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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

36 nº.8

Rio de Janeiro, Agosto 2020


ARTIGO

Associação entre realização de refeições com os pais ou responsáveis e obesidade em adolescentes brasileiros

Juliana Ilídio da Silva, Amanda Cristina de Souza Andrade, Katia Vergetti Bloch, Gisela Soares Brunken

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00104419


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RESUMO
O objetivo do trabalho foi analisar a associação da frequência de almoçar e jantar com os pais/responsáveis e obesidade em adolescentes brasileiros participantes do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA). Estudo seccional, de base escolar, com adolescentes de 12 a 17 anos. A obesidade foi classificada pelo índice de massa corporal baseado nos critérios da Organização Mundial da Saúde, segundo idade e sexo. A associação entre obesidade e almoço e jantar com os pais/responsáveis (nunca, às vezes, quase todos os dias e todos os dias) foi investigada pela razão de prevalência bruta e ajustada para estratos de sexo e faixa etária. Foram avaliados 71.740 adolescentes. Desses, almoçavam e jantavam com os pais/responsáveis todos os dias ou quase todos os dias, respectivamente, cerca de 48% e 60% das meninas e 56% e 65% dos meninos. Os meninos que almoçavam e jantavam com os pais/responsáveis quase todos os dias e todos os dias apresentaram menor prevalência de obesidade. Na estratificação por faixa etária, apenas os meninos mais novos que afirmaram almoçar com os pais/responsáveis às vezes (RP = 0,64; IC95%: 0,46-0,89), quase todos os dias (RP = 0,50; IC95%: 0,37-0,69) e todos os dias (RP = 0,65; IC95%: 0,49-0,85) e jantar com os pais/responsáveis todos os dias (RP = 0,61; IC95%: 0,43-0,87) apresentaram menor prevalência de obesidade. Os achados reforçam a importância da promoção de comportamentos alimentares saudáveis no ambiente familiar como parte das estratégias de prevenção da obesidade em adolescentes.

Adolescente; Obesidade; Índice de Massa Corporal; Refeições; Inquéritos Epidemiológicos


 

Introdução

A obesidade é uma doença complexa, multifatorial e um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, em todas as faixas etárias e em ambos os sexos 1. O aumento da prevalência de obesidade em adolescentes 1 tem preocupado as autoridades públicas, por estar relacionado ao elevado potencial de morbimortalidades na vida adulta com diminuição da expectativa de vida 2. No Brasil, de 1974-1975 a 2008-2009, a prevalência de obesidade em adolescentes aumentou de 0,4% para 5,9% no sexo masculino, e de 0,7% para 4% no feminino 3.

Fatores genéticos, fisiológicos, ambientais, sociais e comportamentais interagem na gênese da obesidade, figurando dentre eles o ambiente familiar. A refeição é um aspecto do ambiente familiar que está associado ao bem-estar e pode ser considerado um indicador de estilo de vida saudável em crianças, jovens e adultos 4. A refeição em família inclui, entre seus benefícios para os adolescentes, proteção contra comportamentos de risco e comportamentos alimentares desordenados, melhor bem-estar psicossocial e desempenho acadêmico, mais diálogo e coesão entre pais e filhos 5. O hábito de realizar refeições em família proporciona um ambiente para os pais incentivarem comportamentos saudáveis aos filhos 5, que podem transcender ao longo da vida 4. Além de oportunizar um espaço de aprendizagem sobre hábitos alimentares e benefícios nutricionais 6. Isso permite que seus filhos possam adquirir habilidades para escolha e aquisição dos alimentos, planejamento e preparo das refeições 7,8.

Em revisão dos principais achados de uma década de pesquisa do projeto Eating Among Teens, sobre padrões alimentares e problemas relacionados ao peso em adolescentes dos Estados Unidos, foram observadas nas análises transversais associações inversas significativas entre frequência de refeição familiar e excesso de peso em meninas mais jovens, mas não foi observado em meninos mais jovens ou adolescentes mais velhos de ambos os sexos. Na análise longitudinal, a frequência de refeição em família não esteve associada à obesidade em adolescentes 9.

