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Cadernos de Saúde Pública

ISSN 1678-4464

36 nº.3

Rio de Janeiro, Março 2020


ARTIGO

Fatores associados a distúrbios do sono em estudantes universitários

Caroline Maria de Mello Carone, Bianca Del Ponte da Silva, Luciana Tovo Rodrigues, Patrice de Souza Tavares, Marina Xavier Carpena, Iná S. Santos

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00074919


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RESUMO
O objetivo foi investigar distúrbios do sono e fatores sociodemográficos e comportamentais associados. Foi realizado um censo com universitários. Perguntas extraídas do Munich Chronotype Questionnaire investigaram: duração insuficiente do sono (< 6 horas/dia para < 65 anos e < 5 horas/dia para os demais), latência longa (> 30 minutos), baixa qualidade autopercebida, despertares noturnos (involuntários, no meio da noite) e sonolência diurna (dificuldade de concentração). Variáveis independentes englobaram características sociodemográficas e comportamentais. Análises ajustadas foram feitas com regressão de Poisson. Dos 1.865 estudantes, 32% apresentaram sono insuficiente nos dias de aula, 8,2% sono insuficiente nos finais de semana, 18,6% latência longa nos dias de aula, 17,2% latência longa nos finais de semana, 30% baixa qualidade autopercebida, 12,7% despertares noturnos e 32,2% sonolência diurna. O maior consumo de álcool esteve associado à duração insuficiente e latência longa nos dias de aula, baixa qualidade, despertares e sonolência; tabagismo com duração insuficiente nos finais de semana, despertares e baixa qualidade; e cor da pele preta ou parda com duração insuficiente nos dias de aula, baixa qualidade e despertares. Ter aulas de manhã associou-se a sono insuficiente nos dias de aula e sonolência diurna, e o sexo feminino, sonolência, baixa qualidade e despertares. Os distúrbios de sono mais frequentes foram sono insuficiente nos dias de aula, baixa qualidade autopercebida e sonolência diurna. O consumo de álcool e cigarros e a cor preta ou parda foram os principais fatores associados aos distúrbios.

Distúrbios do Sono; Sono; Sonolência; Estudantes


 

Introdução

O sono é um fenômeno vital, durante o qual se “desligam” ou atenuam-se mecanismos e sistemas orgânicos, com vistas à prevenção da exaustão, e são executados processos de recuperação e compensação de gastos energéticos e bioquímicos, ocorridos no período de atividade 1. Distúrbios do sono podem resultar em repercussões negativas para o ser humano, como déficit cognitivo, alterações no metabolismo e distúrbios psicológicos 2. A má qualidade do sono e o sono insuficiente são fatores associados a patologias, como obesidade, distúrbios mentais, hipertensão arterial e diabetes 3.

O sono tem importantes funções biológicas na consolidação da memória, termorregulação e restauração do metabolismo energético cerebral 4. Devido à má conservação dessas funções, estudantes que não mantêm uma qualidade e quantidade de sono adequadas podem ter seu processo de aprendizagem e desempenho acadêmico prejudicados 5,6. Adolescentes com duração insuficiente do sono apresentam maior frequência de obesidade, doença cardiovascular e mortalidade por todas as causas, bem como maior prevalência de depressão, ansiedade, déficit de atenção, problemas de conduta, uso de drogas e álcool, baixo desempenho escolar e pensamentos suicidas, além de sintomas como cefaleia, dores ligadas ao aparelho digestivo e lombalgia 7,8,9.

Dentre os fatores associados aos distúrbios do sono entre estudantes estão as características sociodemográficas e comportamentais 7,8,9,10. O conhecimento sobre a epidemiologia dos distúrbios do sono poderá auxiliar no planejamento de ações que visem a qualificar o sono dos estudantes. Assim, este estudo objetiva investigar distúrbios do sono e fatores sociodemográficos e comportamentais associados, entre estudantes de uma universidade pública federal no sul do Brasil.

