e transnacionais na política comercial do século XXI que opera em um modelo complexo centrado no poder monetário e com impacto na saúde da sociedade e da população de maneira direta e indireta 41,42.

No caso específico do patrocínio no esporte, a presença de marcas de produtos não saudáveis como patrocinadoras de clubes de futebol pode promover falsas associações entre produtos com baixo valor nutricional e comportamentos saudáveis para os indivíduos. No Brasil, essas falsas associações enquadram-se no artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) que declara ser proibida toda publicidade enganosa, ou seja, qualquer tipo de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir a erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade de produtos e serviços 43.

Desse modo, a criação de uma regulação específica, clara e objetiva que limite e fiscalize a publicidade das parcerias no esporte é um caminho possível para diminuir a influência da publicidade de alimentos e bebidas pouco saudáveis e minimizar seus impactos no cenário esportivo, além de ser uma medida regulatória com impacto no ambiente alimentar de informação com potencialidades de influenciar o comportamento alimentar dos indivíduos.

A publicidade de bebidas alcoólicas é regulada no Brasil por meio da Lei nº 9.294/199644 e pelo Código de Autorregulação Publicitária (CONAR - http://www.conar.org.br, acessado em 1/Ago/2019), no entanto, ambas apresentam importantes entraves. A Lei nº 9.294/1996 tem seu âmbito de aplicação limitado por reconhecer como bebida alcoólica aquelas que possuem teor alcoólico superior a 13º Gay Lussac, deixando, de fora, a cerveja, que é a categoria mais predominante no patrocínio esportivo. Já o CONAR inclui, em suas recomendações, todas as bebidas alcoólicas, independente do teor alcoólico, e define que, nos casos de transmissão de eventos patrocinados, a estratégia publicitária deve-se limitar à identificação da marca e/ou fabricante, slogan ou frase promocional, sem a presença de recomendação de consumo do produto, sem, entretanto, restringir o horário de transmissão 44. Cabe ainda discutir que o modelo de regulação do CONAR não é efetivo, dado a inexistência de representação da sociedade civil e do Estado, sendo, predominantemente, composto por agências publicitárias, anunciantes e veículos de comunicação 45.

Com relação à publicidade de alimentos no Brasil, também há autorregulação pelo CONAR, porém, mais uma vez, ressalta-se a ineficiência do órgão em regular a temática 45. Além disso, aponta-se a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 24/2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispunha, dentre outros, sobre a publicidade de alimentos e bebidas de baixo valor nutricional, mas que foi suspensa após ação movida pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) 46.

Sobre o patrocínio esportivo, a Consulta Pública da referida resolução versava, no artigo 13, que “No caso de concessão de patrocínios por fornecedores ou distribuidores de alimentos a qualquer tipo de atividade educacional ou esportiva, não poderia ser permitida a realização de propaganda, publicidade e promoção durante a realização destes ou em qualquer outra atividade de divulgação que fosse relacionada a alimentos com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio e de bebidas com baixo teor nutricional47. No entanto, no texto da RDC nº 24/201048, a conotação de proibição do patrocínio não estava mais presente e ficou definido apenas que as peças publicitárias de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans e de bebidas com baixo teor nutricional fossem acompanhadas de alertas aos consumidor sobre a sua composição nutricional 47,48. Ou seja, o texto da RDC já estava bastante enfraquecido com relação à regulação do patrocínio de empresas e alimentos não saudáveis em relação ao texto da Consulta Pública, e, ainda assim, esse texto foi suspenso.

A ausência de regulações específicas ao tema e as evidências levantadas pelo estudo colocam o patrocínio de alimentos e bebidas no futebol como um obstáculo na promoção da alimentação adequada e saudável, uma vez que esse patrocínio está amplamente presente nos clubes e apresenta grande capacidade de direcionar preferências e estimular a compra e o consumo dos produtos patrocinadores, os quais, em excesso, implicam em risco de sobrepeso e obesidade, além de outros problemas relacionados à dieta 49.

Em suma, o estudo apresenta algumas limitações que necessitam ser destacadas. Os dados foram coletados dos sites oficiais dos clubes, e não foram avaliadas outras plataformas de publicidade, além de locais clássicos de publicidade, como os uniformes dos jogadores. Assume-se isso como uma limitação, uma vez que o esporte fornece extensa oportunidade para patrocinadores por meio de uma gama de mídia, incluindo a Internet e a cobertura televisiva 27. Além disso, não foram analisados todos os clubes de futebol do Brasil, fato que pode não representar o cenário do patrocínio em outros clubes. Ademais, a indisponibilidade dos dados de investimentos financeiros dos patrocinadores por segmentos de mercado não permitiu mensurar a quantia investida por parte especificamente de patrocinadores de segmentos de empresas ultraprocessadas. No entanto, os resultados obtidos caracterizam o cenário do futebol brasileiro de forma inédita e ao que diz respeito a sua publicidade em seus sites oficiais, meio importante de comunicação dos clubes. Além disso, destaca-se, como uma potencialidade do estudo, a análise das características dos clubes que influenciam na obtenção de seus patrocinadores, característica não avaliada anteriormente por estudos internacionais.

Conclusão

O patrocínio dos principais clubes do futebol brasileiro possui presença significativa de empresas de alimentos e bebidas não saudáveis, sobretudo, das bebidas ultraprocessadas. As características dos clubes estão associadas com a natureza dos patrocinadores, sendo prevalente o patrocínio de empresas de ultraprocessados em clubes de destaque em competições nacionais e internacionais, maior número de torcedores, maior volume geral de receitas de patrocínios/publicidade e por direito de transmissão em emissoras de TV. Nesse sentido, a regulação das práticas de marketing nos patrocínios no cenário do esporte é uma medida necessária para minimizar as externalidades em saúde ocasionadas pelo impacto do marketing de alimentos.

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