Embora exista evidência de que fazer refeições em família com frequência esteja associado a um menor índice de massa corporal (IMC) em crianças e adolescentes 10, uma revisão sistemática não identificou evidências consistentes de associação inversa entre compartilhar refeições em família e probabilidade de excesso de peso na infância e adolescência 11.

No Brasil, estudos que avaliaram a influência das refeições com os pais/responsáveis em relação à obesidade em adolescentes ainda são escassos. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi analisar a associação entre obesidade e a frequência de almoçar e jantar com os pais ou responsáveis em adolescentes brasileiros, considerando-se o sexo e a faixa etária.

Métodos

Este trabalho usa os dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA). Estudo seccional, de base escolar, com abrangência nacional, cujo objetivo foi estimar a prevalência de fatores de risco cardiovascular e da síndrome metabólica em adolescentes de 12 a 17 anos, de ambos os sexos, que frequentavam escolas das cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes 12. A coleta de dados foi conduzida entre 2013 e 2014.

A amostra do ERICA foi dividida em 32 estratos geográficos, compostos por 26 capitais, o Distrito Federal e mais cinco conjuntos compreendendo os demais municípios com mais de 100 mil habitantes (médio e grande portes) de cada uma das cinco macrorregiões do país: Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul. Foi adotado um delineamento por conglomerado em três estágios: seleção das escolas; combinações de ano e turno; seleção da turma. A descrição detalhada do processo de amostragem pode ser obtida em publicação anterior 12. A amostra prevista foi de 102.327 adolescentes, entretanto, 23,7% (24.284) foram perdas devido à não resposta de nenhum bloco do questionário, recordatório alimentar de 24 horas (R24h), ou aferição de medidas antropométricas e pressão arterial. Entre os não participantes o percentual do sexo masculino, de faixa etária de 15 a 17 anos e de alunos de escolas públicas foi um pouco maior do que entre os participantes. No entanto, foram utilizados procedimentos de análise que, além de levarem em consideração o desenho de amostra complexa, usaram pesos calibrados que corrigem as estimativas de prevalência de acordo com a distribuição de idade e sexo em cada estrato da amostra. Essas estimativas pontuais consideram que os participantes representam os que não participaram 13. Dos 78.043 adolescentes pesquisados no ERICA, foram incluídos no presente estudo 71.740 que completaram integralmente as seguintes etapas: tiveram os dados antropométricos mensurados, responderam ao R24h e preencheram o questionário estruturado autopreenchível 13.

Os critérios de inclusão foram: adolescentes sem qualquer deficiência temporária ou definitiva, não grávidas e que cursavam o sétimo, oitavo e nono anos do Ensino Fundamental ou o primeiro, segundo ou terceiro ano do Ensino Médio em escolas públicas ou privadas nas turmas da manhã ou da tarde 12.

As informações do questionário autopreenchível foram coletadas em sala de aula, utilizando-se coletor eletrônico de dados (personnal digital assistant - PDA), sob a supervisão da equipe do estudo e contendo cerca de 105 questões distribuídas em 11 blocos temáticos, abordando aspectos sociodemográficos, de saúde e estilo de vida 14.

Foram aferidas medidas de estatura e peso. O peso foi avaliado por uma única medida em balança eletrônica da marca Líder, modelo p150m (São Paulo, Brasil), com capacidade de 200 quilogramas e variação de 50 gramas. A estatura foi obtida pela média de duas aferições realizadas sequencialmente, utilizando-se estadiômetro portátil calibrado e desmontável, da marca Alturexata (Minas Gerais, Brasil), com resolução de milímetro e campo de uso de até 213 centímetros. Para a coleta, os adolescentes ficavam em posição ortostática, vestindo roupas leves e sem sapatos 14.