Metodologia

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) é uma instituição de ensino localizada em Pelotas, cidade de porte médio do Sul do Brasil. Anualmente, a UFPel recebe cerca de 3 mil novos alunos, distribuídos em seus 83 cursos presenciais de graduação.

Foi realizado um censo entre os estudantes com 18 anos ou mais de idade, considerando como critério de elegibilidade ter ingressado na UFPel em 2017, e estar matriculado em disciplinas do segundo semestre do mesmo ano, nos respectivos cursos presenciais da universidade. Os dados foram coletados em questionários autoaplicados, respondidos pelos alunos em sala de aula, utilizando-se tablets com o sistema RedCap 11, sendo deslocada para aplicação uma equipe de no mínimo dois mestrandos. O trabalho de campo iniciou em novembro/2017 e foi concluído em julho/2018.

Os desfechos avaliados foram sono insuficiente nas 24 horas em dias de aula e nos finais de semana, tempo de latência do sono noturno em dias de aula e nos finais de semana, qualidade autopercebida do sono, ocorrência de despertares noturnos e sonolência diurna.

Sono insuficiente em dias de aula e finais de semana

A duração do sono nas 24 horas, em dias de aula, foi obtida por meio das perguntas “Nos dias de aula, eu realmente estou pronto(a) para dormir às __ horas __ minutos”, “Necessito de __ minutos para adormecer” e “Acordo às __ horas __ minutos”, extraídas da versão em português 12 do Munich Chronotype Questionnaire (MCTQ) 13.

Da mesma forma, foi obtida a duração do sono nas 24 horas dos finais de semana, somente substituindo no questionário os “dias de aula” por “dias de final de semana”. O número de horas de sono foi calculado pela diferença entre o horário em que o indivíduo acorda e o horário em que realmente está pronto para dormir, subtraindo-se os minutos que necessita para adormecer (tempo de latência). A duração insuficiente do sono foi definida conforme o ponto de corte recomendado pela Fundação Nacional do Sono (Estados Unidos), de acordo com a idade 14: 7-9 horas para indivíduos entre 18 e 64 anos de idade (limites aceitáveis de 6-11 horas/dia) e 7-8 horas para idosos (65 anos ou mais) (limites aceitáveis 5-9 horas/dia). Dessa forma, considerou-se duração insuficiente o sono de 24 horas inferior a 6 horas/dia para adultos de 18-64 anos e inferior a 5 horas/dia para indivíduos com 65 anos ou mais.

Tempo de latência do sono noturno em dias de aula e nos finais de semana

O tempo de latência foi obtido da resposta à pergunta: “Necessito de __ minutos para adormecer”, extraída da versão em português 12 do MCTQ 13. Tempos superiores a 30 minutos foram classificados como períodos longos de latência 15.

Qualidade autopercebida do sono

A qualidade autopercebida foi obtida mediante a resposta, em escala Likert (muito boa, boa, regular, ruim, péssima), à pergunta: “De modo geral, como você avalia a qualidade do seu sono nos últimos 30 dias?”. Estudantes que responderam “ruim” ou “péssima” foram classificados como apresentando sono de baixa qualidade.

Despertares noturnos

Os despertares noturnos foram obtidos por meio da resposta à pergunta: “Nas últimas quatro semanas, você acordou de madrugada e teve dificuldade para voltar a dormir?”, com as seguintes opções de resposta: “nunca, de vez em quando, na maioria das noites ou sempre”. Aqueles que responderam “na maioria das noites” ou “sempre” foram classificados como apresentando despertares noturnos.

Sonolência diurna

A sonolência diurna foi obtida mediante a resposta à pergunta: “Nas últimas quatro semanas, você sentiu sonolência que atrapalhava para assistir às aulas?”, com as seguintes opções de resposta: “nunca, de vez em quando, na maioria dos dias ou sempre”, sendo consideradas positivas as respostas “na maioria dos dias” ou “sempre”.