O IMC foi calculado pela razão entre o peso em kg e o quadrado da estatura em metros e classificado, baseado nos critérios da Organização Mundial da Saúde 15, segundo sexo e idade: “muito baixo peso”, adolescentes com escore -Z < -3; “baixo peso” aqueles com escore -Z ≥ -3 e < -2; “peso adequado” com escore -Z ≥ -2 e ≤ +1; “sobrepeso” com escore -Z > +1 e ≤ +2; “obeso” com escore -Z > +2. A variável de desfecho de estudo foi a obesidade presente (adolescentes classificados em obesos) e ausente (peso adequado e sobrepeso). Foram excluídos da análise 2.113 (< 3%) adolescentes de baixo peso e muito baixo peso (escore -Z < -2).

As refeições - almoçar e jantar - com os pais ou responsáveis foram as variáveis de exposição principais e medidas pelas perguntas: “Seu pai (ou padrasto) ou sua mãe (ou madrasta) ou responsável almoça com você?” e “Seu pai (ou padrasto) ou sua mãe (ou madrasta) ou responsável janta com você?”, com as seguintes opções de resposta: “nunca ou quase nunca”, “às vezes”, “quase todos os dias” e “todos os dias”.

As covariáveis avaliadas no estudo foram: sexo (masculino e feminino); idade por faixa etária (12-14 e 15-17 anos); cor da pele declarada (branca, preta, parda, amarela/indígena); macrorregião geográfica (Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-oeste); escolaridade da mãe em anos (de 0-8, de 9-11, ≥ 12, não sabe/não lembra/não respondeu); tipo de escola (pública ou privada); composição familiar (mora com pai e mãe, mora com pelo menos um dos pais e não mora com nenhum dos pais) foi obtida pela combinação das variáveis “morar com a mãe (sim/não)” e “morar com o pai (sim/não)”; a prática de atividade física, classificada em: inativo (0 min/sem), insuficientemente ativo (< 300min/sem) e ativo (≥ 300min/sem) 16.

Um escore de bens e serviços (EBS), baseado na metodologia proposta por Levy et al. 17, também foi utilizado. Compuseram o escore os seguintes itens: presença de empregada doméstica, presença de banheiro em casa, posse de televisão, automóvel/motocicleta, máquina de lavar, videocassetes/aparelhos de DVD, geladeira, computador. O escore foi obtido pela soma de cada item multiplicado pelo inverso da frequência de presença no total da amostra estudada. O escore foi categorizado em tercis: 1 - baixo, 2 - médio, 3 - alto.

O consumo de fibra foi estimado pela aplicação do R24h desenvolvido especificamente para o ERICA, e mensura o consumo alimentar das 24 horas antecedentes à entrevista utilizando-se um software específico (ERICA-REC24h) para o registro direto das informações em netbooks. A técnica de entrevista usada para a aplicação do R24h foi o multiple pass method18. Foram utilizadas fotografias incluídas no software, para estimar o tamanho da porção consumida 14. O “consumo adequado” de fibras foi estimado segundo o ponto de corte do U. S. Institute of Medicine 19, que recomenda: consumir no mínimo as seguintes quantidades, segundo sexo e faixa etária: meninos: 31g/dia (9-13 anos) e 38g/dia (14-18 anos); e meninas 26g/dia (9-18 anos). O consumo de fibra é um indicador usado em estudos prévios como marcador de alimentação saudável 20,21. O baixo consumo de fibra representa baixa quantidade de frutas, vegetais e grãos integrais consumidos e está associado inversamente à adiposidade visceral, aos múltiplos biomarcadores de inflamação relacionados à obesidade 20 e ao desenvolvimento da obesidade geral e abdominal 21.

Todas as análises foram realizadas com o pacote estatístico Statistics/Data Analysis (Stata - https://www.stata.com) versão 14.0, utilizando-se o módulo survey para análise de dados de amostra complexa. As análises foram estratificadas por sexo. A análise descritiva envolveu o cálculo da frequência relativa com os intervalos de 95% de confiança (IC95%). Foram estimadas prevalências e respectivos IC95% da obesidade segundo variáveis de exposição e covariáveis, usando-se para comparar as proporções o teste de qui-quadrado (Rao-Scott).

A associação entre variáveis de exposição e o desfecho foi analisada ajustando-se o modelo de regressão de Poisson. Foram estimadas razões de prevalências brutas e ajustadas para cada estrato de sexo e de faixa etária. As variáveis com valor de p < 0,20 na análise bivariada foram usadas como variáveis de ajuste na análise multivariada quando modificavam a razão de prevalência (RP) em pelo menos 20% (faixa etária, cor da pele, região geográfica, tipo de escola, consumo de fibras e EBS). A variável composição familiar foi mantida como ajuste nos modelos multivariados devido à sua associação com as variáveis de exposição. A variável “escolaridade da mãe” não foi utilizada na análise multivariada devido ao alto percentual de não resposta. Em todas as análises de associação com as variáveis de exposição a categoria “nunca ou quase nunca” foi a de referência. Foi considerado como significância estatística um valor de p < 0,05.

Participaram do estudo os adolescentes que assinaram o Termo de Assentimento. Foi solicitado, em cinco estados, o termo de consentimento livre e esclarecido assinado pelos pais ou responsáveis por determinação dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) ou Secretaria Estadual de Educação. O ERICA foi aprovado pelo CEP de cada uma das 27 Unidades da Federação.

Resultados

No total, 71.740 adolescentes foram avaliados. A média de idades foi de 14 anos, com pouco mais da metade dos alunos na faixa etária de 12-14 anos em ambos os sexos. Os adolescentes de ambos os sexos que se autodeclararam de cor da pele parda e branca e da região Sudeste compõem a grande maioria da amostra. Um pouco mais de um quarto dos meninos e das meninas não sabia, não lembrava ou não respondeu sobre a escolaridade da mãe. Tanto no sexo masculino como no feminino, pouco mais da metade morava com pai e mãe e quase 50% apresentaram escore de bens e serviço (ESB) médio. Em relação ao tipo de escola, pelo menos 3/4 dos meninos e das meninas frequentavam escolas públicas. O percentual de adequação de consumo de fibra foi maior para as meninas do que para os meninos. Por outro lado, os adolescentes do sexo masculino estavam mais ativos do que as do sexo feminino. Quanto às refeições com os pais/responsáveis, aproximadamente metade das meninas e dos meninos as realizavam com maior regularidade. Maior proporção de meninos referia almoçar ou jantar com os pais ou responsáveis “todos os dias”. Por sua vez, as meninas apresentaram maior porcentual de “nunca ou quase nunca” almoçar ou jantar com os pais/responsáveis. A prevalência de adolescentes com obesidade foi maior nos meninos do que nas meninas Tabela 1.

 

Tab.: 1
Tabela 1 Distribuição da amostra (n = 71.740) por características demográficas, socioeconômicas e comportamentais, segundo sexo. Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), Brasil, 2013-2014.

 

Para as análises bivariada e multivariada foram avaliados 69.627 adolescentes. A prevalência de obesidade em meninos esteve associada com quase todas as variáveis estudadas, exceto composição familiar, atividade física e jantar com os pais/responsáveis. Com relação às adolescentes, a prevalência de obesidade esteve associada apenas com faixa etária, cor da pele, região geográfica e consumo de fibra Tabela 2.

 

Tab.: 2
Tabela 2 Prevalências (n = 69.627) e intervalos de 95% de confiança (IC95%) de obesidade por sexo, segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais. Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), Brasil, 2013-2014.