Como variáveis independentes, foram investigadas as características sociodemográficas e comportamentais: sexo; idade (em anos); cor autorreferida (branca, parda ou preta); nível econômico da família, obtido de acordo com o Critério de Classificação Econômica Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP - http://www.abep.org/criterio-brasil), cujas perguntas são referentes aos bens da família, mesmo que o estudante morasse sozinho, e categorizado em classes A (mais alta), B, C, D-E; número de pessoas que residiam na casa com o estudante; número de pessoas com quem compartilhava o quarto; número de pessoas com quem compartilhava a cama; turno do curso (manhã, tarde, noite ou integral); número habitual de horas de uso de tela (computador, videogame, televisão e outras mídias) nas 24 horas, posteriormente categorizado em tercis; número de horas semanais de prática de atividade física, coletado com o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) 16, sendo os estudantes posteriormente classificados em inativos (< 300 minutos semanais) e ativos (≥ 300 minutos semanais); tabagismo atual (sim ou não, sendo se fumou pelo menos um cigarro por dia, nos últimos 30 dias); frequência de consumo de bebidas alcoólicas, de acordo com o Alcohol Use Disorder Identification Test (AUDIT) 17, que classifica os indivíduos com consumo nocivo de álcool quando a pontuação é igual ou superior a 8 18; e curso no qual o estudante estava matriculado, sendo, posteriormente, categorizado em quatro grandes áreas (Ciências Exatas e da Terra/Agrárias e Engenharias, Ciências da Saúde e Biológicas, Ciências Sociais Aplicadas e Humanas, e Linguística, Letras e Artes).

As análises dos dados foram realizadas no programa Stata versão 15.0 (https://www.stata.com). A descrição dos dados foi realizada por meio do cálculo de medidas de tendência central e proporções com intervalos de 95% de confiança (IC95%), para variáveis categóricas. As análises de associação foram feitas com os desfechos na forma categórica. Foram calculadas as prevalências dos desfechos e razões de prevalências (RP) brutas e ajustadas, com seus respectivos IC95% por regressão de Poisson. Para cada desfecho, foi realizada análise bruta com cada uma das variáveis independentes, sendo levadas para a análise ajustada aquelas que se associaram com valor de p ≤ 0,20. Foram consideradas estatisticamente significativas as associações que apresentaram valor de p < 0,05 após ajuste para as demais variáveis. Na análise multivariável, foram mantidas no modelo, para fins de ajuste, as variáveis associadas ao desfecho com p ≤ 0,20. Os indivíduos sem informação para algum desfecho foram excluídos somente das análises do respectivo desfecho.

O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da UFPel (Parecer número 2.352.451). Os estudantes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em que ficava garantido o sigilo das informações coletadas e o direito de interromper a participação no trabalho, a qualquer momento, sem ônus de qualquer natureza.

Resultados

Dentre os ingressantes na UFPel no primeiro semestre de 2017, estavam matriculados no segundo semestre daquele ano um total de 2.706 alunos com 18 anos ou mais de idade. Desses, 623 (23%) trancaram a matrícula ou abandonaram o curso antes de serem abordados pela pesquisa, 49 (1,8%) se recusaram a participar do estudo e 169 (6,3%), embora continuassem matriculados, não foram encontrados após pelo menos duas tentativas de busca em dias e horários diferentes. Restaram 1.865 (69,5% dos elegíveis) para a atual análise. As perdas e recusas foram mais frequentes entre estudantes do sexo masculino (34,3%) do que entre os do feminino (27,7%) (p < 0,001) e entre os alunos das áreas das Ciências Exatas e da Terra/Agrárias e Engenharias (36,9%), em comparação aos estudantes das Ciências Sociais Aplicadas e Humanas (31,1%), Linguística, Letras e Artes (27,7%) e Ciências da Saúde e Biológicas (21,5%) (p < 0,001). Além disso, o maior percentual de perdas ocorreu entre os estudantes com 23 anos ou mais (44,5%) em comparação aos de 20-22 anos (28,5%) e aos de 18-19 anos (20,7%).