 

Nos adolescentes do sexo masculino, a faixa etária modificou a associação entre almoçar e jantar com os pais/responsáveis com obesidade Tabelas 3 e 4). As medidas de razão de prevalência brutas e ajustadas da Tabela 3 mostram para cada sexo separadamente a associação da frequência de almoçar com os pais/responsáveis com a obesidade, estratificada por faixa etária. Nos resultados ajustados, almoçar com os pais/responsáveis não apresentou associação com obesidade no sexo feminino. Mas esse hábito foi inversamente associado com obesidade nos meninos que almoçavam “às vezes”, “quase todos os dias” ou “todos os dias”. Com relação à faixa etária, observou-se menor prevalência de obesidade apenas nos meninos de 12-14 anos, que almoçavam “às vezes”, “quase todos os dias” e “todos os dias” Tabela 3.

 

Tab.: 3
Tabela 3 Razões de prevalências (RP) e intervalos de 95% de confiança (IC95%) de obesidade com frequência de almoçar com os pais ou responsáveis, segundo faixa etária, em adolescentes por sexo. Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), Brasil, 2013-2014.

 

Em relação a jantar com pais/responsáveis, as razões de prevalências ajustadas mostram não haver associação com obesidade no sexo feminino; já os meninos que jantavam “quase todos os dias” e “todos os dias” estiveram mais protegidos da obesidade. Em relação à estratificação por faixa etária, jantar com os pais/responsáveis foi associado à obesidade apenas nos meninos de 12-14 anos, em que os que referiram jantar “todos os dias” apresentaram menor prevalência de obesidade Tabela 4.

 

Tab.: 4
Tabela 4 Razões de prevalências (RP) e intervalos de 95% de confiança (IC95%) de obesidade com frequência de jantar com os pais ou responsáveis, segundo faixa etária, em adolescentes por sexo. Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), Brasil, 2013-2014.

Discussão

Os resultados mostraram que pelo menos metade dos adolescentes realizava refeições com os pais/responsáveis quase todos os dias ou todos os dias, sendo que os meninos apresentaram maior frequência de refeições com os pais/responsáveis do que as meninas. Para os adolescentes brasileiros, entre os meninos houve menor prevalência de obesidade nos que relataram almoçar e jantar com os pais ou responsáveis, já entre as meninas não foi observada associação significativa. Foi observada modificação de efeito na associação de almoçar e jantar com os pais/responsáveis e obesidade para meninos de 12-14 anos.

Dados de escolares participantes de outro inquérito brasileiro, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), apresentou porcentual de refeições (almoçar ou jantar) com os pais um pouco mais alto; em 2015, 74% dos estudantes no 9º ano do Ensino Fundamental informaram ter este hábito, no mínimo, em cinco dias da semana que antecederam a entrevista 22. Uma possível explicação para a diferença observada pode ser o fato de a PeNSE de 2015 avaliar a presença dos pais/responsáveis durante as refeições apenas em estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental. O ERICA avaliou alunos do 7º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio. Dessa forma, os adolescentes do ERICA são mais velhos e com o aumento da idade os jovens tendem a participar menos da vida familiar.

O percentual mais expressivo de almoçar e de jantar “todos os dias” com os pais/responsáveis dentre os meninos é semelhante ao de outras pesquisas nacionais e internacionais que também observaram entre os meninos maior participação em refeições com a família 9,23. Os adolescentes do sexo feminino estavam mais predispostos aos comportamentos alimentares desordenados e preocupação com a imagem corporal 24, o que poderia contribuir para a menor frequência de refeições com os pais/responsáveis. As refeições em família permitem monitorar a mudança de padrões alimentares e identificar precocemente possíveis problemas 25. Um estudo prévio mostrou que realizar refeições em família é fator de proteção para a ocorrência de comportamentos alimentares desordenados e insatisfação corporal 26, principalmente entre as meninas.

Para o total de estudantes deste estudo, os meninos estiveram mais protegidos da obesidade ao almoçar e jantar com os pais/responsáveis do que as meninas. Esses achados diferem de outras pesquisas que investigaram diferenças por sexos em adolescentes. Um trabalho realizado no Canadá 27 e nos Estados Unidos 28 identificou, após ajuste, associação inversa entre frequência de refeições familiares e IMC apenas nas meninas. Outros estudos, conduzidos nos Estados Unidos, mostraram que a frequência de refeições familiares foi associada inversamente ao escore -Z do IMC em adolescentes de ambos os sexos 29,30. Por outro lado, análises longitudinais, também com representatividade da população americana, não observaram associações entre refeições familiares e risco de excesso de peso em ambos os sexos 31,32.

A associação encontrada somente entre os meninos poderia ser explicada pelo maior percentual de frequência de refeições com os pais/responsáveis neste grupo. Talvez por isso estiveram mais sujeitos à melhoria nos hábitos alimentares pelo contato com os pais 23,30 e maior proximidade/conexão familiar 5. Um estudo com 200 famílias mostrou que aquelas com crianças (cinco a doze anos) com peso adequado passaram mais tempo reunidas durante as refeições e se envolveram em comunicação interpessoal de maneira positiva do que as famílias com crianças obesas 33. Outro estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que nas famílias com maior comunicação, afeto e envolvimento interpessoal durante as refeições familiares, os adolescentes apresentaram IMC mais baixo 34.

Os dados da PeNSE e outras análises dos dados do ERICA mostraram que os meninos apresentaram mais comportamentos de risco à saúde em comparação às meninas, com consumo mais frequente de fast food e maior consumo de refrigerantes, menor consumo de legumes ou verduras 22, maior tempo de exposição a telas (≥ 2 horas) 35, assim como maior ingestão média de energia e de sódio 36. Essas condições podem alterar o equilíbrio entre o consumo e o gasto de energia, contribuindo para um maior risco de obesidade 6. Os resultados desse estudo sugerem que os meninos tendem a se beneficiar com o hábito de fazer refeições com a família, o que pode contribuir para a diminuição desses comportamentos de risco nesse grupo.

A associação inversa entre a frequência de almoçar e jantar com os pais/responsáveis e obesidade entre os meninos mais novos (12-14 anos) difere dos achados de Taveras et al. 31. Esses autores não observaram associação entre jantar em família e excesso de peso ao estratificar por sexo e faixa etária (9-12 anos; ≥ 13 anos). Já a coorte realizada em Minnesota, Estados Unidos, com adolescentes com média de idade de 15 anos, observou associação entre frequência de refeições familiares e excesso de peso apenas em meninas mais novas (Ensino Fundamental) 37.

Os resultados indicaram que os meninos mais novos que faziam refeições com os pais/responsáveis tinham prevalências de obesidade menores do que às de meninos que nunca faziam. Um estudo de revisão apontou que a idade foi um dos fatores associados à frequência de refeições em família entre crianças e adolescentes 38. Um trabalho realizado no Brasil mostrou maior prevalência de consumo de refeições com os pais ou responsáveis entre os adolescentes mais novos (12-14 anos) 39. A frequência das refeições não foi associada à prevalência de obesidade nos adolescentes mais velhos, o que poderia ser explicado pelo aumento da autonomia em relação aos comportamentos alimentares, com o aumento da idade 40.

Um estudo realizado com dados do ERICA mostrou que a frequência de refeições na companhia dos pais/responsáveis foi diferente entre as regiões geográficas do Brasil e tipo de escola, sendo maior entre estudantes da Região Sul e da rede privada 39. Isso reflete, provavelmente, diferenças nas características do ambiente familiar e das refeições, como o tamanho das porções e qualidade dos alimentos consumidos, relacionamento interpessoal familiar, planejamento das refeições, refeições assistindo à TV, escolaridade dos pais, renda da família, estrutura familiar, restrições de tempo e situação ocupacional dos pais 4,5,38.