As características sociodemográficas e comportamentais dos estudantes são apresentadas na Tabela 1. A maioria dos participantes era do sexo feminino (54,8%) e de cor branca (73,3%). A maior proporção dos estudantes (41,4%) tinha entre 18 e 19 anos de idade e pertencia à classe social B (44,2%). Mais de 90% compartilhavam a casa onde moravam, sendo que destes, 7,1% moravam com mais de cinco pessoas; 37,7% compartilhavam o quarto de dormir; e 25,3% a cama. Mais da metade (55%) declararam-se fisicamente ativos, 11% eram tabagistas, 33,3% apresentavam consumo nocivo de bebidas alcoólicas e cerca de 30% reportaram entre 5 e 16,5 horas de uso de tela por dia (limites do maior tercil). Quanto ao horário das aulas, a maioria frequentava o turno da manhã (57,2%) e mais de um terço estava matriculado em cursos da área de Ciências Exatas e da Terra/Agrárias e Engenharias (34,4%).

 

 

Tab.: 1
Tabela 1 Prevalências de sono insuficiente e latência longa, em dias de aula e em finais de semana, segundo características sociodemográficas e comportamentais de estudantes universitários (n = 1.865).

 

Sono insuficiente nos dias de aula

A duração média do sono dos estudantes nos dias de aula foi de 6,5 horas. Cerca de 32% dos alunos apresentaram duração de sono insuficiente nos dias de aula, sendo esta mais prevalente entre os indivíduos de cor preta (37,2%), que estudavam de manhã (40,6%), com consumo nocivo de álcool (36,5%) e de cursos da área de Ciências Exatas e da Terra/Agrárias e Engenharias (39,4%) Tabela 1. Nas análises ajustadas, a probabilidade de apresentar duração do sono noturno abaixo do recomendado nos dias de aula foi 26% maior entre os estudantes de cor preta (RP = 1,26), em comparação aos de cor branca Tabela 2. Entre os alunos com aulas no turno da manhã, a probabilidade de duração insuficiente de sono nos dias de aula foi duas vezes maior do que entre os estudantes dos demais turnos (RP = 2,08). O consumo nocivo de álcool esteve associado a uma probabilidade 17% maior de duração insuficiente do sono nos dias de aula (RP = 1,17) Tabela 2.

 

 

Tab.: 2
Tabela 2 Razões de prevalências (RP) ajustadas para duração insuficiente do sono e latência longa, em dias de aula e em finais de semana, segundo características sociodemográficas e comportamentais de estudantes universitários.

 

Sono insuficiente nos finais de semana

A duração média do sono dos estudantes nos finais de semana é de 8,1 horas. A prevalência de duração de sono insuficiente foi de 8,2%, sendo mais frequente entre os homens (9,8%), indivíduos com mais de 23 anos (11,6%), fisicamente ativos (9,3%), fumantes (13,3%) e de cursos da área de Linguística, Letras e Artes (12,1%) Tabela 1. A probabilidade de duração do sono abaixo do recomendado foi cerca de 70% maior entre os fumantes (RP = 1,66), quando comparados aos não fumantes, e aproximadamente 21% menor entre os fisicamente ativos (RP = 0,71) comparando-os aos sedentários Tabela 2.

Tempo de latência longo nos dias de aula

Em toda a amostra, a mediana e o intervalo interquartil do período de latência do sono foi de 20 minutos (IIQ = 10,0-30,0 minutos) nos dias de aula. A prevalência de latência longa (maior que 30 minutos) nos dias de aula foi maior entre os que faziam uso nocivo de álcool (21,5%) Tabela 1. Após ajuste, a latência longa do sono nos dias de aula esteve associada à cor da pele parda (RP = 1,38), em comparação aos de cor branca, e ao consumo nocivo de álcool, sendo que entre os estudantes com consumo nocivo a probabilidade de latência longa foi 36% maior do que entre seus contrapartes (RP = 1,36) Tabela 2.

Tempo de latência longo nos finais de semana

A mediana e o intervalo interquartil do período de latência do sono foi de 15 minutos (IIQ = 5,0-30,0 minutos) nos finais de semana. A prevalência de latência longa nos finais de semana não esteve associada com nenhuma das variáveis independentes investigadas Tabela 1.

Sono de baixa qualidade

A prevalência autopercebida de sono de baixa qualidade foi de 30%, sendo maior entre as mulheres (32,6%), indivíduos de cor de pele parda (36,6%) ou preta (34,7%), fumantes (38,5%), com consumo nocivo de álcool (35,4%) e que referiram mais de cinco horas diárias de uso de tela (36,5%) Tabela 2. A prevalência de sono de baixa qualidade autopercebida foi menor entre os estudantes que moravam sozinhos (23,3%) Tabela 3.

 

 

Tab.: 3
Tabela 3 Prevalências de sono de baixa qualidade, despertares noturnos e sonolência diurna, segundo características sociodemográficas e comportamentais de estudantes universitários (n = 1.865).

 

As RP ajustadas foram maiores entre os indivíduos de cor parda (RP = 1,38) ou preta (RP = 1,23), que compartilhavam a casa (RP = 1,47), com mais de cinco horas diárias de uso de tela (RP = 1,24), fumantes (RP = 1,28) e com consumo nocivo de álcool (RP = 1,27) Tabela 4. A probabilidade de sono de baixa qualidade autopercebida foi 16% menor (RP = 0,84) entre os homens, comparados às mulheres Tabela 4.

 

 

Tab.: 4
Tabela 4 Razões de prevalências (RP) ajustadas para baixa qualidade autopercebida do sono, despertares noturnos e sonolência diurna, segundo características sociodemográficas e comportamentais de estudantes universitários.

 

Despertares noturnos

A prevalência de despertares noturnos na maioria das noites ou sempre foi de 12,7%, sendo mais frequente entre as estudantes de sexo feminino (15,2%), de cor preta (19,1%), fumantes (20,9%) e com consumo nocivo de álcool (35,4%) Tabela 3.

Nas análises ajustadas, a probabilidade de despertares noturnos foi 54% maior entre os alunos de cor preta (RP = 1,54), em relação aos de cor branca, e 83% maior entre os fumantes (RP = 1,83), comparados aos não fumantes, e com consumo nocivo de álcool (RP = 1,49). Entre os homens, a probabilidade de despertares noturnos foi 38% menor do que entre as mulheres (RP = 0,62) Tabela 4.

Sonolência diurna

A sonolência diurna foi reportada por 32,2% dos estudantes, sendo sua frequência mais elevada no sexo feminino (37,9), entre os mais jovens (18-19 anos) (36,4%), com aulas no turno da manhã (36,1%), com mais de cinco horas diárias de uso de tela (37,4%), que não praticavam atividade física (35,8%), que relataram consumo nocivo de álcool (39,6%) e matriculados em cursos da área de Ciências da Saúde e Biológicas (40,9%) Tabela 3.

A RP ajustada foi 37% maior entre os alunos com aulas no turno da manhã (RP = 1,37), 32% maior entre aqueles com consumo nocivo de álcool (RP = 1,32), 29% maior entre os da área de Ciências da Saúde e Biológicas (RP = 1,29) e de Ciências Sociais Aplicadas e Humanas (RP = 1,29), em comparação aos seus controles. A probabilidade de sonolência diurna foi 35% menor entre os homens (RP = 0,53), quando comparados às mulheres Tabela 4.