Com o objetivo de garantir a promoção da saúde a um maior número de crianças e adolescentes, foi implantado em 1955 no Brasil o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Atualmente, o Programa prevê a oferta de merenda escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de toda a educação básica matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias 41. O Programa não cobre alunos de escolas privadas. Dessa forma, a refeição escolar oferecida no ensino público, associada à menor proporção de vendas e divulgação de alimentos processados e ultraprocessados nas dependências das escolas, pode proporcionar um ambiente alimentar mais saudável. Já os alunos das escolas privadas estão mais expostos à predominância de ambiente alimentar obesogênico 42. Embora não tenha sido avaliado, sugere-se que a maior exposição dos adolescentes do ensino privado aos ambientes obesogênicos nas dependências das escolas pode tornar as refeições com os pais/responsáveis estratégias importantes para a prevenção da obesidade.

As refeições em família oferecem oportunidades para a promoção à saúde dos adolescentes com potencial para propiciar benefícios em longo prazo. Na adolescência, as refeições em família não contribuem apenas na prevenção da obesidade, mas também podem moldar os hábitos alimentares (maior consumo de alimentos saudáveis e menor de alimentos não saudáveis) 9,23, reduzir os comportamentos de riscos e problemas de saúde mental 26. Também promovem outros fatores psicossociais, incluindo apoio familiar percebido, vínculo familiar, convívio social, transmissão de valores, melhor desenvolvimento cognitivo e habilidades de comunicação 5. Em longo prazo, quando as refeições em família são estabelecidas na adolescência, podem melhorar a comunicação entre pais e filhos 43, influenciar positivamente a qualidade da alimentação e os padrões de refeição 44 e diminuir as chances de excesso de peso 45 na fase adulta. Esses resultados reforçam a importância de promover as refeições em família.

As limitações deste estudo incluem o desenho seccional, que dificulta a determinação de uma relação de causa-efeito por não permitir estabelecer a relação cronológica entre exposição e desfecho. O uso de dados autorreferidos pode apresentar viés de informação, mas os possíveis erros de classificação seriam não diferenciais, levando à subestimação de efeitos estimados. Os adolescentes de baixo peso e muito baixo peso foram excluídos da análise por formarem um grupo muito específico, com predisposição a apresentarem deficiências nutricionais, seja de micronutrientes ou desnutrição crônica 46. Além disso, foi verificado que as medidas de associação incluindo e excluindo esses adolescentes não apresentaram diferenças significativas. Como pontos fortes, podemos citar o grande tamanho e abrangência amostral, com representatividade nacional e regional.

A associação entre refeições com os pais/responsáveis e obesidade necessita de maiores investigações no contexto brasileiro e a avaliação de outras variáveis relacionadas à refeição em família como: tipo de alimento consumido e a disponibilidade de ambiente familiar doméstico tranquilo e harmonioso; tempo, planejamento e organização das refeições; a divisão das atividades relacionadas ao preparo e o envolvimento dos jovens; e o local onde são feitas estas refeições. É preciso investigar as relações entre esses fatores do ambiente familiar doméstico e as refeições em família e como, juntas, influenciam o IMC de adolescentes.

Estudos futuros devem considerar não apenas o ambiente familiar, mas também as influências mais distais como da comunidade, cultural, geográfica, recursos socioeconômicos e políticas públicas nas esferas estadual e federal do país 47. Cabe destacar que uma prática tão singela como refeição em família também é parte de um contexto econômico, social e cultural maior 33.

Conclusão

Os adolescentes do sexo masculino e mais novos estão mais protegidos da obesidade ao compartilharem o almoço e o jantar com os pais/responsáveis. Os resultados reforçam a importância da promoção de comportamentos alimentares saudáveis no ambiente familiar, contribuindo para a prevenção da obesidade nos adolescentes brasileiros. A refeição com os pais/responsáveis deve ser incentivada, pois pode fornecer oportunidade para uma alimentação adequada, com melhoria da disponibilidade e acessibilidade de alimentos saudáveis e bem-estar psicossocial dos adolescentes.

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - (CAPES). Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso.

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