Discussão

Neste estudo, foram encontradas as seguintes prevalências: sono insuficiente nos dias de aula, 32%; sono insuficiente nos finais de semana, 8,2%; latência longa nos dias de aula, 18,6%; latência longa nos finais de semana, 17,2%; baixa qualidade autopercebida, 30%; despertares noturnos, 12,7%; e sonolência diurna, 32,2%. O maior consumo de álcool associou-se ao maior número de distúrbios (duração insuficiente e latência longa nos dias de aula, baixa qualidade, despertares e sonolência), seguido do tabagismo (duração insuficiente nos finais de semana, despertares e baixa qualidade) e cor da pele preta ou parda (duração insuficiente nos dias de aula, baixa qualidade e despertares). Aulas no turno da manhã foram associadas com sono insuficiente nos dias de aula e sonolência diurna; e o sexo feminino, com sonolência, baixa qualidade e despertares.

A prevalência de sono insuficiente nos dias de aula (32%) foi 40% menor do que a estimada no planejamento deste estudo (53%) 9. Já nos finais de semana, a prevalência de sono insuficiente (8,2%) foi 84% menor do que a prevista 9. Essa diferença pode ser atribuída à idade dos participantes, já que no estudo de Roberts & Duong 9 foram avaliados indivíduos entre 11 e 17 anos. Os adolescentes podem ter menos horas de sono, em comparação aos de maior idade abordados em nosso estudo. Na adolescência, identificou-se maior lentidão na inibição da secreção de melatonina no início da fase clara do dia, especialmente nas etapas tardias da puberdade, o que pode resultar em diminuição das horas de sono e aumento da sonolência diurna excessiva 19.

A prevalência de tempo de latência longo, cuja estimativa foi de 65% 15, foi cerca de 3,6 vezes menor em nosso estudo, tendo sido relatada por 18,6% dos estudantes ao referirem-se aos dias de aula e 17,2% aos finais de semana. As amostras dos dois estudos foram heterogêneas em relação à faixa etária, sendo a média de idade de 17 anos no trabalho usado como referência e de aproximadamente 22 anos em nosso trabalho. Além disso, apesar de Hysing et al. 15 também terem utilizado um questionário autoaplicado, o respondente pode ter interpretado o tempo em que ficou na cama lendo ou utilizando algum dispositivo eletrônico como período de latência. O questionário aplicado em nosso estudo, por conter ilustrações sobre as etapas do sono, pode ter evitado esse equívoco, reduzindo a prevalência de latência longa do sono 15.

Cerca de um terço dos estudantes reportaram sono de baixa qualidade. Um estudo brasileiro mostrou que, entre 2001 e 2011, houve um aumento de 26,3% para 34,5% na frequência de sono de má qualidade autorreferida e de 37% para 54% de sono insuficiente 10. Entre alunos de medicina de uma universidade pública do Nordeste, a prevalência de sono de má qualidade autorreferida foi de 50% 20.

Ainda, a prevalência de despertares noturnos (12,7%) foi praticamente a metade da estimada (25%) 21. Essa discrepância pode ser explicada pelo fato de aqueles autores terem avaliado o sono de pré-escolares. Um estudo realizado com adultos de 20 anos ou mais, em São Paulo, encontrou prevalência relatada de insônia, que incluía latência maior que 30 minutos, despertares noturnos e/ou despertares precoces (cedo de manhã), nos últimos 30 dias ou mais, com prejuízo das atividades diárias, de 15% (12,0-18,5) 22. Essas amplas diferenças afetaram o poder do estudo em detectar possíveis associações com as exposições investigadas. Mantidas as razões de prevalências observadas, para duração insuficiente do sono em dias de aula, por exemplo, havia poder de 80% para detectar associação somente com o turno das aulas; para sono insuficiente nos finais de semana, somente com tabagismo; para despertares noturnos, com sexo, cor, tabagismo e consumo nocivo de álcool; e, para latência longa, o poder para todas as exposições era inferior a 80%.

As prevalências de sono insuficiente nos dias de aula e sonolência diurna foram muito semelhantes (em torno de 32%). Dentre os que apresentavam sonolência, 40,6% reportavam também sono insuficiente nos dias de aula, sendo a prevalência de sonolência 40% maior entre os estudantes com sono insuficiente, mesmo após ajuste para sexo, índice de bens, compartilhamento do quarto e da cama, número de horas diárias de tela, aulas no turno da manhã e consumo nocivo de álcool. Vários estudos têm apontado o horário de início das aulas como um fator associado a distúrbios do sono entre escolares 23,24.

Cerca de um terço dos alunos apresentava sono insuficiente nos dias de aula, sendo a probabilidade deste desfecho duas vezes maior entre os que assistiam às aulas no turno da manhã, em comparação aos que tinham aulas nos demais turnos. O horário das aulas pode desregular o padrão do sono, pois os estudantes sincronizam o ciclo sono-vigília diferentemente do ciclo claro-escuro (alternância do dia-noite), para tentar cumprir suas atividades 5,25. Menos de 10% dos alunos apresentaram duração do sono inferior ao recomendado nos finais de semana, sugerindo que dormem menos nos dias de aula e compensam o déficit nos dias livres.

Consistente com as prevalências de duração insuficiente do sono e sonolência diurna, foi a autoavaliação de sono de baixa qualidade (ruim ou muito ruim) relatada por cerca de um terço dos estudantes. Tal achado é semelhante ao encontrado por Hoefelmann et al. 10, entre escolares do Estado de Santa Catarina 10. Várias características dos estudantes associaram-se à baixa qualidade autopercebida, sendo o compartilhamento da casa o aspecto mais fortemente associado, aumentando em cerca de 50% a probabilidade do relato, em comparação aos que moravam sozinhos. Seguiram-se estudantes do sexo feminino, de cor parda ou preta, com alto uso de telas, fumantes e com consumo nocivo de álcool. O número de pessoas no quarto e na cama pode influenciar negativamente o sono, por ronco do parceiro e limitação do espaço para movimentação no leito 26. Contudo, em nosso trabalho, não foram encontradas essas associações. Estudos mostraram que o uso de computadores e outros equipamentos eletrônicos, diariamente e por longos períodos de tempo, tem como consequência o aumento do tempo de latência e redução da duração do sono 27. O acesso à tecnologia e o uso “abusivo” de aparelhos eletrônicos têm diminuído tanto o número de horas quanto a qualidade do sono de jovens estudantes 28. Além disso, outros estímulos como os dispositivos eletrônicos (smart phones, videogames, televisão e tablets), que constituem elemento importante da vida social, podem aumentar o tempo de latência, reduzindo assim a duração do sono noturno 27. Como em nosso estudo, Lil et al. 29 também identificaram que o tabagismo estava associado à má qualidade do sono em adolescentes e adultos, resultando em sono mais superficial, agitado e com despertares 29. Assim como o tabagismo, outro estudo também mostrou que o consumo de bebidas alcoólicas estava associado com a maior prevalência de insônia e má qualidade do sono 30.

Dentre todas as características avaliadas, o consumo nocivo de álcool foi a que se associou com o maior número de distúrbios (duração insuficiente e latência longa nos dias de aula, baixa qualidade autopercebida, despertares noturnos e sonolência diurna). Os efeitos nocivos do álcool sobre a saúde são bem conhecidos 31 e sua relação com problemas de sono foi bem documentada em estudos com adultos 32 e adolescentes 33. O consumo frequente ou a dependência pode aumentar o número de despertares e a latência, e reduzir o tempo total de sono 34. Vale ressaltar a frequência expressiva de estudantes que faziam consumo nocivo de bebidas alcoólicas nesta fase de início da vida acadêmica (33,3%), em razão dos riscos que este comportamento acarreta para a saúde do indivíduo.

Depois do consumo nocivo de álcool, as características associadas com o maior número de distúrbios foram o tabagismo e a cor preta ou parda. Estudantes fumantes apresentaram maiores prevalências de duração insuficiente nos finais de semana, despertares noturnos e baixa qualidade autopercebida. Consistente com esse resultado, um inquérito de base populacional nos Estados Unidos mostrou que os fumantes apresentavam uma prevalência 73% maior de distúrbios do sono do que os não fumantes 35. Estudos sugerem que o fumo altera a fisiologia da musculatura respiratória, levando a um quadro de apneia durante o sono, prejudicando sua duração e qualidade 36. A nicotina, ainda, tem ação estimulante no sistema nervoso central, aumentando o tempo de latência do sono 36.

A cor preta ou parda foi associada à duração insuficiente de sono nos dias de aula, sono de baixa qualidade autopercebida e despertares noturnos. A literatura descreve não haver diferença entre o perfil do sono e a cor da pele 37. Porém, como em nosso estudo, pesquisas realizadas nos Estados Unidos encontraram longo tempo de latência 38 e duração insuficiente 39 entre indivíduos afrodescendentes. Esses indivíduos parecem possuir perfil sociodemográfico e comportamental diferente, como nível social mais baixo, trabalho noturno, compartilhamento da casa onde mora com um número elevado de pessoas, o que poderia contribuir para um sono de baixa duração e qualidade 40.

O sexo feminino associou-se à sonolência diurna, sono de baixa qualidade autopercebida e despertares noturnos. Alguns estudos não encontraram associação entre sexo e sono 4, em outros, os distúrbios do sono foram mais prevalentes no sexo masculino do que no feminino 41, e em outros, houve maior prevalência de sono insuficiente, latência longa e sonolência diurna entre as mulheres 15,38.

O grupo econômico da família e o compartilhamento do quarto ou da cama não se associaram com nenhum dos desfechos de sono, tanto nas análises brutas quanto nas ajustadas, o que pode ter ocorrido devido à perda de poder do estudo. E, a atividade física que esteve associada à duração insuficiente do sono nos finais de semana e à sonolência diurna, perdeu a significância estatística após ajuste para covariáveis, o que talvez se deva ao baixo poder do estudo. No entanto, embora haja evidências de que a atividade física possa ser útil no manejo de problemas de sono, ainda não está claro o tipo, duração, intensidade e horário em que esta atividade deva ser realizada de forma a beneficiar o sono na população em geral 3.

Entre as limitações deste estudo estão a possibilidade de causalidade reversa e confusão residual, uma vez que outros fatores potencialmente associados a distúrbios do sono de estudantes, como estar inserido no mercado de trabalho 42, consumo de cafeína 43, estresse 44 e saúde mental 26 não foram investigados. A capacidade de generalização dos achados é afetada pelo fato de nossa amostra ser formada por calouros de uma única universidade, de caráter público e localizada no Sul do país.

A principal contribuição deste estudo é ter medido prevalências de distúrbios do sono em um grupo de estudantes universitários brasileiros, as quais poderão ser úteis para o monitoramento destes agravos ao longo do tempo, na mesma população ou em futuros calouros. Além disso, fornece estimativas de prevalência, muitas das quais, como bem mostramos, diferem das relatadas em estudos internacionais, como, aliás, esperado para desfechos que dependem não apenas de componentes biológicos, mas também de fatores contextuais e culturais, como é o caso dos distúrbios do sono.

Conclusão

Nosso trabalho mostrou que as aulas no turno da manhã, o sexo feminino e a cor da pele preta, bem como fatores comportamentais (consumo nocivo de bebidas alcoólicas e tabagismo) associaram-se à maioria dos distúrbios do sono investigados. Tanto o consumo de álcool quanto o tabagismo são estilos de vida modificáveis e seu afastamento poderia contribuir para uma adequada higiene do sono entre estudantes universitários. Da mesma forma, ajustes nos horários de início das aulas no turno da manhã, como realizados em outros países 45, poderiam contribuir na prevenção da má qualidade do sono dos alunos.

Agradecimentos

Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento deste estudo.

Referências

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